O Árabe

Idéias, sentimentos, emoções. Oásis que nos ajudam a atravessar os trechos desérticos da vida...

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

GOTAS DE VIDA

 


Aprendi a beber a vida, gota a gota.

E a minha gratidão é imensa. Porque muitos foram os anos em que apenas passei pela vida, sem perceber a dádiva de cada minuto; sem sentir plenamente a felicidade ou a tristeza.

Sem desfrutar da carícia de um raio de sol em meu rosto, ou da brisa em meus cabelos. Sem apreciar o encanto de um botão a tornar-se flor, ou a alegria de um sorriso de criança.

Sem sentir a transição do crepúsculo. Sem apreciar o cone de prata que a lua desenha sobre o mar; ou as estrelas, que brilham como diamantes, no veludo negro do céu sem luar.

Sim: vivia sem notar as belezas que o mundo e a vida nos oferecem. Como, aliás, vive a maioria das pessoas. De tal forma nos absorve a sobrevivência, que esquecemos de viver.

Dedicamos a maior fatia do nosso tempo à busca do sustento e da satisfação de nossas vontades; e, do que sobra, ainda gastamos grande parte no que chamamos “passatempos”.

E não o deveríamos fazer. Porque o tempo é o nosso maior tesouro; o único capital que não podemos repor. O nosso verdadeiro Eu tem a eternidade, mas só uma vez seremos “nós”.

Por isto, em toda jornada é tão importante beber cada gota de vida. Aproveitar cada minuto para ser feliz; para sentir plenamente a dádiva de viver, a alegria de ser e estar neste mundo.

Sou grato, por aprender esta verdade: de nada vale desperdiçar um instante sequer, com as contrariedades que possam sobrevir; as pequenas questões que surgem em nosso caminho.

De nada vale temer a vida ou o futuro. O medo é o mais pesado dos grilhões: não tolhe apenas os nossos passos, mas também a nossa alma; e só cada homem o pode colocar em si próprio.        

Sou-te grato, porque isto me ensinaste. Faço da tua coragem o meu exemplo; da tua beleza e do teu carinho, meus motivos para seguir em frente. Tenho a certeza de que não caminho só.

Juntos, bebemos cada gota de vida; amamos, sorrimos ou choramos juntos. Somos felizes ou ficamos tristes, conforme os fatos que nos traz o destino; mas, sobretudo, caminhamos juntos.

E isto faz toda a diferença: a existência de um amor que sustenta, de um braço que apoia. A minha alegria se nutre da tua alegria, a minha esperança provém das tuas esperanças.

Contigo, aprendi. Enquanto avançam os anos e o branco se espalha por meus cabelos, o conhecimento cresce em minha alma; a cada dia, mais percebo o valor de cada momento.

E bebo, agradecido, cada gota de vida.

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Bolerão, bem do meu tempo! :)

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

PARABÉNS, AMOR!

 


Dizeis buscar o amor.

Tendes, porém, a certeza de que o fazeis? Porque, na maior parte do tempo, eu vos vejo buscando a satisfação dos vossos desejos, a sensação de segurança que jamais conseguireis alcançar.

E o amor, hoje eu sei, é exatamente o contrário: é a alegria de satisfazer os desejos de alguém; de proporcionar segurança ao ser amado. É fazer feliz a quem amais, para serdes felizes.

Endeusais ao amor; e isto o afasta de vós. Porque o vedes como descrito nos romances: histórias complicadas e mil dificuldades, até que os protagonistas possam ser felizes para sempre.

E, na verdade, não é assim. Dificuldades podem existir; como, aliás, existem sempre no mundo. Mas o amor não é feito de sacrifícios e gestos grandiosos, e sim de coisas pequenas e simples.

O amor está em uma forma de olhar; em apreciar um jeito de sorrir. Flutua em olhos que se cruzam, escorre em uma lágrima de saudade; está em braços que se abrem, em mãos entrelaçadas.

O amor pode estar em um pedido de desculpas, em uma palavra de perdão. Passeia pela penumbra de um quarto, ou se exibe ao sol da manhã, em uma praia de areias alvas e águas azuis.

O amor é mágico, mas não demanda fadas, bruxas, ou varinhas encantadas; porque a sua magia vem de vossas almas. Não transforma abóboras em carruagens, ou ratos em cocheiros.

Não vos dará sapatos de cristal, mas vos torna capazes de admirar a beleza de pés pequeninos; não vos oferece maçãs envenenadas, mas o sabor agridoce da separação e do reencontro.

Ele não depende de príncipes ou princesas, nem de castelos enormes e criados de libré; uma casinha simples pode comportar mais amor do que um palácio, e o amor pede apenas duas pessoas.

O amor não é como a paixão, que explode de repente, mas como a semente que germina com o tempo; é preciso cultivá-lo, a todo momento, para que cresça e nos deixe colher felicidade e plenitude.

O amor não é um lago inerte e sem ondas; mas um rio, onde as águas correm, sobre pedras ou areia, turvas ou cristalinas, mas sempre em movimento. É como a onda, e nos traz a beleza da espuma.

Não vos preocupeis, entretanto, em buscar o Amor; se o fizerdes, talvez mais difícil se torne encontrá-lo. Se revirais as pedras do caminho, à sua procura, podeis não o ver passando a vosso lado.

Sossegai, portanto: se for o vosso destino, o amor vos encontrará; tudo que precisais é manter aberto o vosso coração, para que possais sentir a sua presença e permitir que ocupe vossa alma.

Porque o amor é a própria essência do Universo.

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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

CERTEZAS E DÚVIDAS

 


A vida não é feita de certezas, mas de dúvidas.

Porque é um aprendizado; e, como tal, a sua função é trazer-vos perguntas, às quais buscareis responder. Pois cada homem tem as suas próprias verdades e delas dependem as suas respostas.

Vede: por mais que consulteis cartomantes, videntes ou ciganas, não vos será possível conhecer o futuro, porque ele ainda não existe: vos mesmos o construís, dia a dia, com pensamentos e ações.

Imaginar que o vosso porvir já esteja escrito, seria como negar o livre-arbítrio, que vos é concedido pelo Coração do Universo, para que possais ser os guias e condutores de vossas jornadas.

Certo, mesmo, é que cada jornada um dia findará; neste mundo, todos não seremos mais do que memórias, após a partida. E, se assim é, viver bem é deixar as melhores lembranças possíveis.

Lembrai-vos disto, a cada novo raio de sol que beijar o vosso rosto, ou cada sopro de brisa que acariciar os vossos cabelos. A cada vez que a lua desenhar o seu cone de prata, sobre as águas.

Lembrai-vos disto, a cada botão que se abrir; ou a cada flor que murche e caia sobre o chão, onde se tornará adubo para que outras nasçam. Porque a vida não acaba, apenas se transforma.

Recordai esta verdade, quando o medo tentar tolher vossos passos, ou os ventos da vida forem contrários à rota que traçaste para vosso barco; o medo depende de vós e os ventos mudam a toda hora.

Não tendes, pois, porque temer a vida; nem sequer a morte. O vosso verdadeiro Eu é eterno; a morte é apenas uma ilusão dos sentidos. A vida segue e vos oferece novas oportunidades sempre.

A centelha do Universo, que existe em vossa essência, é imortal e vos torna viajantes da Eternidade. Como todo viajante, entretanto, deveis banhar-vos e mudar de trajes, para iniciar nova jornada.

Isto, eu vos tenho dito muitas vezes; e o repetirei até fazer-me ouvir. Como tenho dito que vos cabe a possibilidade de escolher os novos trajes e companheiros, ainda que não a possais recordar.

Abandonai a vossa obsessão por controle: não o podeis ter, nem dele necessitais. Como em vossas viagens acontece, o maior encanto da vida pode estar justamente nos imprevistos.

Aceitai, de bom grado, o que vos trouxer o destino: não o podeis controlar. Mas aprendei a manejar as velas e o leme, para que os ventos adversos causem ao vosso barco o menor dano possível.

Este, sim, é o papel que vos cabe desempenhar, em cada etapa da viagem. Sede cuidadosos ao fazê-lo e, acima de tudo, mostrai-vos gentis e compreensivos com os companheiros que encontrardes.

Porque só juntos concluireis a jornada.     

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

PRECE DE GRATIDÃO

 


Sou grato, Pai!

Sou grato pelo sol, que derrama brilho e calor sobre o mundo, iluminando o trabalho onde ganho o pão de cada dia, com o suor do meu rosto. Que espanta o escuro e a friagem da noite.

E pela lua, que anuncia o período do repouso, depois do trabalho honesto e proveitoso. Que ameniza o calor do dia com o frescor noturno e acalenta nossos sonhos, descanso da realidade.

Sou grato pela água, que mata a minha sede, e pelo alimento que sustenta o meu corpo durante toda a jornada. Pelos oásis que espalhastes por todos os desertos, para acolher os viajantes.  

Sou grato pelas pessoas maravilhosas que encontro em meu caminho, para apoiar os meus passos. E por aquelas que, buscando causar-me tropeços, me ensinam algo sobre a vida.

Sou grato pelas alegrias, que me trouxeram sorrisos; e pelas mágoas, que me fizeram conhecer o alívio das lágrimas. Por meus êxitos e fracassos, com os quais aprendo os meus limites.

Sou grato pelo amor, que encontrei a meio da estrada e hoje me ajuda a caminhar em cada novo dia, sem pensar no ocaso que se aproxima. Ele é a minha força, minha razão de ser.

Sou grato, também, pelos amores que passaram e me deixaram lembranças, algumas boas e outras doídas. Nenhum amor é tempo perdido, porque, enquanto dura, somos felizes; e algo aprendemos.

Nada se perde na vida; em cada experiência, ainda que malsucedida, aprendemos algo. E as lições mais amargas são aquelas que mais ensinam, porque são mais difíceis de esquecer.    

Com o aprendizado das derrotas, construímos a sabedoria que conduz à vitória. É presa sob o chão, que a semente germina e constrói a liberdade de ser planta, e poder balançar os galhos ao vento.

Nada nos cabe lamentar; antes agradecer, por termos vivido todos os momentos. O homem que se perde em lamentações é como o cão que uiva à lua, em vez de procurar por seus novos caminhos.

Enquanto isto, aquele que agradece é como o lavrador sensato, a semear as bençãos que colherá amanhã ou depois; porque o pensamento tem força e cada pessoa atrai para si aquilo em que pensa.

Sou grato, por todo momento que vivi e vivo; por não saber quando será o último, procuro aproveitar plenamente cada um, encontrando motivos para ser feliz, ao invés de perder-me em conjeturas vãs.

Sou grato por ter descoberto a minha capacidade de amar; assim, a felicidade das pessoas que amo me torna feliz. E o meu próprio egoísmo me leva a fazê-las felizes, para que eu também o seja.

Em cada dia, aprendo mais um pouco a viver. 

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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

AGRICULTORES DO FUTURO

 

Longe de mim, a pretensão de ensinar-vos a viver.

Pois sou apenas mais um a caminhar entre o rebanho; e, como todos vós, também tenho os meus tropeços e busco o melhor caminho. Nada impede, porém, que vos fale do que aprendi.

Porque aquele que mostra a seu irmão as pedras que encontrou pelo caminho, talvez lhe possa evitar algumas quedas; ou agilizar os seus passos. Depende de cada homem ouvir conselhos, ou não.

Em todos os dias, fazemos escolhas. E, para cada caminho que escolhemos, há muitos outros que renunciamos a seguir; teremos que lidar com as consequências disso, cedo ou tarde.

Quanto menos arrependimentos levarmos às costas, mais leves e rápidos serão os nossos passos; e menos tempo gastaremos no aprendizado das lições que nos são ministradas, em cada jornada.

Deixai-me, portanto, lembrar-vos que uma pessoa não muda, senão por sua própria vontade. Não alimenteis a esperança de conseguir que alguém se torne diferente do que hoje demonstra ser.

Deveis entender que cada um é do jeito que é; e não está em vosso poder lapidar as suas qualidades, ou eliminar os seus defeitos. A única escolha que podeis fazer é aceitá-lo ou não a vosso lado.

Enquanto não despertardes para esta verdade, seguireis colecionando decepções em vossos relacionamentos, sejam de amor ou amizade. E chorando lágrimas amargas, em cada nova vez.

Sede, pois, objetivos ao escolher as pessoas que desejais ter por perto; aquelas a quem entregareis as chaves do vosso coração. A quem dareis o poder de magoar-vos ou fazer-vos felizes.

Porque as decepções mais dolorosas, assim como os momentos felizes mais intensos, virão através das pessoas que vos sejam mais caras. É por isto que não deveis criar falsas esperanças.

E nenhuma crença pode ser mais infundada do que esperar que alguém mude, por outra razão que não sejam as decisões do seu verdadeiro Eu. Ninguém deixa de ser aquilo que é, sem mudar a sua essência. 

Costumais alimentar o desejo de mudar as coisas à vossa volta. Mas esse desejo dificilmente se realiza, por um motivo: ninguém pode mudar, senão a si mesmo; e não vos dispondes a essa mudança.

Lembro-me de vos haver dito que os círculos se espalham a partir de onde o seixo toca a superfície da água; e assim acontece com as mudanças: tudo muda, para aquele que muda a si mesmo.

Porque a vida não depende do que vos acontece, mas de como reagis a cada acontecimento. Enquanto um homem perdoa e esquece, outro se entrega ao desejo de vingança, e perde a sua paz.

Cada um de vós é o agricultor do seu próprio futuro. 

Mas apenas a ele cabe a escolha das sementes.

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Não sei se tem muito a ver. Mas a gravação é linda!

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

MEU CREDO

Aproveitar a vida, até o último minuto.

Este deve ser o nosso único cuidado. Sem medos ou dúvidas; sem preocupações ou angústias, sem incertezas que nos assombrem. Apenas viver e confiar; acreditar no futuro.

Porque somos filhos de Deus. E Ele, o Coração do Universo, vela por nós, em todos os momentos. Em cada uma de nossas caminhadas, a Sua mão nos sustenta e faz seguir em frente.

Ele nos dá as sementes, para que possamos plantar; a chuva, o sol e o solo, para que as sementes germinem e façamos a colheita. Quando a noite não tem lua, Ele nos manda as estrelas.

Diante de tanto amor e tanto zelo, como podemos ter algum temor quanto ao que virá? Como pensar que o Pai, que tanto nos oferece todos os dias, seria capaz de largar a nossa mão?

Não nos devemos preocupar com o tempo: ele não existe, senão enquanto se passa. O passado já se foi, em nossas vidas, e o futuro ainda não chegou; talvez, nem venha a encontrar-nos aqui.

O tempo não importa. Não pode medir as nossas vidas, apenas o número de dias que dura cada uma de nossas jornadas. O que dá sentido à vida é quanto vivemos, sentimos e construímos.

Sigamos, pois, confiantes. Agradeçamos por cada dia que nasce ou termina; quando o sol surge ou se põe no horizonte, ouçamos a canção da gratidão, que preenche e alegra o nosso coração.

Como não queremos ver tristes os nossos filhos, também o Pai se regozija com a nossa felicidade. Ao invocar o Seu nome não devemos estar contritos, mas ter nos lábios um sorriso de alegria.

Aquele que nos deu a vida não o pode ter feito por outro motivo, senão para que a aproveitemos. Ou por que colocaria em nosso caminho tanta beleza, tantos motivos para sermos felizes?

Olhemos ao nosso redor, e quantas maravilhas veremos! O botão que se abre e se transforma em flor, a criança que sorri, a mulher em cujo ventre dilatado se agita o sonho de uma nova vida!

O regato cristalino, que corre sobre terra e pedras, murmurando suavemente a melodia da eternidade; a brisa que agita os nossos cabelos, ou se torna o vento forte que enverga as árvores.

São pequeninos milagres, que nos cercam todo o tempo; em todos eles opera a mão invisível do Pai. E nem chegamos a perceber, ocupados em buscar as coisas de que julgamos precisar!

Esquecemos que as plantas nos dão os frutos, e a chuva é água que desce dos céus? Este mundo foi preparado para a Vida, que surgiu bem antes que o primeiro homem andasse sobre ele.

Como duvidar do Coração do Universo?

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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

AS MINHAS PALAVRAS


Deixai-me falar aos vossos corações.

Ainda que as vossas vozes não ecoem a minha voz. Porque os ventos não reproduzem a canção do oceano, mas mesmo assim a levam consigo ao redor do mundo.

Eu não vos peço que aceiteis como verdades as minhas palavras. Pois cada homem tem as suas próprias verdades e o solo não aceita a pá que brutalmente o invade.

Acolhe, entretanto, a pequenina semente que o vento traz. E permite que deite raízes e cresça aos poucos, até tornar-se a planta dadivosa que oferta a sombra amiga.

Eu vos peço, portanto, que me escuteis; porque é através dos ouvidos do corpo que a ideia consegue chegar ao universo da alma, onde mora o vosso verdadeiro Eu.

E devo, por isto, permitir que não seja eu a falar-vos, mas o meu verdadeiro Eu; para que as suas palavras encontrem guarida no solo generoso e fértil dos vossos corações.

Este é o meu papel. Todavia, sei que ninguém poderá fazê-las florescer senão cada um de vós, que as regará com as suas próprias lágrimas e as aquecerá com os seus sorrisos.

Porque é assim que é. Ao mensageiro cumpre fazer-se ouvir e cuidar para bem transmitir o ensinamento, ainda que as suas imperfeições possam alterar a mensagem.

Assim como a flauta imperfeita produz ocasionalmente uma nota dissonante, quando a atravessa o sopro inspirado e cuidadoso do artista, por mais linda que seja a melodia.

Não sou o artista; nem sequer a melodia, nem o sopro criador. Mas tão somente a flauta humilde, que busca fazer-se ouvir, tentando cumprir a missão para a qual foi criada.

Não me julgueis generoso, ao distribuir as minhas palavras; até porque nem mesmo me pertencem. Generosos sois vós, que vos dispondes a escutar a minha alma.

Generoso é o solo onde a semente frutifica. E eu vos agradeço, porque sois os guardiões das minhas palavras, que se perderiam ao vento se não as acolhessem os vossos corações.

Eu vos agradeço, pelo muito que todos os dias me ensinais. Pois o homem não aprende senão com as próprias experiências, mas necessita dividi-las com os seus irmãos.

Deixai-me falar aos vossos corações. Para que o eco das minhas palavras possa trazer-me a fé que orienta, a esperança que sustenta e as forças para prosseguir a jornada.

Para que eu possa falar ao meu próprio coração.

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Do meu livro As Palavras e as Sementes, de 2015

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