O Árabe

Idéias, sentimentos, emoções. Oásis que nos ajudam a atravessar os trechos desérticos da vida...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

ALTERNÂNCIAS

Sim: as despedidas são tristes.

Lembrai-vos, porém, de que a vida é feita de alternâncias. Assim, a tristeza da separação apenas antecede a alegria do reencontro; como o amargor da solidão melhor vos faz sentir a doçura da companhia.

O tempo é a gangorra em que viveis. Às vezes, ele vos leva às alturas: sentis o vento em vossos cabelos e caminhais entre as estrelas; de outras vezes vos leva rente ao chão, próximo à lama e aos vermes.

Por isto, não vos deixeis arrebatar por vossas vitórias: as glórias são passageiras. Tampouco, deveis permitir que derrotas vos abatam; umas e outras encontrareis e ambas vos ensinam sobre a vida.

Viver é experimentar. É passar por alegrias e tristezas, e de cada uma extrair o aprendizado que necessitais, para ascender ao Conhecimento; outra não é a finalidade de qualquer das vossas jornadas.

Vida é alternância; isto é algo que precisais aprender, para que vos seja dado entender cada uma de suas fases. Olhai ao redor: ao sol sucede-se a lua; um dia, a flor está no galho; em outro, caída ao chão.

E, num terceiro dia, novamente a planta está florida; como se nada houvesse acontecido antes. O sol e a chuva se revezam, para fazer brotar as sementes; e, quando se encontram produzem o belo arco-íris.

Um dia é o amor; no outro, a saudade. Uma hora o sorriso, em outra as lágrimas; um e outras têm as suas causas e o seu próprio brilho. O que seria de vós, dizei-me, acaso não aprendêsseis a sorrir e a chorar?

Em um instante, nasceis; no outro ireis morrer. É impossível que isto não vos diga algo sobre a vida; que continueis a acreditar-vos eternos, a lutar por posses que deixareis aqui, no dia em que vos fordes.

Crede-me: a vida é a véspera da morte; e talvez esta não seja mais do que o preâmbulo de uma nova vida. A morte é apenas mais uma porta que atravessareis; uma nova parte do ciclo da vida.

Alternâncias, lembrai-vos? Amor e ódio, simpatias e antipatias, afeto e aversão, orgulho e humildade. A todo instante as alternâncias surgem em vosso caminho, a lembrar-vos que nada é eterno, embora pareça.

Aprendei esta lição, e um grande passo tereis dado. Recordai que o esterco ajuda as flores a serem mais belas e mais perfumadas; e ao esterco elas voltarão, no dia em que o seu tempo se esgotar.

Vede: a chuva cai sobre a terra e volta à nuvem de onde saiu; é quase como a lenda da fênix, que renasce das próprias cinzas. Mas, no tempo em que esteve ausente, fertilizou o solo; contribuiu para a vida.

Este é o grande segredo: nada é eterno; e, entretanto, cada instante o é para vós, enquanto se passa. O amanhã não existe no hoje, porém toma o seu lugar assim que ele se vai; um apenas se torna o outro.

 Alternâncias. Tudo que existe são paradas da vida.

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Para Regi, meu irmão; seu aniversário teria sido em 20/02. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

DIAS


Há dias de todos os tipos.

Dias de luz e dias de sombra. Em alguns, a tepidez do sol e a frescura da brisa vos acariciarão; em outros a chuva vos levará a procurar abrigo, enquanto lança as suas gotas sobre a terra.

Lembrai-vos, porém, que por mais escuro que esteja o dia, o sol continua lá; estará, apenas, escondido entre as nuvens. Uma hora estas se desfarão, e a luz voltará a iluminar o caminho.

Recordai, também, que não é ilimitado o número de vossos dias; a cada um que passa, mais se aproxima o fim da vossa jornada. E o mesmo acontece a todos os vossos entes queridos.

Não deveis desperdiçar os dias. E é desperdiçado cada dia em que permitis às sombras determinar os vossos caminhos; em que vos quedais sós, quando poderíeis estar de mãos dadas.

Aproveitai, sim, cada um de vossos dias. Quando o escuro da tristeza vos procurar, quando as sombras buscarem a vossa alma, abrigai-vos à luz do amor que existe em vosso coração.

Buscai a companhia daqueles a quem amais; entregai-vos aos sentimentos que com eles dividis. E vereis que o seu carinho afastará as nuvens sombrias; trará de volta a luz bendita do sol.

Porque assim é o amor: ele nos traz a sensação de companhia; nos faz perceber que, se cada um precisa andar o seu próprio caminho, nada impede que o façamos de mãos dadas.

Chamais de “cara-metade” a quem amais; entretanto, cada um de vós é pleno em si mesmo. Não é uma questão de vos completardes, pois já sois inteiros; mas, sim, de vos encaixardes.

Vede: cada ser humano está só, no instante em que chega e no instante em que se vai. Ainda que sejam gêmeos, ou que pereçam juntos, é sozinho que cada um realizará a sua Viagem.

E isto deveria ensinar-vos algo sobre a Vida: que, embora seja uma dádiva concedida a todos, ela é responsabilidade de cada um; ninguém pode mudar um caminho, senão quem o trilha.

Podemos, porém, ajudar àqueles que caminham ao nosso lado; e, ao fazê-lo, muitas vezes tornamos melhor o nosso próprio caminho. Estender a mão é encontrar, também, um apoio.

Desperdiçais o vosso tempo, de cada vez que vos deixais levar pelas sombras que se projetam sobre o dia; melhor fareis, se buscardes o sol e a brisa entre vossos amores e vossos amigos.

Cada sol que se põe, é um a menos que vereis nascer; cada carinho que não fazeis, cada palavra de amor que não dizeis, é uma vitória das sombras sobre a luz que aquece as vossas almas.

Cuidai, portanto, do que fazeis dos vossos dias.

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

O AMOR DE CADA UM

 


O que pensais do amor?

Pergunto, porque quase todos entre vós já disseram a alguém, ou de alguém ouviram: “Eu te amo”. Embora possam ter sido sinceras as vossas palavras, lembrai-vos de que as pessoas não são iguais.

E, se assim é, o amor tem significado diferente para cada um de vós; cada um o sente do seu próprio jeito e tem a sua própria maneira de amar. Não espereis que alguém vos ame da forma como o amais.

O amor não pode ser imposto, pois é um sentimento. Mas é, também, uma força da natureza, como o fogo, a água e o vento; por isto, não o podeis controlar. Podeis, apenas, aprender como lidar com ele.

Não existe aquele que ama mais; nem, tampouco, o que ama menos. Não há diferentes graus, no amor; apenas amais, ou não. O resto é mera consequência da maneira como é e como pensa cada amante.

Tudo depende da posição que ocupa o amor em vossa escala de valores; de como cada um o vê e da importância que tem para ele. Porque cada pessoa o sente da sua maneira e age em função disso.

Há aqueles que o têm como o mais importante; o único caminho para a felicidade. E por isso se entregam a ele, vivendo em função do ser amado, que buscam fazer feliz, para serem também felizes.

Esses, que o sentem mais intensamente, são os mais abençoados por ele; porque experimentam momentos mais doces. Escrevem as mais belas histórias; sentem-se realizados em um beijo ou um sorriso.

Por outro lado, são também os mais castigados. Porque se magoam mais facilmente em uma briga, uma zanga, na desatenção de um momento. Perdem a alegria de viver, muitas vezes só por imaginar.

A imaginação é sua benção e sua maldição. Caminham sobre nuvens brancas, em um céu azul e brilhante, quando tudo está bem no amor; mas podem ser arrojados ao chão, quando as nuvens escurecem.

E existem aqueles que enxergam o amor como um complemento. Que não o têm como seu principal objetivo, mas apenas como a fonte de bons momentos; não como razão de viver, mas como um bônus da vida.

Estes, são os que não sofrem por amor; mas, também, os que ele não consegue tornar felizes. Não conhecerão plenamente o encanto de um beijo, ou um abraço; a dor de uma partida, ou a magia de um retorno.

Não me pergunteis quais deles estarão certos, ou errados; nem qual tipo será o mais sensato. Porque não é certo ou errado, sensato ou insensato, o homem que é da maneira que nasceu para ser. Apenas é.

Nem vos preocupeis em relação ao amor; até porque nada mudareis, nele ou em quem sois. Tende, sim, consciência dos efeitos que ele produz em vós; e de que a vossa única escolha é aceitá-lo, ou não.

Dizei-me, pois: o que pensais do amor?

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O AMANHÃ

 


- Quantos anos tens?

Eu não saberia responder, se me fizésseis esta pergunta. Poderia, talvez, dizer-vos a minha idade; porém, não tenho mais esses anos: já se foram e hoje só fazem parte do passado.

Em verdade, os anos que ainda temos são os que estão no futuro; e não nos é dado saber quantos serão. Entretanto, uma coisa é certa: o número diminui, a cada ano que passa.

Talvez – quem sabe? – nem chegue a um ano. Esta é uma incógnita da qual nunca lembramos, quando nos desejamos “Feliz Ano Novo!”; mas devemos ter presente em cada dia.

Pois, quando admitimos que haverá a partida, aproveitamos melhor a estada. Não ligaremos tanto aos detalhes que nos aborrecem; atentaremos mais àqueles que nos são agradáveis.

Detalhes sempre existirão; de um tipo e do outro. E não são eles que nos fazem infelizes ou felizes, mas as nossas reações a eles. A casa não depende do tijolo, mas de como é assentado.

Recordai, portanto, que percalços são comuns, em qualquer viagem; e a Vida é a mais maravilhosa das viagens. Relevai, pois, os incômodos; aproveitai a beleza das paisagens que vedes.

Assim como fazeis, em qualquer das vossas viagens, para que delas possais desfrutar. Lembrai-vos de que à Casa retornareis; e guardai boas experiências de cada jornada que fazeis.

Este é o ponto; não importa a quantidade de anos que passamos na Terra; mas o quanto vivemos, durante eles. O principal não é o tamanho da árvore, mas o sabor dos frutos que brotam.

São eles, que adoçam a vossa boca; ou nela depositam um travo amargo, de colheita malsucedida. E bem sabeis que a colheita não depende senão do que semeais e de como cuidais.

Não vos preocupeis com a idade que tendes; ou os anos que vos restam. Nos que já passaram, nada podeis mudar; nos que virão, devem estar vossas esperanças e vosso cuidado.

Podeis acreditar que, sejam quantos forem, serão suficientes; e, se não forem, outras viagens virão. O trigo não está pronto, senão quando amadurece; por isso, as searas e colheitas se sucedem.

Não importam as vossas certezas e dúvidas: as coisas são como são e não vos assiste o poder de mudá-las; só quando chegardes ao futuro, descobrireis como ele será e o que acontecerá.

Cuidai só de viver bem o vosso presente. Vivei cada dia como se fosse o último; mas nada façais que vos possa envergonhar, se não o for. Assim, sempre podereis acreditar no amanhã.

E tereis todos os vossos anos.

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O APRENDIZADO E A FELICIDADE


Desejais, todos, a felicidade.

Não existe um único homem que caminhe sobre a Terra, e não a aponte como seu principal objetivo; acaso, algum de vós pode dizer que seu maior sonho não é o de ser feliz?

Entretanto, felicidade é apenas uma palavra, que nomeia um sentimento; um estado de espírito. Ser feliz é, antes de tudo, estar bem consigo; com coisas e pessoas ao redor.

Por ser um estado de espírito, não há como ser permanente; os sentimentos variam, ao sabor dos ventos da alma. Como as ondas do mar, que parecem iguais, mas não são.  

E cada um de vós tem uma escala de valores própria. Existem aqueles que, acima de tudo, colocam o amor; outros optam pelo conforto e bens materiais, e outros pelo poder.

Outros, ainda, escolhem como prioridade os temas do espírito, ou o sucesso profissional; enfim, cada homem decide de que gosta mais e confunde ter o que quer com ser feliz.

Deixai-me dizer-vos: uma coisa não depende da outra. O homem pode ser feliz, sem ter tudo que deseja; desde que esteja satisfeito com o que tem. Querer mais é que vos frustra.

O inverso também acontece: alguém pode chegar a ter tudo que sonhava, e não se sentir feliz; às vezes, no caminho que escolheu para realizar os sonhos, perdeu-se de si.

E de nada vale ao homem ganhar o mundo, se perder a sua alma. Porque não sois apenas matéria, longe disso; a parte mais verdadeira, em vós, é aquela que sobrevive ao corpo.

Por isto, a chamo de verdadeiro Eu; porque é onde vivem os sentimentos e as emoções, que vos podem fazer felizes. O corpo vos oferece prazeres e alegrias, mas não a felicidade.

Aceitai esta realidade, e mais facilmente vos sentireis felizes; não vos importeis com o corpo, mais do que com a alma. Até porque, depois que passardes, vereis os Jardins do Amanhã.

Abandonai a ambição; sensato é aquele que a substitui pela gratidão. Pois, enquanto uma planta em vós a insatisfação, a outra vos leva a perceber os bens de que desfrutais.

Olhai ao vosso redor e percebereis que ninguém pode ter tudo; este não é o mundo da felicidade, mas o do aprendizado. E, para que aprendais, a felicidade não anda convosco.

Às vezes, vos visita. Para que possais vislumbrar como seria caminhar em sua companhia; o que só conseguireis depois de concluído o aprendizado e atingido o Conhecimento.

Pois é ele que vos leva à felicidade.

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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

AS VERDADES

 


Cada um de vós tem as suas próprias verdades.

E as defende, como se outras não pudessem existir. Como se cada estrela não tivesse o seu próprio brilho e, juntas, não iluminassem o céu.

Isso acontece, porque não percebeis que a vossa verdade é apenas uma estrela a mais; no vosso orgulho, julgais que ela seja o sol. E vos espanta que os outros não enxerguem o seu brilho soberano.

Abandonai o vosso orgulho!

Pois, assim como a espuma disfarça a força das ondas, o orgulho do que julgais ser vos impede de serdes tudo o que podeis ser.

Eis que nascestes para crescer.

Se, entretanto, vos acreditais maiores do que sois, limitais o vosso crescimento. E dia virá em que tão grandes vos julgareis, que não mais sereis capazes de crescer.

Aprendei a ouvir as verdades alheias.

E, ainda que não as aceiteis, ao menos meditai sobre elas. Entendei que, assim como uma única nuvem não pode ocupar todo o céu, não podem as vossas verdades compor toda a Verdade maior.

Por isto, não busqueis impor os vossos pensamentos. Se o fizerdes, os vossos irmãos vos esconderão os seus próprios pensamentos; e vos será negado o que poderíeis aprender.

Lembrai-vos que as ondas se atiram sobre a praia, e a areia não reage. Entretanto, as ondas passam e a areia permanece.

Não vocifereis as vossas verdades.

Dizei-as, apenas; e deixai que cada um medite sobre elas. Pois, se o clamor de um brado dura apenas um momento, a voz calma da razão se eterniza em quem a ouve.

Não é gritando, que vos fareis ouvir; assim, apenas conseguireis que os outros se calem. E este não será o silêncio da aceitação, mas o prenúncio da revolta.

Deveis prezar as vossas verdades.

E lembrar-vos que cada um preza as suas próprias verdades, e não as trocará pelas vossas. Será, entretanto, capaz de ouvi-las e pensar sobre elas, se as souberdes enunciar; se nas vossas palavras não houver o estrépito da paixão, mas a profundidade da razão.

Recordai, ainda, que a cada um assiste o mesmo direito.

E, àquele que se recusa a ouvir, não cabe o direito de falar; como, a quem se recusa a aprender, não assiste o direito de ensinar.

Disponde-vos, portanto, a ouvir as verdades alheias; e a respeitá-las, sem temer que diminuam as vossas próprias verdades.

Juntas, as cores formam a beleza do arco-íris.

E as ondas a imensidão do oceano.

Assim como as vossas verdades são partes da Verdade maior... 

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Do meu livro Hassan, disponível na Amazon.


sábado, 10 de janeiro de 2026

AUTO-RETRATO

Dentre vós, alguns me acusam de não ligar às coisas práticas da vida.

Estarão certos, talvez. E como poderia ser de outra forma?

Acaso o beija-flor atenta para as minhocas que fertilizam o solo, se a essência da sua vida é sugar o néctar das flores?

Dizem outros que me perco em sonhos.

E estarão igualmente certos. E, novamente, eu vos pergunto: como poderia ser de outra forma?

Serei eu, acaso, o único a sonhar?

De que nutrem os enamorados o seu amor, se não de sonhos?

Não sonham os religiosos, que pretendem entender Deus?

E o que é a felicidade, que todos desejam, se não o maior dos sonhos?

É preciso que eu sonhe.

Pois ninguém pode dar senão o que possui. E, tendo tão pouco de meu, nada vos posso dar além dos meus sonhos, que transformo em palavras.

Deixai-me, pois, como sou. Porque existem o sol e a chuva, a noite e o dia, o pássaro e a minhoca, o sonhador e o prático. E todos são necessários ao equilíbrio do mundo. 

Não vos enganeis, vós que amais as minhas palavras e pretendeis apontar o sonhar como meu defeito.

Ele existe também em vós.

Pois não me entenderíeis, se eu vos falasse de coisas que não fôsseis capazes de entender ou sentir; por mais belas que fossem, as minhas palavras esbarrariam na vossa incompreensão.

E morreriam em vossos ouvidos, sem alcançar o vosso coração.

Por isto, eu vos digo que somos todos iguais.

E as aparentes diferenças residem nas escolhas que fazemos. 

O homem não faz mais, durante toda a sua vida, do que buscar a felicidade; diferente é o lugar onde cada um acredita que esteja a sua própria felicidade.

E essa é a causa do vosso sofrimento. Porque seria fácil encontrar a felicidade, se todos a buscassem juntos.

Eis que não reclamo dos vossos rumos; antes, tento entendê-los.

Deixai-me, pois, seguir os meus próprios rumos. E, se necessário, perder-me nos sonhos, onde encontro a felicidade.

Porque, assim fazendo, eu a posso dividir convosco, ainda que por breves instantes.

Assim como o céu divide com a Terra a beleza das estrelas que o adornam.

E os sonhos e desencantos dividem os vossos corações.

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Do meu livro A Sabedoria de Hassan, à venda na Amazon.

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