O Árabe

Idéias, sentimentos, emoções. Oásis que nos ajudam a atravessar os trechos desérticos da vida...

domingo, 30 de setembro de 2007

A ESCOLHA

Cada instante que se vai, jamais retornará. Irá juntar-se aos que se foram, reduzindo ainda mais o tempo de que dispomos.

Assim como a rosa, que dura apenas o necessário para abrir-se em flor, também o homem tem o tempo de que necessita, para cumprir a sua missão.

E a missão não é mais que o aprendizado; pois cada homem que caminha sobre a Terra caminha, na verdade, para alcançar o seu lugar no Universo.

E o aprendizado não será isento do sofrimento. Pois como poderia o botão de rosa transformar-se em beleza, sem suportar o calor do sol ou o sopro do vento?

Tampouco ocorrerá sem alegrias. Suportaria a rosa o calor do sol, ou o sopro do vento, não fossem o frescor da noite e a carícia da brisa?

Não deveis, neste mundo, esperar a felicidade. Assim como não pode o discípulo esperar o seu diploma, antes de concluído o curso. Vede, antes, a vossa caminhada de hoje como a véspera do descanso de amanhã, que se faz necessário antes de nova jornada. E assim será, até que alcanceis o vosso destino.

Entretanto, a rosa não busca o sol causticante ou o vento inclemente; apenas os suporta, encontrando na noite e na brisa o refrigério de que necessita para recompor as forças.

Que vos sirva este exemplo.

Pois vos tenho visto a gastar a maior parte do vosso precioso tempo em esmiuçar o vosso sofrimento, quando deveríeis desfrutar das vossas alegrias.

Eis que vos afligis a chorar pelo que vos falta, e esqueceis de sorrir pelo que é vosso. E, assim fazendo, edificais um castelo de sofrimento, que a cada dia vos manterá mais prisioneiros de seus muros invisíveis.

A vós, cabe escolher o que vereis. E se olhardes para o chão, nada vereis além do barro. Se, entretanto, os levantardes para o céu, descobrireis a beleza das estrelas e o fascínio do Infinito.

É vossa a escolha.

Lembrai-vos, todavia, de que as trevas nada podem gerar, além da escuridão cada vez mais densa. E é a luz, dissipando as trevas, que vos pode mostrar o Caminho.

Buscai, pois, a alegria. É ela que vos permitirá ouvir a canção da Vida, e olhar para o amanhecer de cada novo dia como a promessa de algo maravilhoso em vossa estrada.

Deveis, sempre, fugir ao sofrimento. E não permitir que os momentos de amargura encontrem, em vosso coração, guarida mais prolongada que os instantes de felicidade.

É curto o tempo de cada estada.

E, se assim é, por que o desperdiçareis em sofrer, se podeis usá-lo para sorrir? Por que abrigar lembranças amargas, se dispondes também de doces lembranças?

Em vosso caminho encontrareis, todos os dias, a inquietude e a paz.

Cabe-vos escolher qual delas caminhará, por mais tempo, ao vosso lado.

O texto é do livro "Hassan" e a ilustração do site 1000 Imagens. Agradeço de coração às amigas Silêncio_Culpado e Carol, pela gentileza de nomear-me para o prêmio "Visitante", que repasso a todos vocês: os seus comentários trazem luz e sabedoria ao nosso oásis. Muito obrigado!

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

VERDADES

Cada um de vós tem as suas próprias verdades.

E muitas vezes as defende como se outras não existissem. Como se cada estrela não tivesse o seu próprio brilho e, juntas, não iluminassem o céu.

Entretanto, aquele que se acredita maior do que é limita o próprio crescimento. E dia virá em que tão grande se julgará, que não mais será capaz de crescer.

Por isto, necessitais aprender a ouvir as verdades alheias.

E, ainda que não as aceiteis, ao menos meditai sobre elas. Como poucas nuvens não podem ocupar todo o céu, não podem as vossas verdades compor toda a Verdade maior.

Não busqueis impor os vossos pensamentos. Se o fizerdes, os vossos irmãos vos esconderão os seus próprios pensamentos; e vos será negado o que poderíeis aprender.

Não vocifereis as vossas verdades.

Dizei-as, serenamente; e deixai que cada um medite sobre elas. Pois, se o clamor de um brado dura apenas um momento, a voz calma da razão se eterniza em quem a ouve.

Não é gritando, que vos fareis ouvir; assim, apenas conseguireis que os outros se calem. E este não será o silêncio da aceitação, mas o prenúncio da revolta.

Deveis prezar as vossas verdades.

E lembrar-vos que cada um preza as suas próprias verdades, e não as trocará pelas vossas. Será, entretanto, capaz de ouví-las e pensar sobre elas, se as souberdes enunciar; se nas vossas palavras não houver o estrépito da paixão, mas a profundidade da razão.

Recordai, ainda, que a cada um assiste o mesmo direito.

E àquele que se recusa a ouvir, não cabe o direito de falar; como, a quem se recusa a aprender, não assiste o direito de ensinar.

Disponde-vos, portanto, a ouvir as verdades alheias; e a respeitá-las, sem temer que diminuam as vossas próprias verdades.

Porque é quando se juntam, que as cores formam a beleza do arco-íris; e as ondas a imensidão do oceano.

Assim como as vossas verdades são partes da Verdade maior...

Do livro "Hassan". Foto do site 1000 Imagens

domingo, 16 de setembro de 2007

A ESSÊNCIA DO AMOR

Um dia, julguei haver encontrado o Amor.

E passei a ver o mundo pela sua luz.

E tentei guardá-lo em minhas mãos, escondê-lo entre as dobras das minhas roupas.

E silenciei a minha voz, para ouvir as suas palavras. E isolei-me de tudo, para gozar da sua companhia.

Mas eis que o Amor me abandonou; escapou-me por entre os dedos, como o vento que percorre os campos sem fim, e aos meus ouvidos atentos negou a sua voz.

Ao afastar-se de mim, legou-me a solidão.

E não poderia ter sido mais generoso comigo; pois, assim fazendo, ensinou-me a sua essência.

Porque o Amor não é algo que se possa reter; e as suas palavras não necessitam do silêncio, para se fazerem ouvir.

Pois não somos nós que existimos no Amor, mas o Amor que existe em nós.

As suas palavras não existem senão em nossas bocas, e não brotam senão de nossas almas. E a sua luz se reflete apenas em nossos olhos.

Assim como não somos, sem o Amor, também ele necessita de nós para chegar a ser.

Pois, se o Amor é o viajante, nós somos a estrada.

Se ele é a canção, nós somos as notas musicais.

E, se o encontramos no encanto das estrelas, é porque existe em nós o insondável do céu.

Por tudo isso, não podemos reter o Amor.

Apenas conservá-lo vivo, em nossos corações.

Trecho extraído do livro "A Sabedoria de Hassan",
imagem do site 1000 Imagens.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

O ADEUS DO AMANTE

Perdoa-me pelas desilusões que te causei.

E agradece-me pelos sonhos que despertei em ti; pois as desilusões não brotam senão onde antes floresciam os sonhos.

Como no tempo se alternam os dias e as noites, alternam-se na vida os bons e os maus momentos.

E, assim, nada é o que parece ser.

Pois mesmo na tristeza da despedida existe uma oculta alegria, que é a esperança do reencontro. E é no amargor da saudade que se oculta a doçura das lembranças.

Se em todo caso de amor existe alguém que mais ama, a esse será reservado o quinhão maior do sofrimento da separação. E é justo que assim seja, por lhe ter cabido a parcela maior de felicidade.

Parte, se assim o desejas. Pois, na verdade, nada me tomas senão aquilo que me deste.

E, assim, de direito te pertence.

Não são os teus olhos que pretendo guardar,
- mas a luz do teu olhar.

Assim como não são os teus lábios que pretendo reter.
- mas o sabor dos teus beijos.

E não é do teu corpo que preciso,
- mas do calor do teu amor.

Pois o amor não é como a paixão, que se nutre do que se pode ver,
- mas como a religião, que se alimenta do que se pode sentir.

E, acredita, não pedirei para que fiques.

Pois não é o amor que se humilha, mas o egoísmo. E não é a saudade que é insuportável, mas a frustração.

Assim como a esperança não é mais que o desengano antes do seu nascimento, o desengano é apenas o prólogo de uma nova esperança.

E o nosso conhecimento é a soma das nossas esperanças e dos nossos desenganos.

Sigamos, e conservemos as lembranças do que houve entre nós.

Para que, mais sábios e menos egoístas, saibamos reconhecer a face do Amor; e permanecer em sua companhia.

Se voltarmos a encontrá-lo em nossos caminhos...

Trecho extraído do livro "A Sabedoria de Hassan". Imagem do blog Painel de Cortiça.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

SONHOS E REALIDADES

Como as ondas do mar, como os dias e as noites, os sonhos vêm e se vão.

E são eles que nos trazem a poesia de que necessitamos, para enfrentar as realidades da vida. Assim o sofrimento que nos deixam, ao findar, jamais deverá suplantar a felicidade que em nós fizeram brotar.

Chorar por um sonho que se foi é aviltar a felicidade que despertou em nós, enquanto nos fez viver em um doce mundo de ilusão.

E maldizer a pessoa a quem um dia chamamos de “amor”, é negar a própria essência do amor.

Porque o amor é, em si mesmo, o maior dos nossos sonhos. E, quando nos dispomos a sonhá-lo, devemos ter presente que o preço da sua doçura é o amargor do despertar.

Assim ocorre, em nossos caminhos. E as lágrimas de cada despertar irrigam a terra fértil do coração, para que dela possa brotar um novo sonho.

Jamais deveremos maldizer a alguém que nos deixou. Antes deve haver, em nossa alma, uma canção de gratidão, pela felicidade que um dia nos trouxe. Os nossos olhos deverão conservar a sua imagem, e os nossos ouvidos guardar a ternura que descobriram em sua voz.

Assim, perderemos a pessoa; mas jamais o amor. Ele continuará em nós, e nos fará perceber que, sempre, pode existir uma vida melhor; que a felicidade existe, e para senti-la basta abrir o nosso coração.

Não temeremos o pranto, mas o veremos como o preço do sorriso. Pois o que somos, em todos os dias, é o somatório das dores e das alegrias, das lágrimas e dos sorrisos que conhecemos em nossas vidas.

Quando a luz fria do dia fizer evaporar um lindo sonho, a noite voltará; e com ela virá um novo sonho, que mais uma vez nos aquecerá o coração. E assim será, em todos os dias em que caminharmos por este mundo.

Porque existem o céu e a terra, e é entre eles que precisamos viver. Assim, enquanto a nossa alma busca o céu, é necessário que os nossos pés estejam firmes na terra, para que a queda não faça desmoronar o nosso mundo.

É assim que eu sou. E, embora me chamem poeta, sou apenas alguém que encontrou a si mesmo; que traça o seu caminho da única forma que sabe viver.

Entre a realidade da vida e o sonho do amor...

Real Time Web Analytics Real Time Web Analytics Real Time Web Analytics Clicky