O AMANHÃ
- Quantos anos
tens?
Eu não saberia responder,
se me fizésseis esta pergunta. Poderia, talvez, dizer-vos a minha idade;
porém, não tenho mais esses anos: já se foram e hoje só fazem parte do passado.
Em verdade, os
anos que ainda temos são os que estão no futuro; e não nos é dado saber quantos
serão. Entretanto, uma coisa é certa: o número diminui, a cada ano que passa.
Talvez – quem sabe?
– nem chegue a um ano. Esta é uma incógnita da qual nunca lembramos, quando nos
desejamos “Feliz Ano Novo!”; mas devemos ter presente em cada dia.
Pois, quando admitimos
que haverá a partida, aproveitamos melhor a estada. Não ligaremos tanto aos
detalhes que nos aborrecem; atentaremos mais àqueles que nos são agradáveis.
Detalhes sempre
existirão; de um tipo e do outro. E não são eles que nos fazem infelizes ou
felizes, mas as nossas reações a eles. A casa não depende do tijolo, mas de
como é assentado.
Recordai,
portanto, que percalços são comuns, em qualquer viagem; e a Vida é a mais
maravilhosa das viagens. Relevai, pois, os incômodos; aproveitai a beleza das
paisagens que vedes.
Assim como
fazeis, em qualquer das vossas viagens, para que delas possais desfrutar. Lembrai-vos
de que à Casa retornareis; e guardai boas experiências de cada jornada que
fazeis.
Este é o ponto;
não importa a quantidade de anos que passamos na Terra; mas o quanto vivemos,
durante eles. O principal não é o tamanho da árvore, mas o sabor dos frutos que
brotam.
São eles, que
adoçam a vossa boca; ou nela depositam um travo amargo, de colheita malsucedida.
E bem sabeis que a colheita não depende senão do que semeais e de como cuidais.
Não vos
preocupeis com a idade que tendes; ou os anos que vos restam. Nos que já
passaram, nada podeis mudar; nos que virão, devem estar vossas esperanças e
vosso cuidado.
Podeis
acreditar que, sejam quantos forem, serão suficientes; e, se não forem, outras
viagens virão. O trigo não está pronto, senão quando amadurece; por isso, as searas e colheitas se sucedem.
Não importam as
vossas certezas e dúvidas: as coisas são como são e não vos assiste o poder de mudá-las;
só quando chegardes ao futuro, descobrireis como ele será e o que acontecerá.
Cuidai só de
viver bem o vosso presente. Vivei cada dia como se fosse o último; mas nada façais
que vos possa envergonhar, se não o for. Assim, sempre podereis acreditar no
amanhã.
E tereis todos
os vossos anos.



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