O Árabe

Idéias, sentimentos, emoções. Oásis que nos ajudam a atravessar os trechos desérticos da vida...

domingo, 25 de novembro de 2007

DA TOLERÂNCIA

Não sois iguais entre vós.

Como não são iguais as folhas das árvores, as ondas do mar, ou as estrelas que ornamentam o céu, embora assim possam parecer aos vossos olhos.

E nem o poderíeis ser.

Pois, se fosseis todos artistas, quem faria o pão que sustenta o vosso corpo? Quem haveria de semear o trigo, ou prover os outros alimentos?

E, se fosseis todos padeiros, ou todos trabalhásseis a terra, de onde viria o alimento para os vossos espíritos?

É preciso que cada um cumpra o seu papel.

Por isto existem os artistas e os padeiros, os agricultores e todos os outros. E todos sois partes de um todo, que vos permite a vida como a conheceis.

Dentro de cada um de vós existe um Universo, que é o vosso verdadeiro Eu. E não existem dois Universos semelhantes.

Deveis ter presente esta verdade. E exercitar a tolerância.

Pois não podeis esperar dos vossos irmãos as vossas reações. Cada um reage conforme os seus próprios sentimentos e inclinações.

E não vos deveis exasperar, ou impor as vossas opiniões. O silêncio que vos receberá não será o da concordância, mas o da paciência. Ou recebereis de volta a própria violência com que vos buscais impor.

Exercitai a vossa compreensão. E a arte do diálogo.

Pois, embora seja fácil falar, é difícil escutar. E o diálogo só existe quando ambos não apenas falam, mas se dispõem a escutar. Pois a razão não habita em um único homem, mas no consenso.
Acreditais, acaso, que alguém possa sempre estar certo? Ou errado?

Eis que vos deveis acostumar a ouvir. E a respeitar as opiniões alheias, que apenas poderão enriquecer as vossas próprias opiniões.

Se certos estiverdes, triunfarão os vossos argumentos; e, se estiverdes errados, nem toda a irritação do mundo poderá mudar esta verdade. Antes, aprendereis; e não voltareis a errar.

Renunciai ao vosso orgulho, e a recompensa será o vosso crescimento. A tolerância e a compreensão atrairão para vós o respeito dos que vos cercam, e a capacidade de escutar vos dará o direito de falar.

Pois a razão não necessita gritar, para se fazer ouvir.

Mais cedo ou mais tarde, a sua voz ecoará em vosso verdadeiro Eu.

Este texto se integra à manifestação coletiva proposta pela amiga São,
em protesto à violência contra a mulher. Talvez eu devesse ter sido mais específico, mas a verdade é que a compreensão deste assunto simplesmente não entra em minha cabeça; não entendo como se pode agredir alguém que se diz amar. Entretanto, sei que o problema é sério
e precisamos chamar a atenção sobre ele.
Tolerância, afeto e respeito; de nada mais se precisa...



À amiga Silêncio_Culpado agradeço este selinho,que simboliza a nossa amizade e o nosso aperto de mão. Fico profundamente grato, Silêncio. É uma honra contar com a tua amizade!


sexta-feira, 16 de novembro de 2007

COMO EU VEJO O AMOR

Amar não é necessitar de alguém; é, simplesmente, querer alguém.

Como não é repartir todos os momentos da vida; e sim viver intensamente aqueles que nos é dado repartir.

Amar não é tornar-se um satélite, mas descobrir a gravitação que permite a dois mundos percorrerem a mesma órbita.

E não traz o medo da solidão, mas a doce sensação de companhia.

Não é anular-se em função de alguém, mas existir. Porque o próprio amor só existe entre duas pessoas que se completam.

O amor não é uma concha, a isolar-nos do mundo. É antes um mirante, do qual descobrimos todo o seu esplendor.

E não é posse, mas entrega; não é egoísmo, mas compreensão.
Não é a certeza do conhecimento, mas a emoção da descoberta. Não é compreender o ser amado, mas aceitá-lo como é.

Como é preciso que haja espaços entre as estrelas, para que o céu possa mostrar todo o seu esplendor, é preciso que os haja entre dois amantes, para que neles o amor se possa instalar.

Porque o amor não é uma corrente, a ligar os pés de duas pessoas; é a ponte entre dois corações.

Não é a segurança do futuro, mas a intensa emoção do presente; nem a solidez da muralha, mas a inquietude do oceano.

O amor não é o teto que nos limita, mas o céu que nos faz sonhar. Não é a maciez da pétala, mas a rosa com todos os seus espinhos; porque não é apenas na pétala, que reside a beleza da flor.

Aquele que busca a segurança, não deveria buscar o amor.

Porque o amor não está nas mãos entrelaçadas, mas na emoção provocada pelo toque. Não nas bocas que se encontram, mas na ânsia que faz com que os lábios se entreabram. Não nos corpos que se fundem, mas na plenitude do orgasmo.

Na posse, encontramos apenas a satisfação das nossas carências.

Só na entrega, podemos encontrar o amor...


Mais uma vez, quero agradecer de coração um presente.
Desta vez, foi a Keila que indicou O Árabe como um blog que vale a pena conferir. Obrigado, amiga! O carinho de vocês é o maior adorno do nosso oásis...

domingo, 11 de novembro de 2007

DO MEDO

Acaso a flor rejeita a gota de orvalho, por que poderá ser a última?

Ou despreza o raio de sol, por que as nuvens poderão encobrir o céu?

Devemos evitar um momento de amor, por que talvez no futuro nos aguarde a solidão?

E, se assim fizermos, o que nos restará, sem a boa lembrança que possa aquecer o frio das nossas noites? Sem a recordação da gota de sentimento, que fez florescer o botão das nossas emoções?

É no medo, que nos perdemos. É pelo temor do futuro, que deixamos de viver o presente; é por desejarmos o que nos falta, que não desfrutamos o que temos.

Entretanto, o colibri busca apenas o néctar da flor recém-descoberta; e o desfruta, sem o temor de que amanhã já não o encontre. Por isto, consegue sentir o mel na sua plenitude.

A verdade é que nada existe, senão o momento. Porque já sobrevivemos ao passado, e nem sabemos se chegaremos ao futuro. Esta é a sabedoria da natureza, que vive na ingênua felicidade da criança.

Como a formiga, buscamos amealhar para o futuro; mas deveríamos também cantar, como faz a cigarra. Porque o certo é que a morte encontrará a ambas; e a formiga nada levará dos seus bens, enquanto à cigarra restará a lembrança alegre do seu canto.

A nada devemos temer tanto, quanto ao próprio medo. A nuvem que não teme desfazer-se em chuva volta ao céu, depois de espalhar a vida; enquanto aquela que tentou preservar-se, é desfeita pelo vento.

Talvez a coragem de viver um sonho nos traga apenas a felicidade de um momento. Porém, ele viverá em nossa lembrança.

E talvez o medo de vivê-lo nos traga uma eternidade de solidão...


Eu já havia publicado este post, em outro blog; se não me engano, no ano 2005. Como vocês não o haviam lido, espero que me desculpem por republicá-lo.
E quero também atender à amiga Whispers, que pergunta 5 das minhas manias. Aí vão:ler, escrever, assistir filmes, ouvir música e bater papo. E, por favor, não me digam que estas não são manias, mas formas de lazer. No meu caso, são MANIAS mesmo. Acreditem!...

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

UMA GRANDE VERDADE

Hoje, venho apenas cumprir a missão que recebi da amiga São: pegar um livro, abrir na página 161 e transcrever a quinta frase. O livro é "O Pensamento dos Grandes Homens" e esta é a frase, de Nelson Mandela:

"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, pela sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar".

Grande verdade! Não é possível nascer odiando outrem apenas por sua cor, seu credo, ou sua orientação sexual. O preconceito nos é ensinado; ele não é natural em nós. Ou seja: entre o ódio e o amor, a escolha é nossa.
Vamos pensar nisto. Principalmente ao educar os nossos filhos.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

DESPEDIDA

(A cada um daqueles que amo)

Quando eu me for, que não me transforme em uma lágrima em teu rosto; mas na lembrança de um sorriso, em teu coração.

Se me amas, não me deixes ser a saudade que faz sofrer, e sim aquela que traz a sensação de companhia.

Acima de tudo, não te desesperes.

Pois, se é certo que a morte não existe, o teu desespero ecoará em mim onde eu estiver.

Não penses em mim como alguém que se foi.

Pensa, antes, que por algum tempo pude estar a teu lado e envolver-te em meu amor.

Pensa que sempre estarei presente.

Haverá um pouco de mim
na brisa que te acaricie,
no sol que te aqueça,
em todo aquele que vieres a amar.

Poupa-nos a inutilidade dos afagos póstumos.

Pois só poderás acariciar um corpo vazio; apenas a sensação do teu amor será capaz de afagar-me a alma.

Não deverás buscar o meu túmulo.

Pois ali não estarei, e não me poderás encontrar. É na tua lembrança e no teu coração que me encontrarás, sempre que de mim necessitares.

Conserva-me vivo.

Porque jamais morrerei em ti, a menos que o desejes. Assim como a rosa não morre, enquanto a roseira produzir um novo botão.

Não exaltes as minhas qualidades, nem diminuas os meus defeitos. Seria como se criasses uma imagem, para justificar o teu amor; como se te envergonhasses, por me amar como fui.

Guarda-me contigo.

Em tudo que te possa ter ensinado, ou que contigo possa ter aprendido. Nos sorrisos e lágrimas que repartimos, nas alegrias e tristezas que nos tenhamos provocado.

Assim, verás que nas menores coisas estarei presente.

E, como toda a vastidão do Universo é insuficiente para separar aqueles que se amam, dia virá em que de novo estarei a teu lado.

Então, descobrirás que jamais te deixei.

Há alguns anos, meu irmão mais velho faleceu de súbito. Naquele dia, do nada, esta página surgiu em mim; gosto de pensar que é o que ele queria poder dizer a todos nós, que o amamos. Gosto de pensar que é o que nos diriam todos os seres amados que se foram antes de nós.
De tudo que já escrevi, este texto é um dos que mais gosto. E, acreditem, eu não pretendia publicar nada hoje, dia de finados. É um impulso, uma intuição, uma homenagem a todos aqueles que amamos e se foram.
Ou, talvez, apenas a voz da minha saudade ...

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