AS VERDADES
Cada
um de vós tem as suas próprias verdades.
E
as defende, como se outras não pudessem existir. Como se cada estrela não
tivesse o seu próprio brilho e, juntas, não iluminassem o céu.
Isso
acontece, porque não percebeis que a vossa verdade é apenas uma estrela a mais;
no vosso orgulho, julgais que ela seja o sol. E vos espanta que os outros não
enxerguem o seu brilho soberano.
Abandonai
o vosso orgulho!
Pois,
assim como a espuma disfarça a força das ondas, o orgulho do que julgais ser
vos impede de serdes tudo o que podeis ser.
Eis
que nascestes para crescer.
Se,
entretanto, vos acreditais maiores do que sois, limitais o vosso crescimento. E
dia virá em que tão grandes vos julgareis, que não mais sereis capazes de
crescer.
Aprendei
a ouvir as verdades alheias.
E,
ainda que não as aceiteis, ao menos meditai sobre elas. Entendei que, assim
como uma única nuvem não pode ocupar todo o céu, não podem as vossas verdades
compor toda a Verdade maior.
Por
isto, não busqueis impor os vossos pensamentos. Se o fizerdes, os vossos irmãos
vos esconderão os seus próprios pensamentos; e vos será negado o que poderíeis
aprender.
Lembrai-vos
que as ondas se atiram sobre a praia, e a areia não reage. Entretanto, as ondas
passam e a areia permanece.
Não
vocifereis as vossas verdades.
Dizei-as,
apenas; e deixai que cada um medite sobre elas. Pois, se o clamor de um brado
dura apenas um momento, a voz calma da razão se eterniza em quem a ouve.
Não
é gritando, que vos fareis ouvir; assim, apenas conseguireis que os outros se
calem. E este não será o silêncio da aceitação, mas o prenúncio da revolta.
Deveis
prezar as vossas verdades.
E
lembrar-vos que cada um preza as suas próprias verdades, e não as trocará pelas
vossas. Será, entretanto, capaz de ouvi-las e pensar sobre elas, se as
souberdes enunciar; se nas vossas palavras não houver o estrépito da paixão,
mas a profundidade da razão.
Recordai,
ainda, que a cada um assiste o mesmo direito.
E,
àquele que se recusa a ouvir, não cabe o direito de falar; como, a quem se recusa
a aprender, não assiste o direito de ensinar.
Disponde-vos,
portanto, a ouvir as verdades alheias; e a respeitá-las, sem temer que diminuam
as vossas próprias verdades.
Juntas,
as cores formam a beleza do arco-íris.
E
as ondas a imensidão do oceano.
Assim como as vossas verdades são partes da Verdade maior...
Do meu livro Hassan, disponível na Amazon.



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