A LIBERDADE E O MEDO
Desejais
alcançar a liberdade?
Se assim for,
talvez possa ajudar-vos a encontrar o caminho; embora eu mesmo seja incapaz de atingi-la.
Porque há pessoas que apenas podem enxergar o rumo e outras que realizam a
jornada.
E a idade, que
nos concede a sabedoria da experiência, é a mesma que limita os nossos
movimentos e as nossas possibilidades. Talvez para nos ensinar a realidade dos
limites que todos temos.
Deixai,
portanto, que somente vos fale do que descobri; é o que já faço há alguns anos.
E, se vos ajudarem as minhas palavras, saberei que não foram desperdiçadas; usei
bem o meu tempo.
Se me quiserdes
ouvir, primeiro vos lembrarei que não estais presos a este mundo: um dia,
certamente, o deixareis; e, com ele, deixareis não apenas tudo, mas também a
todos que aqui existem.
Não há,
portanto, porque vos sentirdes presos a algo, ou alguém; ligados, sim. Amai com
intensidade; desfrutai da companhia daqueles que estão a vosso lado e de tudo
que surja em vosso caminho.
Porque não é
sábio o homem que, encontrando uma frondosa árvore, não se deixe ficar à sua
sombra; ou prove o doce sabor de seus frutos. Nem o que não aproveite um córrego, para refrescar-se.
Insensato,
porém, seria aquele que se julgasse dono da árvore ou do córrego. E, em vez de
sentir-se feliz por encontrá-los, se deixasse levar pela angústia de ser o seu
dono e assegurar a sua posse.
Então, viria o
medo de perdê-los. E o medo é o caminho mais rápido e seguro para renunciardes
à liberdade; ninguém pode ser livre, se permite que as raízes do medo se firmem
em seu coração.
O medo, em
qualquer das suas formas, é o maior dos vossos grilhões; o único capaz de
aprisionar o vosso verdadeiro Eu, que livre como o vento foi criado pelo
Coração do Universo; é livres que sois.
E tanto assim
é, que nada daqui podeis levar; nem para cá trazer. Assimilai esta verdade e
ficará claro que nada vos pertence, senão a vossa própria essência; e ela é
tudo de que poderíeis necessitar.
Porque em cada
um de vós existe uma centelha do Infinito; é ela que vos conecta a tudo que
existe, inclusive o que vosso corpo não vê, não ouve e não cheira, pois não tem
existência material no mundo.
Refleti, por um
instante: a tristeza e a alegria, a dor da saudade e a felicidade do reencontro;
a beleza e o encanto que ela vos traz e vos atingem diretamente a alma. O amor e
todas as emoções que sentis.
Músicas,
cenários, pessoas queridas; como explicar os sentimentos que vos provocam? Como
explicar lembranças que não vos deixam, embora pareçam ter ficado no passado? Esperanças
que não morrem?
Entendei esta
verdade, que todos os dias o Universo vos mostra: a Vida continua; e, embora
nada vos pertença, sempre tereis tudo de que necessitais. Não há razão, portanto,
para acalentardes medos.
E, ao vencer os vossos medos, encontrareis a liberdade.




0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial