O Árabe

Idéias, sentimentos, emoções. Oásis que nos ajudam a atravessar os trechos desérticos da vida...

quarta-feira, 30 de abril de 2008

AOS MEUS FILHOS

Coube-me trazer-vos a este mundo.

Nos primeiros passos pela vida, remover as pedras do vosso caminho; e buscar ensinar-vos como remover as pedras que no futuro vos couberem.

Outra não é a função dos pais, pois cada pessoa tem o seu próprio caminho e as suas próprias pedras.

Assim, eis que não posso caminhar por vós. Porque necessitais tropeçar, para que possais aprender a erguer-vos; e sofrer, para que possais conhecer a felicidade.

Pois assim aconteceu e ainda acontece a vosso pai; e antes dele, a todos os pais deste mundo, que um dia foram também filhos.

E esta é a essência da vida, que se renova a cada momento.

É necessário que eu me conforme com a idéia de que não vos posso ter sempre entre os meus braços; de que não vos posso proteger, senão através do que vos possa ensinar.

É necessário que eu não vos veja apenas como partes do meu ser, mas como seres humanos; e, assim, merecedores do riso e do pranto. Que possais ter as vossas próprias alegrias e as vossas próprias tristezas.

Pois não está em meu poder promovê-las ou evitá-las, mas apenas compartilhar de ambas; festejar as vossas vitórias e reconfortar-vos nos fracassos, embora neles chore também o meu coração.

Não sei se vos faço entender o quanto vos amo.

Pode o vento explicar a um botão como é a rosa, quando desabrocha? Ou a borboleta transmitir à crisálida a sensação de voar?

Assim, como poderiam as minhas palavras fazer-vos sentir algo que apenas experimentei ao vos ver nascer?

Sabei, entretanto, que sois parte de mim.

E os vossos risos, como as vossas lágrimas, ecoam em meu coração; e são, muitas vezes, a causa dos meus próprios risos ou das minhas próprias lágrimas.

Acreditai que o meu maior sonho é ver realizados os vossos sonhos; e, assim como tendes as vossas esperanças, sois as minhas esperanças.

Um dia partireis, pois a vida vos reclama; e não é a mim que pertenceis, mas ao mundo e a vós mesmos. Pois ninguém pertence senão a seus próprios pensamentos e anseios.

Todavia, deveis saber que sempre podereis retornar aos meus braços, como jamais vos afastareis do meu coração. Porque não foi unicamente o ser que eu vos dei, mas também o meu amor.

E, assim, não sois apenas os filhos do meu corpo.

Mas do meu verdadeiro Eu.
Trecho do livro "A Sabedoria de Hassan",
cuja terceira edição deverá ser em breve publicada.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

O RETORNO DO PROFETA

Conta-se que, depois de longa ausência, o profeta retornou ao seu povo. E juram, todos aqueles que o ouviram, que estas foram as suas palavras:

“Retorno, como vos prometi. E não em outras vestes, não com outras palavras, nem mesmo no sopro do vento.

E não foi a saudade que me trouxe a vós, embora sempre presente em minha alma. A saudade, sendo gerada do amor, tem na sua tristeza a alegria e no castigo a própria recompensa.

Sempre estivestes comigo, e jamais a vossa lembrança me foi pesada. Pois a bagagem que um homem leva em sua alma é, ao mesmo tempo, a mais leve das cargas e a mais forte das correntes.

Mas não é pela saudade que retorno e sim porque, mais uma vez, preciso de vós.

Deixei-vos, para ouvir novas vozes e conversar com o meu silêncio. Porque é no silêncio que o homem melhor encontra as suas perguntas e as suas próprias respostas; e é nas perguntas dos seus irmãos, que reconhece as suas próprias dúvidas.

Aquele que me deu a voz ainda não a quis retirar, e as perguntas ainda se agitam em minha alma. E, se isto ocorre, é preciso continuar a missão. Pois um homem não pode parar de ensinar, enquanto algo ainda lhe restar a aprender. E o pouco que consegui amealhar se perderia, se não o confiasse à vossa guarda.

Por isto, retorno. E sei que, na vossa bondade, me permitireis continuar a aprender, enquanto finjo ensinar-vos. Pois mesmo o mais sábio dos homens necessitaria da crença de seus irmãos, para acreditar em suas próprias palavras.
Mais uma vez, caminharei entre vós. E vos falarei do que eu próprio quero ouvir; porque, em essência, são os mesmos os desejos de todos os homens. E não poderia ser de outra forma, uma vez que todos viemos da mesma Fonte e caminhamos para o mesmo Destino.”

Calou-se. E, enquanto os homens partiam a espalhar a notícia de sua volta, o medo visitou seu coração. E disse, para consigo mesmo:

“- Terei eu feito bem, em retornar?

Acaso arde ainda, em minha alma, a chama que poderá acender a lâmpada da sabedoria, em seus pensamentos?

E, novamente, as minhas palavras conseguirão tocar os seus corações?

Assusta-me o pensar que talvez me tenham transformado em uma imagem, como os homens gostam de fazer àqueles a quem amam. Pois, se assim for, por certo os decepcionarei; nenhuma realidade se pode comparar à perfeição de um sonho.

E, ao decepcioná-los, talvez enfraqueça os nossos laços. Como o amor, quando nutrido da saudade, às vezes desfalece após o reencontro.

Entretanto, ninguém foge ao seu destino. E, quando pensamos caminhar, é a mão do Infinito que guia os nossos passos. Assim, se aqui me encontro, é que era necessária a minha volta.

Pois, como não é precioso o metal que não resiste ao teste, também não se pode chamar de amor o sentimento que não resiste à realidade. E o amor não pode temer a si mesmo.

Decerto, a missão não está cumprida. E aquele que se detém a meio do caminho que escolheu, jamais conhecerá a alegria da chegada. Devo, pois, erguer mais uma vez a minha voz e ensinar aos meus irmãos aquilo que eu mesmo preciso aprender.

E não me cabe temer, ou duvidar do que lhes direi. Pois Aquele que aqui me trouxe decerto falará por mim, como o vento que canta nas folhas das palmeiras; e nenhuma palmeira, por mais insignificante que seja, deixa de cantar e ouvir a canção do vento, desde que a ele ofereça as suas folhas.

Que seja eu, portanto, como a lira que oferece as suas cordas.

E, por mim, a mão do Infinito possa tocar as mais lindas melodias.”


Este é, com pequenas adaptações, o capítulo de abertura do livro “Hassan”.
Sei que o texto é grande, mas não consegui reduzí-lo mais sem mutilar o seu sentido.
E, confesso, gosto muito dele...

sexta-feira, 18 de abril de 2008

CONTRASTES

É preciso que vos desnorteie a paixão,
para que possais encontrar o rumo do amor.

Como é necessário o frio da noite, para que valorizeis o calor do sol.

Necessitais do sofrimento, para conhecer a felicidade. Ou da sede, para que possais descobrir o sabor da água.

A vossa vida é feita de contrastes.

E antes vos perdeis nos extremos, que buscais a sabedoria do meio. Assim, saltais das lágrimas para o riso; e, sempre agitados pelas emoções, não chegais a conhecer a paz.

Exercitais o amor e o ódio, o desejo e a ternura, o apreço e o desdém. E vos comportais como se cada um destes sentimentos existisse isoladamente; como, se muitas vezes, não se mesclassem em vosso íntimo.

Eu, entretanto, vos digo que os sentimentos são parte de vós. E se misturam em vossos corações, para o aperfeiçoamento do vosso verdadeiro Eu.

Assim sois, a um só tempo, o bem e o mal, a pureza e a malícia, a verdade e a mentira. Espalhais, ao vosso redor, o sofrimento e a alegria; e colheis os frutos da vossa semeadura.

É assim que sois. E me espanta o ainda não o haverdes descoberto.

Pois, se desejais colher determinado fruto, plantais a árvore que o irá produzir. E, entretanto, ao espalhardes os vossos sentimentos não atentais para a lei da colheita.

Acreditais que, oferecendo desprezo, podeis colher o amor? Ou que, espalhando o medo, recebereis o respeito? Credes, acaso, que alguém vos oferecerá algo diferente do que lhe ofertais?

Semelhantes a gotas d’água são os vossos irmãos. E, ao vos debruçardes sobre o lago que formam, nada vereis senão a vossa própria imagem. Ou a imagem que podem refletir, do que aparentais ser.

Eu vos convido à reflexão.

Harmonizai os vossos contrastes.

Pois só assim encontrareis a paz. E, ao distribuí-la entre os que vos cercam, a sentireis retornar multiplicada.

Para o vosso verdadeiro Eu.

Texto do livro "Hassan".
As minhas desculpas pela ausência um pouco prolongada,
mas em breve retorno.
Sinto falta de vocês.

sábado, 5 de abril de 2008

MENSAGEM DE ESPERANÇA


É preciso resistir.

Como as árvores e as montanhas, que suportam os mais inesperados ventos.

Muitas vezes, o homem precisa fingir que não ouve; ou deixar que a mágoa encontre, em seu coração, o túmulo silencioso.

É necessário acreditar.

Mesmo quando os fatos o negam, quando o sofrimento é a recompensa, é preciso lutar por aquilo em que se acredita. Pois, para aquele que retorna a meio caminho, de nada valeram os sacrifícios da jornada.

Mesmo quando a vida parece um fardo, quando de todos os lados a tristeza faz sentir a sua presença, é necessário seguir. E da fraqueza extrair forças, para um dia alcançar a felicidade.

Por isto, não deveis desesperar ao ver ruírem os vossos castelos; antes buscai erguê-los novamente.

Muitas vezes, a diferença entre o fracasso e o sucesso é uma tentativa a mais.

E não é sábio aquele que maldiz o seu destino, ou por ele se incrimina, e sim o que se esforça para torná-lo melhor.
Em qualquer situação, mais vale uma canção de esperança que palavras de amargor. Pois a angústia não trará soluções aos vossos problemas; antes os fará parecer maiores, roubando-vos a coragem com que os poderíeis resolver.

E, por certo, não é com a amargura de hoje que ireis construir um doce amanhã.

Meditai sempre, sobre os vossos problemas. Pois é junto ao vosso verdadeiro Eu que encontrareis as melhores respostas.

Lembrai-vos que a cada taça de fel corresponde uma taça de mel. Porém não sentireis o sabor do mel que a vida coloca em vossos lábios, se o vosso paladar se obstina em ater-se ao fel.

E assim procede quem apenas enxerga as dificuldades da vida, desprezando as dádivas que recebe a cada dia. Pois a quem distribui o fel, dificilmente será ofertado o mel.

Por isto, deveis resistir à amargura. Assim encontrareis, em vosso verdadeiro Eu, a força de que necessitais para construir o vosso futuro.

E a vossa felicidade.
Mais um texto do livro "A Sabedoria de Hassan".

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