O Árabe

Idéias, sentimentos, emoções. Oásis que nos ajudam a atravessar os trechos desérticos da vida...

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

PARABÉNS, AMOR!

 


Dizeis buscar o amor.

Tendes, porém, a certeza de que o fazeis? Porque, na maior parte do tempo, eu vos vejo buscando a satisfação dos vossos desejos, a sensação de segurança que jamais conseguireis alcançar.

E o amor, hoje eu sei, é exatamente o contrário: é a alegria de satisfazer os desejos de alguém; de proporcionar segurança ao ser amado. É fazer feliz a quem amais, para serdes felizes.

Endeusais ao amor; e isto o afasta de vós. Porque o vedes como descrito nos romances: histórias complicadas e mil dificuldades, até que os protagonistas possam ser felizes para sempre.

E, na verdade, não é assim. Dificuldades podem existir; como, aliás, existem sempre no mundo. Mas o amor não é feito de sacrifícios e gestos grandiosos, e sim de coisas pequenas e simples.

O amor está em uma forma de olhar; em apreciar um jeito de sorrir. Flutua em olhos que se cruzam, escorre em uma lágrima de saudade; está em braços que se abrem, em mãos entrelaçadas.

O amor pode estar em um pedido de desculpas, em uma palavra de perdão. Passeia pela penumbra de um quarto, ou se exibe ao sol da manhã, em uma praia de areias alvas e águas azuis.

O amor é mágico, mas não demanda fadas, bruxas, ou varinhas encantadas; porque a sua magia vem de vossas almas. Não transforma abóboras em carruagens, ou ratos em cocheiros.

Não vos dará sapatos de cristal, mas vos torna capazes de admirar a beleza de pés pequeninos; não vos oferece maçãs envenenadas, mas o sabor agridoce da separação e do reencontro.

Ele não depende de príncipes ou princesas, nem de castelos enormes e criados de libré; uma casinha simples pode comportar mais amor do que um palácio, e o amor pede apenas duas pessoas.

O amor não é como a paixão, que explode de repente, mas como a semente que germina com o tempo; é preciso cultivá-lo, a todo momento, para que cresça e nos deixe colher felicidade e plenitude.

O amor não é um lago inerte e sem ondas; mas um rio, onde as águas correm, sobre pedras ou areia, turvas ou cristalinas, mas sempre em movimento. É como a onda, e nos traz a beleza da espuma.

Não vos preocupeis, entretanto, em buscar o Amor; se o fizerdes, talvez mais difícil se torne encontrá-lo. Se revirais as pedras do caminho, à sua procura, podeis não o ver passando a vosso lado.

Sossegai, portanto: se for o vosso destino, o amor vos encontrará; tudo que precisais é manter aberto o vosso coração, para que possais sentir a sua presença e permitir que ocupe vossa alma.

Porque o amor é a própria essência do Universo.

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