O ORGULHO E A RAZÃO
Todos os dias,
busco exercitar a tolerância.
Porque optei
por ser feliz, o máximo que me for possível; afinal, nunca sabemos o tempo que nos
resta. E, se assim é, não me parece sensato desperdiçar qualquer minuto em zanga
ou inquietude.
A paz,
acredito, é o primeiro passo na caminhada para a felicidade. E, talvez, o mais
difícil; como, aliás, todo início de jornada. Uma vez que estejamos em paz,
a felicidade virá ao nosso encontro.
Mas não
encontraremos a paz, se não renunciarmos a nossos medos e nosso orgulho. São
eles que nos colocam em constantes conflitos, seja por insegurança ou pelo
desejo de estarmos sempre certos.
Isto, posso
afiançar-vos que já superei. Se ainda não consegui livrar-me dos medos, ao
menos já abandonei grande parte da presunção, que por muito tempo conseguiu
nublar a visão da minha alma.
Os acertos e
erros, ao longo de todos estes anos, me ensinaram que ninguém pode estar sempre
certo, ou errado; todos variamos, entre uns e outros. E é inteligente
considerar várias alternativas.
Aprendi,
portanto, a não fazer questão de ter sempre a última palavra; a concordar ou,
ao menos, não entrar em discussões inúteis, que apenas roubam a paz e não levam
a qualquer resultado.
Ao aceitar esta
verdade, aprendi também que de nada me serve ser visto como “o que está sempre
certo”, colecionando inimizades e atraindo inveja. Melhor ser o que sempre ri e
oferta a boa palavra.
A árvore
generosa é estimada, por oferecer a sombra e os frutos, enquanto todos evitam o
arbusto espinhoso, que nada distribui senão a dor de seus espinhos. E ninguém pode
dar, além do que possui.
Eu vos tenho
dito: não precisamos renunciar às nossas opiniões; isto é algo que podemos
fazer, caso argumentos outros nos convençam. Mas também não necessitamos impô-las;
elas são nossas.
Guardemo-las,
pois. Acredito que, neste ponto, opiniões são como vestes: nem sempre, as que
assentam em nós ficam bem em outras pessoas; cada um tem o direito de escolher
as suas, e usá-las.
Assim como
roupas dependem das características físicas, opiniões dependem de ideias e
convicções. Por isso, são tão individuais; e merecem respeito, mesmo quando
forem diferentes das nossas.
A cada dia,
esforço-me para que esta convicção mais se enraíze em mim, até que se torne um
hábito, tão constante que seja imperceptível: nada temos a ganhar, insistindo em
ser donos da razão.
A Razão não se impõe com gritos ou insistência, mas pela verdade e pela lógica; e quem a traz pela mão é o Tempo. Aquele que se esforça para convencer os outros, no fundo quer convencer a si mesmo.
Mais sábio, portanto, é cultivar a tolerância.
Tá bombando na internet. E é algo que nunca devemos esquecer.








