PARABÉNS, AMOR!
Dizeis buscar o
amor.
Tendes, porém,
a certeza de que o fazeis? Porque, na maior parte do tempo, eu vos vejo
buscando a satisfação dos vossos desejos, a sensação de segurança que jamais
conseguireis alcançar.
E o amor, hoje
eu sei, é exatamente o contrário: é a alegria de satisfazer os desejos de
alguém; de proporcionar segurança ao ser amado. É fazer feliz a quem amais,
para serdes felizes.
Endeusais ao
amor; e isto o afasta de vós. Porque o vedes como descrito nos romances:
histórias complicadas e mil dificuldades, até que os protagonistas possam ser
felizes para sempre.
E, na verdade,
não é assim. Dificuldades podem existir; como, aliás, existem sempre no mundo.
Mas o amor não é feito de sacrifícios e gestos grandiosos, e sim de coisas
pequenas e simples.
O amor está em
uma forma de olhar; em apreciar um jeito de sorrir. Flutua em olhos que se cruzam,
escorre em uma lágrima de saudade; está em braços que se abrem, em mãos
entrelaçadas.
O amor pode
estar em um pedido de desculpas, em uma palavra de perdão. Passeia pela
penumbra de um quarto, ou se exibe ao sol da manhã, em uma praia de areias
alvas e águas azuis.
O amor é
mágico, mas não demanda fadas, bruxas, ou varinhas encantadas; porque a sua magia
vem de vossas almas. Não transforma abóboras em carruagens, ou ratos em
cocheiros.
Não vos dará
sapatos de cristal, mas vos torna capazes de admirar a beleza de pés
pequeninos; não vos oferece maçãs envenenadas, mas o sabor agridoce da
separação e do reencontro.
Ele não depende
de príncipes ou princesas, nem de castelos enormes e criados de libré; uma
casinha simples pode comportar mais amor do que um palácio, e o amor pede
apenas duas pessoas.
O amor não é
como a paixão, que explode de repente, mas como a semente que germina com o
tempo; é preciso cultivá-lo, a todo momento, para que cresça e nos deixe colher
felicidade e plenitude.
O amor não é um
lago inerte e sem ondas; mas um rio, onde as águas correm, sobre pedras ou
areia, turvas ou cristalinas, mas sempre em movimento. É como a onda, e nos
traz a beleza da espuma.
Não vos
preocupeis, entretanto, em buscar o Amor; se o fizerdes, talvez mais difícil se
torne encontrá-lo. Se revirais as pedras do caminho, à sua procura, podeis não
o ver passando a vosso lado.
Sossegai,
portanto: se for o vosso destino, o amor vos encontrará; tudo que precisais é
manter aberto o vosso coração, para que possais sentir a sua presença e
permitir que ocupe vossa alma.
Porque o amor é a própria essência do Universo.



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