ALTERNÂNCIAS
Sim: as despedidas são tristes.
Lembrai-vos,
porém, de que a vida é feita de alternâncias. Assim, a tristeza da separação
apenas antecede a alegria do reencontro; como o amargor da solidão melhor vos faz
sentir a doçura da companhia.
O tempo é a gangorra
em que viveis. Às vezes, ele vos leva às alturas: sentis o vento em vossos
cabelos e caminhais entre as estrelas; de outras vezes vos leva rente ao chão, próximo
à lama e aos vermes.
Por isto, não
vos deixeis arrebatar por vossas vitórias: as glórias são passageiras.
Tampouco, deveis permitir que derrotas vos abatam; umas e outras encontrareis e
ambas vos ensinam sobre a vida.
Viver é
experimentar. É passar por alegrias e tristezas, e de cada uma extrair o
aprendizado que necessitais, para ascender ao Conhecimento; outra não é a finalidade
de qualquer das vossas jornadas.
Vida é
alternância; isto é algo que precisais aprender, para que vos seja dado
entender cada uma de suas fases. Olhai ao redor: ao sol sucede-se a lua; um dia, a flor está no galho; em outro, caída ao chão.
E, num terceiro
dia, novamente a planta está florida; como se nada houvesse acontecido antes. O
sol e a chuva se revezam, para fazer brotar as sementes; e, quando se encontram
produzem o belo arco-íris.
Um dia é o
amor; no outro, a saudade. Uma hora o sorriso, em outra as lágrimas; um e
outras têm as suas causas e o seu próprio brilho. O que seria de vós, dizei-me,
acaso não aprendêsseis a sorrir e a chorar?
Em um instante,
nasceis; no outro ireis morrer. É impossível que isto não vos diga algo sobre a
vida; que continueis a acreditar-vos eternos, a lutar por posses que deixareis
aqui, no dia em que vos fordes.
Crede-me: a vida
é a véspera da morte; e talvez esta não seja mais do que o preâmbulo de uma
nova vida. A morte é apenas mais uma porta que atravessareis; uma nova parte do
ciclo da vida.
Alternâncias,
lembrai-vos? Amor e ódio, simpatias e antipatias, afeto e aversão, orgulho e
humildade. A todo instante as alternâncias surgem em vosso caminho, a
lembrar-vos que nada é eterno, embora pareça.
Aprendei esta
lição, e um grande passo tereis dado. Recordai que o esterco ajuda as flores a serem
mais belas e mais perfumadas; e ao esterco elas voltarão, no dia em que o seu
tempo se esgotar.
Vede: a chuva cai
sobre a terra e volta à nuvem de onde saiu; é quase como a lenda da fênix, que
renasce das próprias cinzas. Mas, no tempo em que esteve ausente, fertilizou o
solo; contribuiu para a vida.
Este é o grande
segredo: nada é eterno; e, entretanto, cada instante o é para vós, enquanto se
passa. O amanhã não existe no hoje, porém toma o seu lugar assim que ele se vai;
um apenas se torna o outro.
Alternâncias. Tudo que existe são paradas da vida.



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