O Árabe

Idéias, sentimentos, emoções. Oásis que nos ajudam a atravessar os trechos desérticos da vida...

sexta-feira, 16 de março de 2012

PORQUE EU TE AMO

Um dia, podes deixar de me amar.

Pois o sonho não dura para sempre; como a neblina não resiste ao sol do meio dia e a penumbra suave da noite se dissipa aos primeiros clarões da alvorada.

Um dia, talvez as nossas mãos se separem; talvez os nossos lábios não mais se encontrem, os nossos corpos não mais se pertençam e as emoções do amor não mais existam entre nós.

Um dia, talvez eu não exista sequer em tua memória; ou seja apenas uma vaga lembrança de um tempo que se foi. De um sonho que deixaste no passado.

Talvez que então as nossas horas de loucura nada signifiquem para ti; que os nossos momentos de carinho te provoquem enfado e as nossas juras te soem vazias.

Saberei entender que assim deve ser, para que possas seguir a tua jornada. Porque cada um tem o seu próprio caminho, e nem sempre podemos seguir de braços dados.

Conseguirei sorrir, ao ver a tua alegria. E jamais te pedirei para que voltes, pois não seria justo atrelar um grilhão aos teus pés, depois que o teu amor dotou de asas a minha alma.

Esconderei a minha saudade de nós dois, na lembrança de que um dia fomos um só coração; vencerei o desejo do teu corpo, que assombrará os meus dias vazios sem ti.

Deixa-me dizer-te agora, entretanto, que sempre estarás em mim. Ainda que caia o pano sobre nós, deixar-me-ei ficar nos bastidores, revivendo cada cena da nossa história.

Então, o palco escuro se iluminará com o brilho dos teus olhos; o silêncio será preenchido pelo som alegre do teu riso, e a tua imagem bailará na minha lembrança.

Deixa-me dizer-te agora que, ainda que me deixes, jamais sairás de minha alma. Como o aroma suave se impregna no ambiente que tantas vezes perfumou no passado.

Porque a verdade é que estás em mim. Como se fosses parte do meu sangue; como se eu respirasse o teu ar, bebesse o teu sorriso e enxergasse pelos teus olhos.

Sim; um dia, podes deixar de me amar.

E nada me caberá fazer, senão observar-te à distância, para tornar o mais fácil que puder o teu caminho. Para que possa estar presente, se necessitares de mim.

Porque eu te amo.

sexta-feira, 9 de março de 2012

O VOSSO ENCANTO


Pessoas existem que de joelhos atravessam a vida.

Estas não conseguem construir o seu espaço, nem traçar o seu próprio caminho, nem fitar nos olhos os seus irmãos. Porque se comportam como se a eles fossem inferiores.

E pessoas existem que às outras se julgam superiores. Isoladas pelo muro da presunção, deixam de adquirir novos conhecimentos; e é na solidão que percorrem os seus caminhos.

Eu vos digo, porém, que a ninguém sois superiores ou inferiores. Porque, como o pai não faz distinção entre todos os seus filhos, cada um de vós é igualmente precioso para o Universo.

Cuidai-vos, para que em nenhum destes extremos estejais. Pois o homem que olha apenas para cima e suspira pelas montanhas será, talvez, vítima da cobra que rasteja.

E aquele que no chão mantém fixos os seus olhos, arrisca-se decerto ao ataque do gavião faminto, que do céu esquadrinha a terra em busca da presa desatenta.

Sensato é o homem que olha em todas as direções. Que não se julga perfeito, mas busca corrigir os seus defeitos; que defende as suas conviccões, mas aceita novos pensamentos.

A ninguém cabe o monopólio da verdade e ninguém pode estar errado todo o tempo. Deveis, portanto, ouvir de boa-fé os vossos irmãos e expor as vossas ideias.

Porque a sabedoria não é como o pântano estagnado, mas como o grande rio que corre sempre. E cada nova ideia, como cada novo afluente, vem aumentar as suas águas.

Cada um de vós tem a sua própria beleza, o seu próprio encanto, único no mundo. Que pode estar no sorriso, no brilho do olhar, na maciez dos cabelos ou no jeito de falar.

E ainda que nem todos percebam esse encanto, um dia alguém o encontrará em vós. E esse alguém haverá de amar-vos, porque foi capaz de descobrir a vossa essência.

Acreditai, portanto, em vós; porque o pássaro não voaria, se não se arriscasse a bater as suas asas. Nem o lavrador colheria o alimento, se na terra não lançasse a semente.

Respeitai, porém os vossos limites; conhecei a vossa grandeza, mas reconhecei a vossa pequenez. Pois cada um de vós não é um leão entre os insetos.

Mas um irmão entre os seus irmãos.

sexta-feira, 2 de março de 2012

ASSIM É O AMOR

O amor não nos pertence.

Como acontece com a felicidade, ele apenas nos visita. E, enquanto se hospeda em nossa alma, faz mais colorido o dia, mais acolhedora a noite e mais belas as notas da canção.

O amor nos traz a Vida. E bem-aventurado é aquele que o conhece, ainda que por apenas um dia e uma noite; porque voará com as asas do sonho e conhecerá um novo mundo.

Como o templo adornado pelas mais viçosas flores, é o coração onde habita o amor. E o seu altar sagrado é o corpo amado, onde o amante encontra a celebração do Universo.

Sim. E o amor é puro como a alegria da criança, a nuvem branca no céu e o regato cristalino, que entre as pedras inóspitas da montanha faz ouvir a sua canção de esperança.

Comparais o amor à rosa; e eu vos digo que é afortunada a analogia. Porque, se como a rosa o amor é belo e de pétalas macias, como a rosa guarda também os seus espinhos.

É assim que é. E, se ao prático assusta a ameaça dos espinhos, apenas a beleza da rosa importa ao sonhador; e um e outro estão certos, ao temer os seus efeitos e cantar os seus encantos.

No manto encantado do amor, cintilam como estrelas as nossas mais belas ilusões; entretanto, é também nas suas dobras que se ocultam os mais amargos desencantos.

Na sua voz vibram as mais sedutoras promessas, que nos fazem enxergar um futuro de harmonia e felicidade. No seu rastro, todavia, nada se pode ver além da saudade.

Necessitais atender ao seu chamado, porém. Porque é preciso conhecer o amor, para conhecer a si mesmo; para descobrir a magia da companhia e o tormento do ciúme.

Assim é o amor. E se faz presente no primeiro vagido do bebê, nos passos inseguros do infante ou no derradeiro suspiro daquele que bem soube viver o seu tempo.

Assim é o amor. Que se encontra no primeiro olhar, nutre-se do primeiro toque e no primeiro beijo descobre um infinito mar de sensações, que no orgasmo atingem a plenitude.

Assim é o amor. A porta pela qual chegamos a este planeta, a estrada que percorremos para o crescimento, a nossa maior motivação para seguir em frente dia após dia.

Assim é o amor. Que não nos pertence, mas está em nós.

Como a eternidade.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

MANDAMENTOS DO CAMINHO

Fazei bem o vosso trabalho.

E o sucesso virá em consequência. Como a onda se segue ao vento, a semente germina quando plantada em solo fértil e a boa palavra lança raízes no coração generoso.

Confiai na vossa Fé.

E jamais conhecereis a desesperança. A cada sonho que se vai, outro haverá de brotar na alma que acredita; como na planta se sucedem as flores, durante toda a primavera.

Acreditai em vós mesmos.

E o desânimo não vos visitará; trabalho algum vos parecerá impossível, e tudo sereis capazes de realizar. Porque o homem chegará aonde a imaginação o conduza.

Vivei os vossos amores.

E não temereis a solidão. Porque para aquele que ama não existe o medo, nem a ausência do ser amado, que em seu coração permanece mesmo quando os separa a distância.

Praticai a caridade.

E a ninguém faltará o pão, nem o abrigo. Porque o bom exemplo se espalha e a generosidade frutifica; quando aprenderes a dividir, entre vós a solidariedade se multiplicará.

Espalhai o vosso conhecimento.

Porque aquele que bem alto carrega a sua lâmpada não ilumina apenas o próprio caminho, mas o de todos que o cercam. E quando o lume lhe faltar, alguém por sua vez o iluminará.

Vigiai as vossas palavras.

Pois se é nas suas asas que viaja o entendimento, nelas também se podem ocultar a ofensa e a discórdia. E o fogo, que prepara a terra para o plantio, também a pode calcinar.

Respeitai os vossos irmãos.

Pois ninguém semeia humilhações, se respeito pretende colher. E a queda é tão mais dolorosa, quanto mais alto acredite o homem se haver elevado acima dos seus semelhantes.

Buscai, sempre, a Voz do Universo.

Que se faz ouvir em vosso verdadeiro Eu.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A CANÇÃO DA HUMILDADE

Cultivai a humildade.

Pois, embora o trovão ressoe pelos ares, é a chuva que faz transbordar os rios e ensopa a terra, para que dela possam brotar os frutos que alimentam e as flores que perfumam.

Ninguém será verdadeiramente grande, enquanto precisar louvar a si mesmo. Porque a luz não ilumina a sua fonte, mas dispersa a escuridão que existia ao seu redor.

A verdadeira capacidade não está em promover os próprios atos, mas em edificar obras que atravessem os anos. É através das suas realizações, que o homem sobrevive ao tempo.

Cada homem tem o tamanho do seu conhecimento, o ardor das suas paixões e a serenidade da sua alma. E vencerá todas as distâncias, para chegar aonde o levem os seus sonhos.

Na humildade, está o reconhecimento do próprio valor; e com ele o início da paz. Porque aquele que conhece a si mesmo nada necessitará provar, a quem quer que seja.

Afastai de vós o orgulho desmedido, que não vos levará à grandeza, mas ao ridículo. Foi por acreditar-se capaz de alcançar o céu, que Ícaro conheceu a agonia da queda.

Sábio é o homem que, como o bambu, dobra-se perante a tempestade e após ela se reergue mais forte, enquanto a árvore orgulhosa é abatida e perece sobre o chão.

Eu vos tenho dito, e repito, que a presunção e a ignorância andam sempre de mãos dadas. Ao cultivar a humildade, perdereis o medo de errar e novamente sereis capazes de aprender.

Pois o erro faz parte do aprendizado; como o tropeço é inevitável durante os primeiros passos, a saudade permeia a ausência e a esperança está presente em todo caso de amor.

Cultivai, portanto, a humildade; cuidai, todavia, para que em subserviência não se torne. Ou sereis como o eco, que não faz ouvir a própria voz, e apenas repete palavras de outrem.

E ninguém existe, que seja superior aos seus irmãos; como nenhuma folha é mais importante para a árvore, e nenhuma gota é mais essencial que as outras, para o mar.

Esta é a verdade. E, ao reconhecê-la, não vos tornareis menores do que sois; nem renunciareis ao papel que vos cabe, nem estareis diminuindo a vossa importância para o Universo.

Mas iniciando a caminhada, para que em vós O possais descobrir.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

OS VOSSOS SONHOS E A VOSSA REALIDADE


Mais uma vez, me perguntais sobre os vossos sonhos.


E eu vos repito que necessitais das suas cores, para que cinza não se torne a vossa realidade. E por isto cada homem tem uma maneira própria de lidar com os seus sonhos.


Pois existem aqueles que ao sonho se escravizam, e em sua busca empregam todo o seu tempo. E, como se cegos estivessem, nada veem senão a insensata procura.


A estes, nada poderá satisfazer; porque se perdem na imaginação, e nada existe que possa ser perfeito como um sonho. A realidade impõe sempre as suas limitações.


E existem aqueles que renunciam aos seus sonhos, por temerem a desilusão. E para estes a vida é apenas uma sucessão de dias iguais, até que termine a jornada.


Sensato é o homem que se permite repousar nos seus sonhos, e trabalhar na sua realidade. Porque o sonho é o começo da obra, e o trabalho é a ferramenta para construí-la.


Sensato é o homem que se deleita com a beleza da lua, refletida nas águas prateadas do mar tranquilo; louco seria aquele que ali a buscasse, como se no mar a pudesse encontrar.


Certo é que deveis manter no chão os vossos pés, para que uma queda não venha a magoar-vos. E, todavia, jamais conhecereis a felicidade, se às nuvens não se elevarem as vossas almas.


Necessitais, portanto, dividir-vos entre a realidade e o sonho. E o deveis fazer com sabedoria, para que escassos não se tornem os vossos sorrisos, nem abundantes sejam as vossas lágrimas.


Pois o lavrador que semeia o trigo sabe que dia virá em que será forçado a cortá-lo; e, entretanto, não se furta a desfrutar da sua cor dourada ao sol, nem da canção do vento em suas folhas.


Curto é o tempo de cada jornada sobre a terra. E se esta verdade mantiverdes presente, sabereis que nada tereis para sempre, senão o que puderdes carregar em vosso verdadeiro Eu.


Como nada possuís em cada jornada, senão o que através da matéria vos seja dado adquirir; e a todos estes bens devereis aqui deixar, quando convocados fordes para a grande viagem.


Os sonhos, como os sentimentos, não vos pertencem; apenas aquecem as vossas horas, alegrando os vossos corações. E é preciso que assim seja, para que nas suas asas possam viajar as vossas almas.


Enquanto os vossos pés repousam das pedras do caminho.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A SEGURANÇA DE APENAS VIVER



Buscais a segurança.

E não percebeis que dela não necessitais. Nada vos pode ameaçar, porque a parte mais verdadeira de vós escapa ao tempo e vive na mansão do amanhã.

Porque vos pertence a Eternidade.

Deixai-me dizer-vos, entretanto, que jamais encontrareis a segurança, enquanto os vossos pés caminharem sobre a terra. Como não a encontra o marinheiro, enquanto o seu barco cruza o mar.


E como não a encontra o pássaro, quando as suas asas o afastam do ninho. Porque ao nascerdes, é como se o vosso barco se fizesse ao mar; ou as vossas asas se abrissem para um novo voo.


Buscais a segurança para os vossos corpos, para os vossos bens e para os vossos amores. E não a conseguireis encontrar, pois ninguém possui senão o que está dentro de si mesmo.


É assim que é. E nem o mais poderoso dos reis poderá sentir-se seguro em seu castelo; e nem o mais rico dos homens poderá sentir-se seguro, em meio aos tesouros que tenha amealhado.


Porque também para eles existem os imprevistos. E nem o mais forte dos castelos, nem a maior das riquezas, poderão impedir que os visite a fatalidade, se este for o seu destino.


Mostrai-me o mais belo e amado dos homens, ou a mais linda e desejada das mulheres; e eu vos direi que nenhum deles poderá estar seguro quanto aos seus amores.


Porque o amor não é como um lago plácido, mas como o mar agitado pelas ondas, aos ventos inconstantes dos vossos humores; e não é uma conquista, mas um cultivo de todos os dias.

Mais uma vez, me maravilham os vossos contrastes. Porque vos deixais cegar pelos vossos desejos, e no afã de satisfazê-los não vedes que a todos eles já atende o Universo.



Buscais encontrar Deus. E tanto vos perdeis nos dogmas religiosos, que não conseguis perceber a Sua presença em vosso próprio íntimo; ou nos incontáveis milagres que ocorrem ao vosso redor.


Buscais a felicidade. E, na ânsia de encontrá-la e no temor de perdê-la, não desfrutais plenamente dos maravilhosos instantes em que ela caminha a vosso lado e vos preenche o coração.


Buscais a vida eterna. E tanto o medo da morte vos ofusca, que não sois capazes de perceber que a Vida não está nos vossos corpos, nem nos vossos bens, nem nos vossos amores.


Mas no Universo que vos cerca. E existe em cada um de vós.