O Árabe

Idéias, sentimentos, emoções. Oásis que nos ajudam a atravessar os trechos desérticos da vida...

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

UM DIA



Um dia, de repente, tudo termina.

Ficam para trás as angústias e as alegrias, o riso e o choro, os amores e os desamores, os sonhos e as desilusões. Num minuto, eles estão em nossa cabeça; no seguinte, dissolvem-se no nada.

Tudo fica para trás: as nossas conquistas e as nossas derrotas, os nossos bens e as nossas carências. O trabalho por fazer, as palavras por dizer, as pessoas por abraçar, os desejos por realizar.

Restarão, talvez, a satisfação pelo que aprendemos, o orgulho pelo que fizemos de bom e o arrependimento pelo que deixamos de fazer. E talvez desejemos que o tempo volte, para fazermos diferente.

Tenhamos sempre em mente esta verdade: um dia, findará a nossa caminhada sobre o mundo. Em questão de segundos, tudo que julgamos ter passará a outros donos; tudo se irá de nossas mãos.

Todos os nossos sentimentos, todas as nossas inquietações, dúvidas e certezas se acabarão. Todos os nossos conceitos e preconceitos deixarão de existir; tudo que importava se tornará nada.

É assim que é. E ninguém sabe em que curva do caminho chegará a sua vez. Quando ouvirá o chamado para a Grande Viagem, à qual o homem não se pode furtar; nem retardar o seu embarque.

Por que, então, nos agastarmos tanto, se tudo aqui ficará? Por que nos angustiarmos, porque desperdiçarmos em inquietação momentos valiosos, em que poderíamos cuidar de sermos felizes?

Esta é a pergunta que todos os dias me faço. E não consigo entender porque sofremos tanto, por coisas que não levaremos e não nos servem senão enquanto caminhamos sobre esta terra.

Sensato não é o viajante que se alegra apenas quando chega ao destino, mas aquele que aproveita todos os instantes da viagem; e o que chamamos de vida é uma jornada, que nos cabe aproveitar.

O importante não é uma colheita, que talvez não cheguemos a ver; mas a sensação de arar e semear. É sentir o cheiro bom da terra, o prazer de lançar os grãos e ver as plantas que crescem.

O importante não é ter, nem fazer; é viver. De que nos serviria saber provocar a chuva, se não nos fosse dado o prazer de sentir as gotas em nosso rosto, a sensação de caminhar entre os pingos?

O importante não é o resultado do amor; é amar. É viver as sensações maravilhosas que o amor desperta em nós: a intensidade da ânsia, o prazer do orgasmo e a plenitude do carinho depois.

Um dia, de repente, tudo termina. E não seremos mais do que lembranças, imagens que sumirão na bruma do tempo. E o que nos importa não é o que deixaremos no mundo de onde nos fomos.

É o que levaremos para a Mansão da Eternidade.


Música: 
http://ohassan.dominiotemporario.com/marco/1_eddie_calvert_il_silenzio.mid 

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

OS NOSSOS SONHOS



Vale a pena acalentar os nossos sonhos?

Esta é a pergunta que muitas vezes nos incomoda. Porque tememos que perseguir um sonho nos prejudique no mundo real, onde acreditamos que devemos focar todas as nossas forças.

Entretanto, não é assim que acontece. Todas as grandes realizações, neste mundo, nasceram de sonhos; e assim continua a ser. O sonho é sempre a pedra fundamental de qualquer sucesso.

Aceitemos esta verdade. E veremos que o que nos prejudica não é acreditar em um sonho; é tanto nos envolvermos na ilusão e em suas roupagens coloridas, que nos perdemos da realidade.

Este, sim, deve ser o nosso cuidado. Porque um sonho é como uma semente: é preciso arar a terra, depositá-lo com carinho, regá-lo sempre e cuidar dele, para que possamos colher os seus frutos.

E precisamos ser como o agricultor sensato; que, embora não possa acompanhar o crescimento da semente sob a terra, apenas confia. E sabe que, se fizer bem o seu trabalho, a colheita virá.

Para realizar um sonho, não basta desejar. É preciso acreditar e trabalhar, em cada dia. Com o suor de nosso rosto e as lágrimas de nossos olhos, muitas vezes precisaremos regar os nossos sonhos.

E acreditai-me, quando vos digo que, quanto mais lágrimas e suor vos custar o amadurecimento do sonho, tão mais farta será a colheita; tão mais doces os seus frutos, e mais caros ao vosso coração.

Porque nada pode existir de mais gratificante, para o homem, do que tornar realidade um sonho. Embora, por nossa própria natureza, tão logo realizemos um sonho, nos lancemos em busca de outro.

É assim que é; porque é assim que somos. Vivemos de sonho em sonho, de luta em luta, plantando e semeando sonhos; e colhendo os doces frutos do sucesso, ou amargando a cinza do fracasso.

É assim que somos: os sonhos nos animam e impulsionam; neles voamos, por algum tempo, com as asas douradas da ilusão. E os fracassos nos devolvem à terra, onde precisamos seguir em frente.

Nem sempre os sonhos se realizam. E às vezes acontece que um sonho, depois de alcançado, perde o seu colorido encantado e se junta ao cinza da realidade. Esta talvez seja a pior das desilusões.

Deixai-me dizer-vos, entretanto, que sempre vale a pena acalentar os nossos sonhos. Porque o sonho é como uma aurora boreal que, enquanto dura, enche de cor e de alegria o céu onde voa a nossa alma.

De que nos importa, portanto, que, quando chegue ao seu final, possa o mundo voltar a ser escuro? Não continuarão impressos em nós a beleza, a alegria e a força de que desfrutamos, enquanto sonhamos?

Sim; sempre vale a pena acalentar os nossos sonhos. 

Música:
http://ohassan.dominiotemporario.com/marco/1_pianos_magicos_the_impossible_dream.mid

Para assistir, depois de ler: https://youtu.be/xHSMhlFTKXI

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

O JEITO DE CADA UM


Cada um tem o seu jeito próprio de ser.
E não nos cabe censurar os outros, por serem diferentes de nós. Não cabe à rosa branca menosprezar a vermelha; nem à ave que domina os céus julgar-se superior à gazela que corre sobre o solo.
Porque a verdade é que ninguém pode ser diferente do que é. E não são iguais todas as folhas da mesma árvore; nem todas as ondas do mesmo mar, nem todas as flores que existem no mesmo jardim.
Assim eu vos tenho dito. E também vos tenho dito que, como as diferenças entre as flores fazem a beleza do jardim, as diferenças entre nós formam a diversidade do mundo e dão um novo encanto à Vida.
E assim acontece também na natureza. Os contrastes entre as montanhas e os vales, o verde da grama e o vermelho do barro, a água e a terra, formam as paisagens que nos encantam os olhos.
Aceitemos esta verdade; e mais tolerante seremos com os nossos irmãos. Mais fácil será a convivência entre nós, porque não mais julgaremos os outros com os nossos parâmetros e as nossas razões.
Eis que não nos é dado saber pelo que passam aqueles que nos cercam; nem o que dentro deles se passa. E, como podemos julgar os seus gestos e as suas ações, sem conhecer as suas causas?
Acreditais, acaso, que a águia que voa entre as nuvens possa entender a visão limitada da serpente que rasteja? Ou que o poderoso leão compreenda o medo sem fim que habita o tímido coração do rato?
Em verdade, nenhum direito nos cabe de julgar os nossos irmãos. Porque ninguém, senão o próprio homem usufruirá do que semear; cada um deverá colher o seu sucesso ou o seu fracasso.
Cada um ama ou odeia do seu jeito; sofre ou é feliz do seu jeito. Cada um tem as suas próprias ideias, as suas próprias convicções; cada um vive do seu jeito, tem o seu caminho e o seu aprendizado.
Cada um comemora ou lamenta as suas decisões; festeja os rumos que escolheu, ou amarga o seu arrependimento. Mas, por assim ser, devemos respeitar as escolhas dos nossos irmãos.
Este é o caminho da tolerância; e é dela que nascem a compreensão e a paz. Porque a paz não existirá entre os homens, enquanto cada um insistir em aferrar-se a suas ideias e seus desejos.
Aprendamos a respeitar os nossos irmãos. Porque, quando o conseguirmos, saberemos respeitar os seus pensamentos e as suas vontades; ainda que nem sempre concordemos com eles.
Caminhamos juntos. Mas, embora o destino seja o mesmo, de cada um dependem a escolha do caminho e o tempo que gastará em percorrê-lo. É ao final da jornada, que todos nos encontraremos.
No Coração do Universo.

Música:
 http://ohassan.dominiotemporario.com/marco/richardclayderman_myway.mid

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

O CANSAÇO DO PREGADOR


Descia o crepúsculo, quando o velho caminhou até a beira do penedo.

Deixou que o seu olhar vagasse pelo vale, onde por tanto tempo as pessoas se juntavam para ouvir as suas palavras. E um cansaço infinito tomou conta de seu corpo e de sua alma.

Assentou-se, pensativo, sobre a pedra dura e fria. E olhou para o céu que escurecia, onde uma águia solitária ainda voava caprichosamente, fazendo voltas entre as nuvens brancas e esparsas.

E perguntou a si mesmo: “Será que a águia utiliza a força das suas asas e o alcance da sua visão, para observar melhor a terra e assim saber onde encontrar as coisas de que necessita?”.

“E eu, acaso, serei como a águia? Será que tenho utilizado as asas dos meus sonhos para elevar-me acima das coisas do mundo, e os olhos do meu coração para enxergar aquilo que busco?”.

“Ou tenho sido como a avestruz da lenda, que, apesar da sua altura e da velocidade de suas pernas, apenas enterra a cabeça no solo e assim se torna indefesa, ao menor sinal de perigo?”.

“E, quando falo aos meus irmãos, tenho sido como a flor, que ao seu redor espalha os mais doces aromas? Ou como o cacto, que distribui espinhos, porque nada mais tem a oferecer?”.

“Ao longo destes anos, eles têm ouvido, com bondade, a minha voz. Mas terão sido as minhas palavras como o vento brando, que transporta as boas sementes, ou como o vendaval que destrói?”.

“Este é o meu maior temor. Porque é certo que cada um pode fazer o que quiser, da sua própria vida; mas é igualmente certo que a ninguém assiste o direito de causar prejuízo a outra vida.”.

“Durante o tempo em que estamos juntos, muitas vezes eu me tenho calado, para ouvir as inquietações de seus corações; e sei que nelas reconheço as inquietações de meu próprio coração.”.

“Por isto, ao responder às suas perguntas busco esclarecer as minhas próprias dúvidas. Mas a verdade de um, nem sempre é a verdade de outro; a água, onde respira o peixe, pode sufocar a ave.”.

“É assim que é. E já não sei se tenho sido um bem ou um mal em suas vidas; embora tenha sempre tentado caminhar adiante deles, erguendo a minha lâmpada para iluminar o caminho.”.

“Agora me pergunto se, na minha presunção, não os terei prejudicado. Se terei, realmente, iluminado a nossa jornada; ou apenas contribuído para espalhar mais sombras em seus caminhos.”.

 “Porém, a verdade é que as sombras não existem senão em função da luz; e o trabalho do homem que semeia ideias não é trazer respostas, mas fazer com que surjam novas perguntas.”.

“Aquele que prega não é a música, mas a flauta soprada pelo Artista. E se o Coração do Universo permite que as palavras brotem da minha alma, é porque me atravessa o Seu sopro divino.”.

“Devo, pois, seguir em frente. E continuar a cumprir a minha missão.”.

Música:
http://ohassan.dominiotemporario.com/marco/1_raul_di_blasio_travessia.mid

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

A BALADA DA GENTILEZA


Ao fechar o rosto, diante do espelho, ninguém espera ver refletido um sorriso.

Porém, agimos diferente com os nossos irmãos: neles muitas vezes descarregamos as nossas mágoas e inquietações, mas esperamos que sempre nos ofereçam um sorriso amável e um gesto de carinho.

Esperar que isto aconteça, é como acreditar que um espinho se transforme em uma rosa; ou que da ofensa possa brotar o elogio. Das nossas ações, dependem as reações daqueles que nos cercam.

O homem não é como a montanha, que se eleva por si própria; somos como as gotas que, unidas, formam este infinito oceano a que chamamos Universo. Todavia, nós mesmos construímos os invisíveis muros que nos separam.

Da compreensão, surge a integração; e da integração surgirá a confiança. Da humilhação e da ofensa, entretanto, surgem a mágoa e o ressentimento, que mais cedo ou mais tarde nos envolverão em suas ondas turvas.

Vigiemos os nossos sentimentos; deles brotam as nossas palavras e as nossas ações. E a palavra ofensiva que a alguém dirigirmos, algum dia nos será devolvida; como o prejuízo que a outrem causarmos, nos será cobrado.

A gentileza é como a flor, a espalhar o seu doce perfume sobre todos que dela se acercam. E a agressividade é como a onda impetuosa, que ao encontrar o dique se dobra sobre si mesma e retorna ao mar revolto de onde partiu.

Sejamos gentis, e ao nosso redor espalhemos a compreensão e os nobres sentimentos. Assim, veremos florescer à nossa volta um belo jardim, cujas flores nos oferecerão a sua beleza e os seus aromas.

Aquele que ofende aos seus irmãos, semeia as pedras que machucarão os seus próprios pés. E cria para si mesmo um deserto árido, onde não poderá refrescar-se à sombra da amizade; nem beber a água límpida da companhia. 

Aquele que tenta impor o que diz, quer convencer a si mesmo; e as suas palavras se perdem no silêncio da desconfiança. Cada homem tem as suas próprias verdades, e ninguém as sacrifica para aceitar as verdades alheias.

Como a terra faz brotar a semente, que no seu seio é plantada, é o coração do homem. E são as nossas palavras, os nossos gestos e as nossas atitudes, as sementes que plantamos nos corações dos nossos irmãos.

Assim, é de nós mesmos que dependemos, para encontrar entre eles a sombra amiga da árvore, onde possamos repousar das fadigas da vida; ou os cruéis espinhos do cacto, que virão aumentar os nossos sofrimentos.

Juntos, caminhamos; e é juntos que chegaremos ao fim da Jornada.

Não devemos espalhar lágrimas entre os nossos irmãos, se deles necessitamos para enxugar as nossas próprias lágrimas. Nem semear de dores os seus caminhos, se são os mesmos caminhos que precisaremos percorrer.

Busquemos espalhar, sempre, o carinho, a tolerância e a paz, ao nosso redor.

Para que possamos encontrá-los, em nossos próprios caminhos!

Música:
http://ohassan.dominiotemporario.com/midis/ernestocortazar-emmanuelle_stheme-sm.mid

Adaptação de texto publicado em meu outro blog, em janeiro/2007. 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

AS SEMENTES DA ESPERANÇA


Necessitais das vossas esperanças.

Pois é a esperança que sustenta os vossos passos, quando tudo parece conspirar contra vós e o desânimo grita aos vossos ouvidos que melhor seria deixar-vos cair ao lado da estrada.

É ela que vos guiará, enquanto os ventos contrários fizerem turbilhonar a areia ao vosso redor, ocultando de vossos olhos cansados a imagem revigorante de qualquer oásis, no deserto da vida.

É ela que vos canta doces canções sobre o sucesso e a alegria, quando tudo insiste em recordar-vos dificuldades e tristeza. É ela que vos carrega em seus braços, nos trechos mais difíceis.

Mantende, pois, as vossas esperanças. Delas deveis fazer o farol que ilumine o vosso caminho, espantando as trevas que nele possam surgir e ocultar as suas curvas e os seus encantos.

Recordai, entretanto, que a esperança não é a garantia de um futuro melhor; apenas a semente da qual esse futuro poderá nascer. Cabe-vos cultivá-la acertadamente, para que germine.

Cuidai, pois, para não a plantardes em terreno infértil. Ou podereis vê-la definhar, sufocada pelo solo árido e indiferente; quando poderia florescer viçosa, se plantada no lugar acertado.

Como não construiríeis a vossa morada em um chão pantanoso, não deveis plantar a vossa esperança onde não possa brotar. Castelos sobre nuvens nada produzem, além de dolorosas quedas.

Confiai, portanto, a vossa esperança a um solo onde poderá desabrochar. Certificai-vos da fertilidade do chão, antes de nele depositar a semente, como faz o agricultor prudente e sensato. 

Revolvei bem a terra ao seu redor e cavai bem fundo, para terdes a certeza de que pássaros não a levarão, nem a carregarão as enxurradas. Plantai-a bem, e ela com certeza haverá de vingar.

Estai cientes de que, nem todo o tempo, as chuvas serão suficientes para sustentá-la e fazê-la brotar. Muitas serão as vezes em que devereis regá-la com as vossas próprias lágrimas.

Porque assim é a esperança: embora possa sustentar-se por um fio, não transformará a realidade, senão quando encontrar, em vossos corações, a guarida segura de que necessita.

Acreditar é sempre o primeiro passo para realizar; as asas dos vossos sonhos determinam quão longe chegareis em vossa jornada. De nada vos adianta, todavia, sonhar com o impossível.

Certo é que necessitais plantar sem medo as vossas esperanças; elas são as sementes do vosso futuro. Não desanimeis, entretanto, se depois de plantadas e cuidadas não as virdes brotar.

Recolhei-as e guardai-as convosco. Um dia, as plantareis em um novo solo.


Música:
http://ohassan.dominiotemporario.commarco/1_ernesto_cortazar_you_are_my_destiny.mid

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

MOMENTOS DIFÍCEIS



Sim; há momentos difíceis.

Em que o túnel parece infindável e a escuridão é tão densa, que nos sentimos perdidos; como se a réstia de luz nunca fosse brilhar para nossos olhos, indicando o fim da passagem sombria.

Em que as nuvens negras dominam completamente o céu, ocultando de nós o brilho e o calor do sol; e a chuva torrencial e inclemente fustiga a natureza e a terra, como se jamais fosse ter um fim.

Em que as aves se calam e as plantas se encolhem, temerosas. Em que o mundo parece um imenso deserto e nada ouvimos, senão os nossos próprios passos e as vozes de nossos medos.

Em que as forças nos faltam e sentimos que iremos desfalecer no instante seguinte. Em que a coragem nos abandona e o que resta é a sensação de que somos incapazes de concluir a jornada.

Em que o cansaço domina o nosso corpo e um sentimento de impotência paralisa a nossa alma. Em que fingir um sorriso é quase impossível; como quase impossível se torna conter as lágrimas.

Em que não enxergamos novos caminhos, nem percebemos os rumos que podemos tomar. Em que um espinheiro fechado parece impedir a passagem, em cada estrada que surge à nossa frente.

Sim; há momentos assim.

E deles eu vos tenho falado; porque existem para todos nós. E não seria honesto de minha parte esconder de vós que também os atravesso, ou fingir que desconheço a angústia que nos causam.

Muitos destes momentos, tenho encontrado; e ainda encontro em minha vida. Muitas foram e são as vezes em que me recolhi e recolho, para lamber as minhas feridas e curar as minhas dores.

Deixai-me dizer-vos, porém, que exatamente por conhecê-los, sei que são apenas momentos; e que somos capazes de superá-los e continuar a jornada, para viver outros momentos felizes.

E tudo que precisamos é seguir em frente, acreditando no Coração do Universo e na Sua essência, que vive em nós. Por mais longo que seja o túnel, a luz nos indicará que se aproxima o seu final.

Por mais numerosas e pesadas que sejam as nuvens, elas não poderão cobrir para sempre o sol; precisarão desfazer-se em chuva e as cores do arco-íris nos mostrarão que a tempestade se foi.

As aves voltarão a cantar, e as plantas ressurgirão em todo o seu vigor e toda a sua beleza. E a chuva, que parecia inimiga enquanto fustigava a terra, a tornará mais fértil e mais forte do que antes.

Nada precisamos, senão acreditar e encontrar as forças para dar o próximo passo; sorrir sempre, mesmo quando as lágrimas teimam em cair. Somos mais fortes do que os momentos mais difíceis.

Porque o Coração do Universo vela por nós. 

Música:
http://ohassan.dominiotemporario.com/marco/1_mantovani_e_sua_orquestra_till.mid

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