SONHOS E REALIDADES
Como as ondas do mar, como os dias e as noites, os sonhos vêm e se vão.
E trazem a poesia de que necessitamos, para enfrentar as realidades da vida. Assim o sofrimento que nos deixam, ao partir, jamais deverá suplantar a felicidade que em nós fizeram brotar.
Chorar por um sonho que se foi, é aviltar a felicidade que despertou em nós, enquanto nos fez viver em um doce mundo de ilusão.
E maldizer a pessoa que um dia chamamos de “amor”, é negar a própria essência do amor.
Porque o amor é, em si mesmo, o maior dos nossos sonhos. E, quando nos dispomos a sonhá-lo, devemos ter presente que o preço da sua doçura é o amargor do despertar.
Assim tem sido sempre, em meus caminhos. E as lágrimas de cada despertar apenas molham a terra fértil do meu coração, para que dela possa brotar um novo sonho.
Jamais haverei de maldizer a alguém que me deixou. Antes haverá, em minha alma, uma canção de gratidão, pela felicidade que um dia me trouxe E os meus olhos conservarão a sua imagem, como os meus ouvidos guardarão a sua voz.
Assim, posso perder a pessoa; mas jamais perderei o amor. Ele continuará em mim, e me fará perceber que, sempre, pode existir uma vida melhor; que a felicidade existe em nós e, para senti-la, basta abrir o coração.
Jamais temerei o pranto, pois hoje sei que ele é o preço do sorriso. E o que sou, em todos os dias, é o somatório das dores e das alegrias, das lágrimas e dos sorrisos que pude conhecer em minha vida.
É assim que eu sou. E, uma vez que não me é dado viver sem amor, preciso preservar os meus sorrisos; são eles que cobrirão, com o manto da alegria, as lágrimas que o amor me possa trazer.
E, quando a luz fria do dia faz evaporar um lindo sonho, sei que a noite voltará; e com ela virá um novo sonho, que mais uma vez aquecerá o meu coração. É assim que será sempre, em todos os dias em que eu caminhar por este mundo.
Porque existem o céu e a terra, e é entre eles que precisamos viver. Assim, enquanto a minha alma busca o céu, é necessário que os meus pés estejam firmes na terra, para que a queda não faça desmoronar o meu mundo.
É assim que eu sou. E, embora me chamem poeta, sou apenas alguém que encontrou a si mesmo; que traça o seu caminho, da única forma que sabe viver.
Entre a realidade da vida e o sonho do amor...
Texto escrito em 2005. Não lembro se já publiquei, mas gosto dele.








