O Árabe

Idéias, sentimentos, emoções. Oásis que nos ajudam a atravessar os trechos desérticos da vida...

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Nome: O Árabe

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

DE CHEGADAS E PARTIDAS

Afastai de vossos espíritos o temor da partida.

Pois não é sábio, para o viajante, temer o final da estrada; antes lhe cabe desfrutar da jornada, a cada momento que assim permita o Universo. Porque aquele que teme o futuro envenena o presente.

E não temais a separação de vossos entes queridos.

Porque, assim como o magnetismo faz com que se atraiam o imã e o ferro, também os sentimentos vos mantêm unidos. E toda a vastidão do universo é insuficiente, para afastar duas almas que se amem.

Diante da grande viagem, sois como a criança assustada que tenta devassar a escuridão da noite. E buscais aliar o conforto da fé à força da lógica, para esquecer os vossos temores.

Entretanto, apenas o Conhecimento pode unir a fé e a lógica. E não o atingireis, sem que muitas noites e muitos dias se alternem em vossa estrada; sem que muitas vestes necessite envergar o vosso verdadeiro Eu.

Credes, acaso, que para a morte vos criou o Infinito, quando em toda a natureza a vida incessantemente se renova? Se a chuva volta a ser nuvem, se o sol renasce a cada dia, permitiria o Pai que em nada vos tornasses?

Não. O que chamais de morte é apenas o descanso de que necessitais, após cada caminhada. E é preciso que assim seja, para que possais renovar as vossas forças e escolher os vossos novos caminhos.

Acatai esta verdade, em vossos corações. E nela encontrareis a força de que necessitais, para superar o medo. Pois, embora em cada dia sejam novas as águas do rio, continua ele a percorrer as mesmas paragens.

É assim que é. Porque, se renovado não fosse, em lago se tornaria o rio. E no seu fundo se acumularia o lodo, turvando cada vez mais as suas águas.

Entregai-vos às alegrias da viagem e esquecereis o medo da volta. Buscai viver intensamente cada um de vossos dias; desfrutai da companhia daqueles a quem amais e aproveitai cada momento de felicidade.

E aprendei com as decepções que acaso vos tragam as curvas do caminho. Porque inútil será o percurso, para aquele que nada aprende que o torne melhor; e este é o que mais se angustia, ao fim da jornada.

A Vida é uma só. Cada uma das suas etapas é uma parte do aprendizado de que necessitamos, para que ao Universo nos possamos integrar. Outra forma não existe, para vencer o medo da morte.

É preciso entender a plenitude da Vida.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

O AMOR E A SAUDADE

A saudade não é o fim do amor.

É a sua invisível presença. Como a flor continua a viver, no perfume que deixa no ar, e o encanto da canção se prolonga no coração enamorado.

E não é nas lágrimas da privação que a deveis acalentar, mas no sorriso das boas lembranças. Porque é aí que estão as suas raízes, e isto ninguém vos poderá tirar.

Em verdade, sofrimento e felicidade são faces da mesma moeda; nenhum deles encontrareis, que no outro não tenha a sua origem. Ou que o tempo não venha a no outro transformar.

E isto é algo que deveis ter sempre presente. Para que desgraçados não vos julgueis; nem acrediteis que possa durar para sempre a alegria de um momento.

Pois ambos, sofrimento e felicidade, apenas existem em vós. E não poderiam ser eternos, como não o são os vossos sentimentos.

Não podeis evitar a saudade; como não pode o viajante impedir que na estrada se faça a noite. Porém, assim como ele pelas estrelas se orienta, do brilho das boas lembranças podereis fazer surgir a luz sobre o vosso caminho.

É vossa, a escolha; sempre. Para que vossos sejam os méritos e a responsabilidade; e para que mais efetivo se torne o aprendizado. Pois ninguém aprende, senão quando a isto se dispõe.

Cultivai, pois, o vosso amor de hoje; para que mais doce possa ser a saudade de amanhã. Eternizai cada momento e cada sorriso, em vossa memória e em vosso coração.

Guardai, cuidadosamente, as vossas carícias; recolhei, com o cuidado de um peregrino no deserto, cada gota de vosso amor. Como recolheríeis as tâmaras do oásis, para que na viagem solitária vos adoçassem os lábios.

Compartilhai os vossos sonhos. E, quando o fizerdes, neles acreditai com todas as vossas forças. Para que, ainda que por instantes, possam as vossas almas encontrar-se na mansão do amanhã.

Olhai com os olhos da alma, e cada vez mais bela se tornará a pessoa amada; aprendei a ouvir com o coração, e as suas palavras serão como as mais belas melodias.

E, quando vos visitar o silêncio, desfrutareis a sensação de companhia. Porque é doce o silêncio de quando nada é preciso dizer; amarga é a certeza de que nada resta a dizer.

Amai, enfim. E que não vos inquiete a incerteza do futuro, para que na ansiedade não se perca o encanto do presente.

Pois, ainda que não dure para sempre, o amor constrói o seu próprio tempo. E, se assim fizerdes, não encontrareis na saudade o amargor da solidão; nem a revolta da frustração.

Mais leve se tornará a tristeza da perda, entre as lembranças das passadas alegrias. E, para vós, a saudade não será um agressivo deserto, cortado pelo vento gelado da solidão.

Será, sim, um sítio sossegado e acolhedor, onde podereis chorar mansamente as vossas lágrimas, ao recordar com ternura os vossos sorrisos.

No aconchego suave do amor.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

A BAGAGEM E O CAMINHO

Não são os anos que pesam, mas as desilusões.

Entretanto as mágoas, que no passado nos queimaram a alma, formam o aprendizado que nos protege de novos sofrimentos.

É com os sonhos mortos e a argamassa das lágrimas, que pavimentamos o caminho para o Conhecimento. E apenas ao alcançá-lo, descobriremos que nele se encontra a plenitude do Ser.

Que não vos perturbe, porém, esta realidade. Pois, assim como os oásis amenizam o deserto escaldante, também a alegria estará em vossos caminhos; e o som argentino dos risos vos fará esquecer o lamento abafado do pranto.

Não podeis deter a noite e o dia. Mas aprendestes a acender o fogo, para afastar o escuro da noite; e a buscar o conforto da sombra, quando vos fustiga o calor do sol.

E é assim que podeis fazer, quanto às vossas alegrias e tristezas. Porque da importância que a umas e outras atribuirdes, dependerá a vossa capacidade de ser feliz durante a caminhada.

Valorizai as vossas emoções. Pois, se é o pensamento que vos guia, são as emoções que vos permitem sentir a Vida. E não estará completo o viajante que pelas estrelas se orienta, se nelas não perceber a magia do Universo.

Guardai-vos, todavia, de permitir que as emoções vos conduzam. Pois o barco que à correnteza se entrega, findará por naufragar na cachoeira que se oculta atrás da curva do rio.

Há elevadas montanhas e insondáveis abismos. E, se não é sábio viver na escuridão da profunda caverna, tampouco o seria habitar a montanha, onde o ar rarefeito não dá suporte à vida.

Buscai a sabedoria. E não é nos livros que a encontrareis, mas na experiência. É a queda que ensina o pássaro a voar, e só se torna calejado o pé que sangrou nas pedras do caminho.

Que não vos preocupe, pois, o passar dos anos. Cuidai, sim, de aproveitar cada momento; de aprender com as desilusões e viver intensamente as vossas alegrias.

Dia virá em que toda a carga nos será tirada dos ombros, e esmiuçaremos as nossas mochilas. Talvez, então, risos passados se transformem em pranto e de antigas lágrimas sorrisos possam brotar.

Pois cada um de nós necessitará rever os seus conceitos e a sua bagagem. Sacudiremos a poeira do caminho e como crianças mergulharemos no oceano do Infinito, antes de tomar as nossas novas vestes.

Para que outra jornada se inicie.

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

DA INSEGURANÇA

A insegurança não é apenas o medo.

É a desconfiança de si mesmo; e com ela a pior das solidões. Pois a companhia pressupõe a confiança; e aquele que em si próprio não confia, como em outro poderia confiar?

Evitai a insegurança: a lugar algum, ela vos pode levar. Antes queimará os vossos navios, destruirá as vossas pontes e tornará vacilantes os vossos passos, pelo temor do fracasso.

Olhai à vossa volta. E vereis que os bem-sucedidos não são necessariamente os mais fortes, nem os mais competentes, nem sequer os mais belos. São aqueles que confiam em si mesmos.

Pois o êxito, na maioria das vezes, é uma escada que dia a dia se constrói. E o vencedor não é o homem que se atira à competição desenfreada, mas aquele que persiste em amontoar os seus tijolos.

E isto só podereis fazer, se em vós mesmos confiardes. Porque ninguém insistirá em edificar uma escada, na qual não se acredite capaz de subir. A ave não faria o seu ninho na montanha, se asas não possuísse para a ele chegar.

É nas árvores que vivem os pássaros; e em buracos se ocultam as toupeiras. Porque uns e outros conhecem as suas capacidades e as suas deficiências, e escolhem o melhor para si mesmos.

Buscai, portanto, conhecer-vos. É assim que sereis capazes de acreditar em vossas qualidades e combater os vossos defeitos. E nisto consiste a arte de tornar-se melhor.

Pois esta é a diferença entre vós, os pássaros e as toupeiras: da vossa escolha depende se buscareis o céu, ou na terra vos conformareis em existir. Qualquer que seja, entretanto, devereis ser capazes de dela extrair o melhor.

É pelas posses, que costumais medir o sucesso; quando pela felicidade o deveríeis fazer. Pois, em verdade, melhor está o aldeão que da sua horta se alimenta, do que o rei que nas mais finas iguarias teme a sombra do veneno.

E mais feliz é o operário, a dividir as suas moedas, do que o avarento a empilhar tesouros que não se dispõe a gastar. Porque um é livre para a vida, enquanto o outro à ganância se escraviza.

Afastai de vós a insegurança. O medo da incapacidade é a única barreira que não conseguireis superar; como o temor da fome é a fome que não podereis saciar.

Em verdade, jamais conhecerá a plenitude da Vida aquele que demasiado teme a morte. Como não conhecerá a plenitude do amor aquele que com a sua duração se preocupa.

Pois o Amor e a Vida são infinitos, como a Eternidade que os abriga. E como o verdadeiro Eu, aquele que em vós escapa à dimensão dos corpos e vos conduz pelos caminhos do Conhecimento.

Afastai a insegurança. Tudo podereis fazer, se acreditardes na centelha do Universo que existe em vós.

O vosso verdadeiro Eu.

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

O NOSSO OÁSIS

A amizade é o amor sem o desejo.

E, por assim ser, menos exigente e mais duradoura. Pois, embora a beleza esteja na flor, o ramo a ela sobrevive. E o desejo é como o perfume, que torna mais intenso o ar, porém nele se dissolve.

Celebremos hoje a amizade.

Vamos assentar-nos, de mãos dadas, em nosso oásis. E recordar o sol dos dias e as estrelas das noites que aqui passamos. Que sejam os raios do sol e as estrelas, como as alegrias e as mágoas que nos visitaram durante este tempo.

Porque decerto conhecemos mágoas e alegrias, em cada dia destes dois anos. E para cá as trouxemos, em nossas palavras, ainda que a elas não nos tenhamos diretamente referido.

Em verdade, não é através das palavras que podemos conhecer alguém. Mas basta que as ouçamos com o coração, para percebermos os sentimentos que por trás delas se agitam.

Com o coração, eu vos tenho ouvido; e com o coração tendes ouvido o que vos digo. Assim devemos ouvir os amigos, pois de mãos dadas caminham a compreensão e amizade.

Deixai que eu vos agradeça.

Porque é pelos astros e pelas nuvens, que percebemos o céu à nossa volta; e é nas flores que está o encanto do jardim. Como no deserto se perderia a voz, sem os vossos corações de nada valeriam as minhas palavras.

Pois não é a semente que faz brotar a planta, mas o solo que a envolve. E, se é certo que na semente se oculta a vida, é no carinhoso abraço do solo que ela encontra o seu sustento.

Assim acontece à palavra, que ao encontrar guarida em vós pode fazer nascer um novo mundo. Como da efêmera chama do fósforo surge a fogueira amiga, que por toda a noite vos aquece.

Eu vos sou grato, por tudo que me ensinastes. Por cada lágrima e cada sorriso que aqui dividimos, até este dia. E espero que continuemos unidos, a sorrir as nossas esperanças e chorar as nossas desilusões.

Assim, continuará a existir o nosso oásis. E nele encontraremos a paz de que necessitamos, para que as dores não nos tragam o desespero; nem as miragens nos façam perder o rumo.

Juntas, as estrelas fazem a beleza do céu; juntas, formam as gotas a imensidão do mar. A caminhada prossegue, e não descansará o Universo enquanto o último homem não a houver completado.

Caminhemos juntos. Mais fácil se tornará a jornada.


Em 13 de junho de 2007, iniciei este blog. Juntos, o trouxemos até aqui.
Obrigado. De todo o coração!

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

DE SONHOS E PROMESSAS

Ao homem, não é dado viver sem sonhos.

Pois é a esperança que nos sustenta a vida. E o que são os nossos sonhos, senão as esperanças que nos conduzem ao amanhã?

Acreditai, portanto, nos vossos sonhos. Como o fazeis aos vossos deuses, aos vossos profetas e aos vossos amores. Assim os deveis guardar, bem junto aos vossos corações.

Lembrai-vos, todavia, que se é a flor que vos encanta, são os espinhos que defendem a planta. E, embora a espuma atraia os vossos olhos, é na onda que se manifesta a força do mar.

Como as nuvens vos protegem da força do sol, os sonhos vos permitem descansar da realidade. E, como a água vos dessedenta, os sonhos revigoram o vosso verdadeiro Eu.

Entretanto, não podeis caminhar sobre as nuvens. E a água escorregaria entre vossos dedos, se nas mãos a tentásseis reter. Assim acontece aos vossos sonhos, que apenas existem enquanto os sonhais.

É de cinza que se veste a realidade. E nos sonhos encontrais as cores de que necessitais, para adornar o vosso mundo e alegrar a vossa jornada.

Guardai-vos, porém, de entregar-vos aos sonhos. Pois é na realidade que necessitais viver e ela vos será tão mais dolorosa, quanto mais vos apegardes aos vossos sonhos.

Sonhos são sonhos. E se desfazem, quando em realidade se tornam. É necessário que assim seja, para que outros sonhos possam nascer e colorir as vossas vidas.

Pois não é a saciedade que nos impulsiona, mas o desejo. Como não são as certezas que nos levam ao conhecimento, mas as dúvidas. É da semente que a árvore haverá de brotar.

Poderoso será, talvez, aquele que conquista o mundo. Livre, porém, é o homem que da conquista não necessita. E não é no poder que encontrareis a felicidade, mas na liberdade de buscá-la em vossos caminhos.

Guardai-vos, portanto, de viver apenas em sonhos. Como vos guardaríeis de falsas promessas, que vos pudessem iludir. É o frio da morte que a mariposa encontra, no calor da chama que se obstina em alcançar.

Vivei, intensamente, os vossos sonhos. Sabei, entretanto, que a realidade vos aguarda, ao fim de cada um deles. Como à noite sucede o dia, até que o crepúsculo anuncie a nova noite que chega.

Chorai todas as vossas lágrimas, a cada sonho perdido; é justo que assim seja, por todos os sorrisos que ele trouxe aos vossos dias. E é preciso que a amargura se dissolva, no pranto que eterno vos parece.

Para que outro sonho possa nascer.

Ilustração encontrada na internet. Pena que não lembro o site.

Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

A INVEJA

Nada enxerga o invejoso, senão a felicidade alheia.

E, assim procedendo, é como o pescador que se lamenta porque não lhe pertence o mar. Como se no rio não existissem mais peixes do que necessita para o seu sustento.

Ou como o vagalume que chora porque estrela gostaria de ser. E nem percebe o próprio brilho, que ilumina o espaço à sua volta.

Guardai-vos de abrigar a inveja.

Pois, como os antolhos impedem à besta a visão do mundo, a inveja não permite que vos possais sentir felizes. E vos leva a chorar pelo que têm os outros, quando deveríeis sorrir pelo que vos pertence.

Como a erva parasita asfixia o tronco que a abriga, a inveja sufoca em vós a alegria de viver. E como a sombra da noite oculta a beleza das flores, a inveja torna esmaecido o brilho das vossas próprias conquistas.

Ao pássaro, não preocupa a envergadura das asas; basta-lhe a liberdade de voar, ao sopro carinhoso da brisa. Como à flor não importa o tamanho do caule, ao desfrutar a carícia do sol.

Entretanto, não é pelas vossas necessidades que dimensionais a felicidade; mas pelos vossos desejos. E à medida que mais desejais, maiores se tornam as vossas angústias.

Pois o homem que não se contenta com as frutas suculentas e a água cristalina vagará sem descanso, na busca inútil do pomo encantado e do néctar ilusório.

Em verdade, não é mais feliz o homem que mais possui; e sim aquele que mais valor atribui às suas posses. Porque o primeiro pode nem conhecer todos os seus bens, enquanto o segundo desfruta de tudo que lhe cabe.

A inveja não é a abundância, mas a perpétua carência. Não será saborosa a água do vosso poço, enquanto mais doce vos parecer a do vizinho; nem bela será a vossa esposa, enquanto mais atraente julgardes a mulher ao lado.

A inveja é a sede que não pode ser saciada, a pobreza que não pode ser vencida e a fome que não pode ser mitigada. Porque nada será suficiente, para quem não sabe valorizar o que possui.

Guardai-vos da inveja. Que jamais possa ela encontrar guarida em vosso coração.

Para que não venha a acorrentar o vosso verdadeiro Eu.