O Árabe

Idéias, sentimentos, emoções. Oásis que nos ajudam a atravessar os trechos desérticos da vida...

sexta-feira, 22 de maio de 2026

A LIBERDADE E O MEDO

 


Desejais alcançar a liberdade?

Se assim for, talvez possa ajudar-vos a encontrar o caminho; embora eu mesmo seja incapaz de atingi-la. Porque há pessoas que apenas podem enxergar o rumo e outras que realizam a jornada.

E a idade, que nos concede a sabedoria da experiência, é a mesma que limita os nossos movimentos e as nossas possibilidades. Talvez para nos ensinar a realidade dos limites que todos temos.

Deixai, portanto, que somente vos fale do que descobri; é o que já faço há alguns anos. E, se vos ajudarem as minhas palavras, saberei que não foram desperdiçadas; usei bem o meu tempo.

Se me quiserdes ouvir, primeiro vos lembrarei que não estais presos a este mundo: um dia, certamente, o deixareis; e, com ele, deixareis não apenas tudo, mas também a todos que aqui existem.

Não há, portanto, porque vos sentirdes presos a algo, ou alguém; ligados, sim. Amai com intensidade; desfrutai da companhia daqueles que estão a vosso lado e de tudo que surja em vosso caminho.

Porque não é sábio o homem que, encontrando uma frondosa árvore, não se deixe ficar à sua sombra; ou prove o doce sabor de seus frutos. Nem o que não aproveite um córrego, para refrescar-se.

Insensato, porém, seria aquele que se julgasse dono da árvore ou do córrego. E, em vez de sentir-se feliz por encontrá-los, se deixasse levar pela angústia de ser o seu dono e assegurar a sua posse.

Então, viria o medo de perdê-los. E o medo é o caminho mais rápido e seguro para renunciardes à liberdade; ninguém pode ser livre, se permite que as raízes do medo se firmem em seu coração.

O medo, em qualquer das suas formas, é o maior dos vossos grilhões; o único capaz de aprisionar o vosso verdadeiro Eu, que livre como o vento foi criado pelo Coração do Universo; é livres que sois.

E tanto assim é, que nada daqui podeis levar; nem para cá trazer. Assimilai esta verdade e ficará claro que nada vos pertence, senão a vossa própria essência; e ela é tudo de que poderíeis necessitar.

Porque em cada um de vós existe uma centelha do Infinito; é ela que vos conecta a tudo que existe, inclusive o que vosso corpo não vê, não ouve e não cheira, pois não tem existência material no mundo.

Refleti, por um instante: a tristeza e a alegria, a dor da saudade e a felicidade do reencontro; a beleza e o encanto que ela vos traz e vos atingem diretamente a alma. O amor e todas as emoções que sentis.

Músicas, cenários, pessoas queridas; como explicar os sentimentos que vos provocam? Como explicar lembranças que não vos deixam, embora pareçam ter ficado no passado? Esperanças que não morrem?

Entendei esta verdade, que todos os dias o Universo vos mostra: a Vida continua; e, embora nada vos pertença, sempre tereis tudo de que necessitais. Não há razão, portanto, para acalentardes medos.

E, ao vencer os vossos medos, encontrareis a liberdade.

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