O Árabe

Idéias, sentimentos, emoções. Oásis que nos ajudam a atravessar os trechos desérticos da vida...

sexta-feira, 10 de abril de 2020

OREMOS!



Alguns dizem que é hora de dobrar os nossos joelhos.

Eu, entretanto, vos digo que não o necessitamos fazer. É hora, sim, de elevar o nosso verdadeiro Eu ao Coração do Universo; levando não súplicas desesperadas, mas a força da nossa Fé.

Dobrar os joelhos é um sinal de submissão, que os poderosos deste mundo criaram para mostrar poder. E o Coração do Universo não precisa mostrar a Sua força, que está em nós e ao nosso redor.

Acaso alguém precisa ajoelhar-se, para falar a seu pai? E por que o necessitaríamos fazer, para falar ao Pai de nós todos, Aquele que nos colocou neste mundo e nos acompanha a todo o momento?

Qualquer que seja a vossa religião, quaisquer que sejam os vossos credos, é hora de unirmos os nossos corações, em uma prece única. Qualquer que seja o vosso Deus,  ouvirá a vossa oração.

Ou não seria Deus, mas apenas uma crença ilusória. Porque o Coração do Universo é um só; e, ainda que o filho não seja capaz de chamar o nome de seu Pai, Ele o ouvirá, abraçará e protegerá.

Agora, não nos é dado estar com os nossos sacerdotes; mas lembremos que sempre é possível orar, dentro de nossos corações. E estes são os mais verdadeiros templos que podemos encontrar.

Oremos, pois, em nós mesmos. E, se o homem necessita de símbolos, para direcionar a sua fé, cada um pode escolher o próprio símbolo; acender a sua vela, o seu incenso. Ou ajoelhar-se, se preferir.

Oremos. Com fé e confiança! Cada um em seu próprio idioma, cada um ao seu próprio Deus. Porque, eu vos repito, o Coração do Universo é um só; e Ele escutará as vozes dos nossos corações.

Oremos. Com união e humildade; vencendo as barreiras da distância entre nós e reconhecendo os nossos erros. A verdade é que nos afastamos; e maltratamos o mundo onde vivemos.

Oremos. E, em nosso coração, forjemos a resolução de nos tornarmos melhores, no amanhã que virá; de nos abraçarmos como irmãos e respeitarmos a Vida, que é tão frágil neste mundo. 

Oremos. Não apenas por nós, que aqui ainda estamos; mas por todos que nos deixaram e  todos que nos deixarão. Que sejam recebidos por seus entes queridos; e passeiem em paz, nos jardins da Eternidade.

E que a nossa não seja uma oração de medo, mas de confiança. Porque as nuvens passarão, ao sopro do tempo, e o sol voltará a nascer e brilhar forte sobre o mundo; assim determina o Coração do Universo.

Que nos abençoa, em todos os dias.

Música:
http://ohassan.dominiotemporario.com/midi vocais/canto_gregoriano_pie_jesu.mid

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BOA PÁSCOA, AMIGOS! QUE O CORAÇÃO DO UNIVERSO ESTEJA CONOSCO! 

sexta-feira, 3 de abril de 2020

A VIAGEM E AS TEMPESTADES


A tormenta passará.

Um dia, o sol voltará a aparecer no horizonte, espalhando calor e esperança sobre o mar e a terra. O ar estará mais limpo e o céu estará mais azul; é sempre assim, depois que passa cada tempestade.

Aqueles que continuarem a bordo, sentirão o alívio de não mais enfrentar as perigosas ondas e os terríveis ventos da borrasca; agradecerão ao Coração do Universo, pelas águas calmas e pela brisa amiga.

Sentir-se-ão felizes, por estarem vivos; cairão de joelhos e farão ouvir os seus cânticos de gratidão Àquele que serenou as ondas e fez cessar os ventos. Em seus corações, honrarão a dádiva suprema da vida.

Porque, às vezes, o pouco se torna muito. Para aquele que padece a sede, nada existe de mais valioso que a água fresca da fonte humilde; para o que vive na solidão, o bem mais desejado é a companhia.

E mesmo o homem que inveja o suntuoso palácio, apenas entrevisto ao longe, sente-se feliz quando se abriga em sua pequena morada, enquanto lá fora a chuva forte e fria castiga os que não se protegem.

Assim acontece à humanidade. Sempre desejamos mais do que temos; e, em nossa busca para ter o que queremos, muitas vezes esquecemos o que temos e não valorizamos o que realmente precisamos.

O egoísmo está presente em todos nós. E, por isto, após passada a tormenta, a intensa alegria de continuar vivo será o primeiro sentimento de quem ainda estiver a bordo e puder prosseguir a viagem.

Depois, virá a lembrança dos companheiros que se foram. Para os que eram mais próximos, a saudade e as recordações do que viveram juntos. A angústia de procurar alguém querido e não o encontrar.

Assim vai ser, quando a tormenta passar. Ao lado da alegria de permanecer a bordo, a tristeza de saber que nem todos o conseguiram. E muitos seres amados se foram sem ter havido, sequer, uma despedida.  

Pois ninguém sabe a hora em que desembarcará; ou quando virá a onda que o levará do convés. Por isto, deve-se sempre tratar bem os companheiros da viagem; especialmente os mais caros ao coração.

Não se deve economizar em perdão e gentileza; em compreensão e solidariedade, que tornam mais fácil e agradável a viagem e unem mais os navegantes, para que enfrentem melhor as tempestades.

E deve-se aprender ao menos um pouco, com cada borrasca; para que não seja em vão o sofrimento passado. Porque o barco é o mesmo; e é preciso aprender a navegar juntos, ajudando uns aos outros. 

Um dia, com certeza, a tormenta passará.


Música:
http://ohassan.dominiotemporario.com/midis/francislai-snowfrolic.mid

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sexta-feira, 27 de março de 2020

ONTENS, HOJES E AMANHÃS


Sempre haverá um amanhã.

E, nele, o hoje de agora será apenas o ontem. E se juntará a todos os ontens que já existiram em nossas vidas; que já foram os nossos hojes e se dissolveram no tempo, quando chegaram os amanhãs.

Isto não quer dizer que apenas o amanhã importa; seria absurdo pensar assim, até porque é só no hoje, que vivemos. Mas, muitas vezes, eu vos tenho dito que do nosso hoje depende o nosso amanhã.

Assim é. Como da terra que o agricultor lavra e das sementes que planta depende a colheita que virá a ter, é também das nossas ideias e ações de hoje, que depende onde e como estaremos amanhã.

Que isso não nos intranquilize, porém. Porque nada pode ser mais reconfortante, do que saber que sempre existirá um amanhã; por mais longa e difícil que seja a noite, ela passará. E virá um novo dia.

Saibamos, portanto, contar as estrelas do céu, durante a noite; porque o seu brilho nos dará forças para seguir e alimentará os nossos sonhos, enquanto aguardamos que o sol traga de volta a luz e o calor.

É assim que transcorre a nossa vida: entre a noite e o dia; entre os ontens, os hojes e os amanhãs. Mas, enquanto o dia nos aquece e ilumina a nossa estrada, necessitamos lembrar que a noite voltará.

Para que ela jamais nos pegue de surpresa; e não traga o medo às nossas almas. Porque não é o medo que protege o viajante; mas os cuidados que ele adota, precavendo-se contra os perigos do caminho.

Cada um de nós é como um navegante, em uma longa viagem, que não pode prever as condições do tempo que durante ela encontrará; mas sabe que borrascas e calmarias virão, passarão e tornarão a vir.

Aceitemos as noites, pois a elas se seguirão novos dias; e aceitemos também as borrascas, pois depois delas virão as calmarias. Aproveitemos, porém, o tempo de paz e nos preparemos para as batalhas.

E, durante cada batalha, tiremos um minuto para respirar fundo e reviver os momentos de paz. Porque assim teremos as nossas forças renovadas, ao lembrar que, uma vez passada a luta, a paz haverá de retornar.

Enquanto a Vida existir, sempre haverá um amanhã. E o tempo sempre carregará para o ontem as nossas tristezas e as nossas dúvidas de hoje; como levará, também, as nossas alegrias e as nossas certezas.

Sempre existirá um amanhã. E, enquanto acreditarmos nesta verdade, seremos capazes de superar as noites mais escuras e os hojes mais difíceis que todos encontraremos, ao percorrer os nossos caminhos.

Que nos conduzem para a Mansão da Eternidade.


Música:
http://ohassan.dominiotemporario.com/midis/elargutierrez-elcondorpasa-em.mid


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sexta-feira, 20 de março de 2020

FOLHAS E SEMENTES



A verdade é que não temos controle sobre a Vida.


E, muitas vezes, os ventos do destino nos carregam pelos ares, sem que possamos opor qualquer resistência; somos levados, sem saber até quando voaremos, ou aonde chegaremos.


Assim pode acontecer. São eventos imprevistos; acontecimentos que não aguardávamos e nos atingem de surpresa, levando-nos a caminhos onde não estava em nossos planos passar.


Nessas horas, podemos sentir-nos desamparados. Como se de nada adiantassem os nossos esforços e os nossos planos; como se uma simples rajada de vento mudasse a nossa vida.


E isto pode, realmente, acontecer. Qualquer um de nós pode ser arrastado por um turbilhão de acontecimentos; e carregado para muito longe, antes que, novamente, reencontre o chão.


Entretanto, o vento que arrasta as folhas é o mesmo que carrega as sementes; e diferentes serão os destinos de umas e das outras, durante o resto do tempo, quando passar o turbilhão.


Porque o vento não dura para sempre. E, quando passa, podemos novamente decidir os rumos que pretendemos seguir. É a nós mesmos, que cabe escolher se seremos folhas ou sementes.  

Lembremos, então, que a folha se deixa ficar, inerte e passiva, sobre o solo; e poderá ser carregada, por todos os vendavais que a atingirem. Jamais voltará a ter controle sobre si mesma.


Com a semente, porém, é diferente. Porque ela tem a vida em si; por isto, busca um pedacinho do chão, onde possa deitar as suas raízes. E, com a chuva e o sol, fortalece-se e germina.

Assim, conosco acontece. E eu vos repito: é apenas de nós que depende se seremos como as folhas, que renunciam à luta pelo crescimento; ou como as sementes, que reiniciam a sua vida.


Porque os ventos do destino sempre serão capazes de carregar-nos, quando menos esperarmos. Mas o lavrador prepara e semeia a terra, embora saiba que do clima depende a colheita.

Como o navegante sábio traça a nova rota, uma vez passado o temporal, podemos decidir os rumos que tomaremos, ao voltar ao solo, depois de sermos carregados pelos ventos do destino.


Sensato é o homem que não procede como as folhas, que se deixam ficar sobre o chão e secam com o tempo. Àquele que assim faz, como às folhas secas acontece, um dia a vida varrerá.

Sejamos, sim, como as sementes. Porque devemos sempre buscar o nosso espaço, para que possamos crescer e reconstruir as nossas vidas; assim, cultivaremos o nosso verdadeiro Eu.  

Que florescerá nos jardins da Eternidade.

Música:
http://ohassan.dominiotemporario.com/midis/1_eddie_calvert_greenleaves_of_summer.mid

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Dedicado aos milhares de vítimas e milhões de pessoas que tiveram (e ainda terão) as suas vidas alteradas pela pandemia do Covid19.

sexta-feira, 13 de março de 2020

MOMENTOS FELIZES



Momentos existem, que se cristalizam no tempo.

Enquanto os vivemos, na maior parte das vezes nem percebemos como são especiais. E não percebemos, justamente, porque estamos muito ocupados em vivê-los; e nada mais importa.

Só quando o tempo passar, perceberemos o quanto nos marcaram; o quanto as suas lembranças permanecem em nós. Nem precisamos fechar os olhos, para reviver os seus detalhes.

Quando fala o coração, os ouvidos se ensurdecem para tudo o mais; quando nos entregamos aos sentimentos, esquecemos o mundo ao redor. Tudo que importa, está em nós mesmos.

Esses momentos felizes são eternos; porque neles nos entregamos ao nosso verdadeiro Eu. As nossas verdades afloram, nossos sonhos se realizam, nossa alma canta com o Universo.

Viver é sentir. Vida é sentimento, é emoção, é intensidade. A Vida não é um lago plácido e imutável. É como um rio: às vezes, calmo; em outras, caudaloso. Mas sempre seguindo em frente.

Felizes daqueles a quem é dado viver esses momentos! Porque são capazes de sentir, porque estão em sintonia com a Vida. E porque ninguém lhes poderá tomar essas doces lembranças.

Sim; há momentos assim. E cada um deles vale por uma vida; compensa horas de solidão, dias de desesperança, períodos de dor e descrença. Compensa, porque nos faz sentir vivos!

Porque viver é exatamente isto: estar vivo! De nada nos vale respirar e caminhar em frente, se não percebemos os aromas e as belezas do caminho; se nos limitamos a arrastar os pés.

Aprendamos a viver esses momentos! A reconhecê-los, quando surgem em nossa estrada, e a eles nos entregarmos plenamente. Não há foto que possa ter o mesmo encanto de uma recordação.

A vida é feita de momentos; como o oceano é formado por gotas, e o jardim é composto por flores e plantas. Aprendamos a aproveitar os nossos momentos e aprenderemos a viver.

Vivamos os nossos momentos felizes! Não importa se o tempo os levará, se as pessoas nos deixarão, se a felicidade não perdura. Nada dura para sempre, neste mundo em que andamos.

O que importa não é o tempo que se vive, mas como se vive; eu vos tenho dito. E, se olharmos ao nosso redor, perceberemos que esta é a verdade. De que vale uma vida longa e infeliz?

Como as palavras bem escritas são a atração de um bom livro, os momentos bem vividos compõem a sinfonia alegre de uma vida; e fazem valer a pena a jornada, curta ou longa que seja.

A vida é feita de momentos. Vivamos bem os nossos momentos! 


Música:
http://ohassan.dominiotemporario.com/midis/john_barry(somewhere_in_time).mid

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sexta-feira, 6 de março de 2020

ALEGRIAS E TRISTEZAS



É entre a chuva e o sol, que germina a semente.

Se lhe faltar uma, ou se lhe faltar o outro, não será o mesmo o seu florescer. Como também não o será, se receber demais de uma ou do outro. É o equilíbrio, que proporciona o pleno crescimento.

Assim também acontece, no solo fértil do nosso coração. É entre a chuva das lágrimas e o sol dos sorrisos, que desabrocham as sementes nele lançadas em cada uma das nossas jornadas.

É preciso que se alternem as tristezas e as alegrias, para que possa ocorrer o nosso crescimento. E é por isto que ninguém, em sã consciência, pode chorar ou sorrir todo o tempo.

Sim; é preciso que, durante cada caminhada, encontremos a tristeza e a alegria. Como alguém conheceria a luz do sol, se sempre fosse noite? Ou a beleza da lua, se sempre fosse dia?

Chuva e sol; cada um tem o seu encanto e a sua utilidade. Abençoais a garoa, que vos refresca o corpo quando escalda o calor. E agradeceis ao sol, que seca as vossas roupas molhadas.

A mesma coisa acontece com o dia e a noite. Necessitais de um, para realizardes vossos trabalhos; e da outra, para terdes o repouso. E, se é belo o amanhecer, também o é o crepúsculo.

Procurais, quase sempre, a companhia; outras vezes, porém, buscais a solidão. Enquanto uma vos diverte e faz passar o tempo, é à outra que preferis, quando sentis a necessidade de pensar.

Precisais trafegar entre os extremos, para encontrar o equilíbrio. E, se cada coisa tem o seu momento, a sua utilidade em vosso caminho, porque seria diferente, entre alegria e tristeza?

Deixai que eu vos diga: não há porque temerdes ou lamentardes os vossos momentos de tristeza; eles, decerto, virão a vós. E cada um será esquecido, quando vier a próxima alegria.

É assim que é. E a sabedoria não está em negardes a tristeza, que sempre vos ensina algo; mas em não a guardardes convosco. Deitai-a logo fora, conservando só a lição que aprendestes.

Porque, ao longo de todo este tempo, eu vos tenho dito: não há como escolherdes entre alegrias e tristezas; como, tampouco, podeis escolher entre o sol e a chuva, ou entre o dia e a noite.

Ambas, sempre,  surgirão em vosso caminho. E a verdade é que necessitais delas, para que possam germinar as sementes que trouxestes em vosso coração, para florirem nesta nova jornada.

Acostumai-vos a esta ideia: não podeis negar-vos às tristezas, sem também negar-vos às alegrias. Para que possais prosseguir em vosso aprendizado, a ambas precisareis conhecer.

Mas vos cabe escolher qual preferis que siga a vosso lado.

Música:
http://ohassan.dominiotemporario.com/midis/richardclayderman_feelings.mid

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Link para Vídeo. (LINDO!)

Quero agradecer, pela preocupação demonstrada com o post da semana passada; e dizer que, embora alegrias e tristezas realmente se alternem, eu estou muito bem, graças a Deus. Esta foto, tirada no Douro (e após um bom Vinho do Porto), tira todas as dúvidas. :).  Meu abraço, obrigado!  

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

A VELHICE E A SOLIDÃO


Eu vos tenho falado muito sobre o tempo.

E agora percebo que isto acontece, porque mais e mais o sinto pesando sobre meus ombros; branqueando os meus cabelos, dificultando os meus movimentos, trazendo-me um cansaço maior em cada dia.

Percebo que aqueles que me cercam, preocupam-se cada vez mais comigo. E sinto diminuir a sua confiança em meu discernimento; na minha capacidade de tomar as minhas próprias decisões.

É como se, ao envelhecer, eu me tornasse novamente criança e passasse a depender de alguém. E, entretanto, nada poderia estar mais longe da verdade; ao contrário, a velhice nos torna plenos.

O tempo que, um dia, cerrará de vez os nossos olhos, é o mesmo que os abre para as verdades da Vida. E, à medida que diminuem as faculdades que pertencem ao corpo, aumentam as percepções da alma.

De nada adiantaria, porém, repetir estas coisas aos ouvidos dos mais jovens. A verdade é que ninguém entende além do que conhece; e a juventude não pode entender a velhice, senão quando chega a ela.

Prefiro, pois, calar-me. Esta é uma das coisas que a idade nos ensina: de nada vale alimentar discussões inúteis. Quem acredita em algo, não precisa convencer ninguém; é melhor ter paz, do que estar certo.

Calo-me; e prefiro falar-vos sobre o tempo. Cultivo as minhas emoções, vivo o tempo que ainda me resta. E tento, tanto quanto me é possível, entender-vos; até para que não me torne um estranho entre vós.

Porque a cruel realidade é que vivemos no mundo das durações limitadas; das percepções do corpo e suas aparências. E, para aqueles que viverem o suficiente, dia virá em que se tornarão invisíveis.

Sei que isto acontecerá comigo, como já aconteceu a tantos outros; a menos que a minha jornada se finde numa próxima curva. Mas, invisível ou não, procurarei trazer-vos sempre as minhas palavras.

Enquanto aqui estiver, eu vos falarei. A voz em mim não se pode calar; e nem sei se é realmente minha, ou de alguém que conheci em outra jornada. Trazer-vos o que aprendi; creio que esta é a minha missão.

E, por isto, cada vez mais cultivarei a minha solidão; porque é nela que melhor consigo ouvir as vossas palavras. É quando me calo e reprimo o que poderia dizer-vos, que mais à vontade me falais.

Deixai que eu vos ouça. E, se dia vier em que não me julgueis digno de contar-me as vossas considerações sobre meus erros de velho, ainda assim vos ouvirei. A vossa reprovação soa clara à minha alma.

A cada dia, mais velho me sinto. E é por isto que tanto vos falo do tempo: para que possais perceber que, também para vós, ele passará. E deveis ver os velhos de modo diferente, pois um dia o sereis. 

A cada dia, mais velho me sinto; e procuro bastar a mim mesmo. Cada vez mais, me conformo em cultivar a minha solidão; porque é assim que conseguirei seguir em frente, enquanto me couber caminhar.

E talvez possa ajudar-vos, com a vossa velhice e a vossa solidão.

Música:
http://ohassan.dominiotemporario.com/marco/1_instrumentais_andre_rieu_my_way.mid

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