O Árabe

Idéias, sentimentos, emoções. Oásis que nos ajudam a atravessar os trechos desérticos da vida...

sexta-feira, 29 de maio de 2026

O ORGULHO E A RAZÃO

 


Todos os dias, busco exercitar a tolerância.

Porque optei por ser feliz, o máximo que me for possível; afinal, nunca sabemos o tempo que nos resta. E, se assim é, não me parece sensato desperdiçar qualquer minuto em zanga ou inquietude.

A paz, acredito, é o primeiro passo na caminhada para a felicidade. E, talvez, o mais difícil; como, aliás, todo início de jornada. Uma vez que estejamos em paz, a felicidade virá ao nosso encontro.

Mas não encontraremos a paz, se não renunciarmos a nossos medos e nosso orgulho. São eles que nos colocam em constantes conflitos, seja por insegurança ou pelo desejo de estarmos sempre certos.

Isto, posso afiançar-vos que já superei. Se ainda não consegui livrar-me dos medos, ao menos já abandonei grande parte da presunção, que por muito tempo conseguiu nublar a visão da minha alma.

Os acertos e erros, ao longo de todos estes anos, me ensinaram que ninguém pode estar sempre certo, ou errado; todos variamos, entre uns e outros. E é inteligente considerar várias alternativas.

Aprendi, portanto, a não fazer questão de ter sempre a última palavra; a concordar ou, ao menos, não entrar em discussões inúteis, que apenas roubam a paz e não levam a qualquer resultado.

Ao aceitar esta verdade, aprendi também que de nada me serve ser visto como “o que está sempre certo”, colecionando inimizades e atraindo inveja. Melhor ser o que sempre ri e oferta a boa palavra.

A árvore generosa é estimada, por oferecer a sombra e os frutos, enquanto todos evitam o arbusto espinhoso, que nada distribui senão a dor de seus espinhos. E ninguém pode dar, além do que possui.

Eu vos tenho dito: não precisamos renunciar às nossas opiniões; isto é algo que podemos fazer, caso argumentos outros nos convençam. Mas também não necessitamos impô-las; elas são nossas.

Guardemo-las, pois. Acredito que, neste ponto, opiniões são como vestes: nem sempre, as que assentam em nós ficam bem em outras pessoas; cada um tem o direito de escolher as suas, e usá-las.

Assim como roupas dependem das características físicas, opiniões dependem de ideias e convicções. Por isso, são tão individuais; e merecem respeito, mesmo quando forem diferentes das nossas.

A cada dia, esforço-me para que esta convicção mais se enraíze em mim, até que se torne um hábito, tão constante que seja imperceptível: nada temos a ganhar, insistindo em ser donos da razão.    

A Razão não se impõe com gritos ou insistência, mas pela verdade e pela lógica; e quem a traz pela mão é o Tempo. Aquele que se esforça para convencer os outros, no fundo quer convencer a si mesmo.

Mais sábio, portanto, é cultivar a tolerância.

Vídeo

Tá bombando na internet. E é algo que nunca devemos esquecer.

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