O Árabe

Idéias, sentimentos, emoções. Oásis que nos ajudam a atravessar os trechos desérticos da vida...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

O AMOR DE CADA UM

 


O que pensais do amor?

Pergunto, porque quase todos entre vós já disseram a alguém, ou de alguém ouviram: “Eu te amo”. Embora possam ter sido sinceras as vossas palavras, lembrai-vos de que as pessoas não são iguais.

E, se assim é, o amor tem significado diferente para cada um de vós; cada um o sente do seu próprio jeito e tem a sua própria maneira de amar. Não espereis que alguém vos ame da forma como o amais.

O amor não pode ser imposto, pois é um sentimento. Mas é, também, uma força da natureza, como o fogo, a água e o vento; por isto, não o podeis controlar. Podeis, apenas, aprender como lidar com ele.

Não existe aquele que ama mais; nem, tampouco, o que ama menos. Não há diferentes graus, no amor; apenas amais, ou não. O resto é mera consequência da maneira como é e como pensa cada amante.

Tudo depende da posição que ocupa o amor em vossa escala de valores; de como cada um o vê e da importância que tem para ele. Porque cada pessoa o sente da sua maneira e age em função disso.

Há aqueles que o têm como o mais importante; o único caminho para a felicidade. E por isso se entregam a ele, vivendo em função do ser amado, que buscam fazer feliz, para serem também felizes.

Esses, que o sentem mais intensamente, são os mais abençoados por ele; porque experimentam momentos mais doces. Escrevem as mais belas histórias; sentem-se realizados em um beijo ou um sorriso.

Por outro lado, são também os mais castigados. Porque se magoam mais facilmente em uma briga, uma zanga, na desatenção de um momento. Perdem a alegria de viver, muitas vezes só por imaginar.

A imaginação é sua benção e sua maldição. Caminham sobre nuvens brancas, em um céu azul e brilhante, quando tudo está bem no amor; mas podem ser arrojados ao chão, quando as nuvens escurecem.

E existem aqueles que enxergam o amor como um complemento. Que não o têm como seu principal objetivo, mas apenas como a fonte de bons momentos; não como razão de viver, mas como um bônus da vida.

Estes, são os que não sofrem por amor; mas, também, os que ele não consegue tornar felizes. Não conhecerão plenamente o encanto de um beijo, ou um abraço; a dor de uma partida, ou a magia de um retorno.

Não me pergunteis quais deles estarão certos, ou errados; nem qual tipo será o mais sensato. Porque não é certo ou errado, sensato ou insensato, o homem que é da maneira que nasceu para ser. Apenas é.

Nem vos preocupeis em relação ao amor; até porque nada mudareis, nele ou em quem sois. Tende, sim, consciência dos efeitos que ele produz em vós; e de que a vossa única escolha é aceitá-lo, ou não.

Dizei-me, pois: o que pensais do amor?

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O AMANHÃ

 


- Quantos anos tens?

Eu não saberia responder, se me fizésseis esta pergunta. Poderia, talvez, dizer-vos a minha idade; porém, não tenho mais esses anos: já se foram e hoje só fazem parte do passado.

Em verdade, os anos que ainda temos são os que estão no futuro; e não nos é dado saber quantos serão. Entretanto, uma coisa é certa: o número diminui, a cada ano que passa.

Talvez – quem sabe? – nem chegue a um ano. Esta é uma incógnita da qual nunca lembramos, quando nos desejamos “Feliz Ano Novo!”; mas devemos ter presente em cada dia.

Pois, quando admitimos que haverá a partida, aproveitamos melhor a estada. Não ligaremos tanto aos detalhes que nos aborrecem; atentaremos mais àqueles que nos são agradáveis.

Detalhes sempre existirão; de um tipo e do outro. E não são eles que nos fazem infelizes ou felizes, mas as nossas reações a eles. A casa não depende do tijolo, mas de como é assentado.

Recordai, portanto, que percalços são comuns, em qualquer viagem; e a Vida é a mais maravilhosa das viagens. Relevai, pois, os incômodos; aproveitai a beleza das paisagens que vedes.

Assim como fazeis, em qualquer das vossas viagens, para que delas possais desfrutar. Lembrai-vos de que à Casa retornareis; e guardai boas experiências de cada jornada que fazeis.

Este é o ponto; não importa a quantidade de anos que passamos na Terra; mas o quanto vivemos, durante eles. O principal não é o tamanho da árvore, mas o sabor dos frutos que brotam.

São eles, que adoçam a vossa boca; ou nela depositam um travo amargo, de colheita malsucedida. E bem sabeis que a colheita não depende senão do que semeais e de como cuidais.

Não vos preocupeis com a idade que tendes; ou os anos que vos restam. Nos que já passaram, nada podeis mudar; nos que virão, devem estar vossas esperanças e vosso cuidado.

Podeis acreditar que, sejam quantos forem, serão suficientes; e, se não forem, outras viagens virão. O trigo não está pronto, senão quando amadurece; por isso, as searas e colheitas se sucedem.

Não importam as vossas certezas e dúvidas: as coisas são como são e não vos assiste o poder de mudá-las; só quando chegardes ao futuro, descobrireis como ele será e o que acontecerá.

Cuidai só de viver bem o vosso presente. Vivei cada dia como se fosse o último; mas nada façais que vos possa envergonhar, se não o for. Assim, sempre podereis acreditar no amanhã.

E tereis todos os vossos anos.

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O APRENDIZADO E A FELICIDADE


Desejais, todos, a felicidade.

Não existe um único homem que caminhe sobre a Terra, e não a aponte como seu principal objetivo; acaso, algum de vós pode dizer que seu maior sonho não é o de ser feliz?

Entretanto, felicidade é apenas uma palavra, que nomeia um sentimento; um estado de espírito. Ser feliz é, antes de tudo, estar bem consigo; com coisas e pessoas ao redor.

Por ser um estado de espírito, não há como ser permanente; os sentimentos variam, ao sabor dos ventos da alma. Como as ondas do mar, que parecem iguais, mas não são.  

E cada um de vós tem uma escala de valores própria. Existem aqueles que, acima de tudo, colocam o amor; outros optam pelo conforto e bens materiais, e outros pelo poder.

Outros, ainda, escolhem como prioridade os temas do espírito, ou o sucesso profissional; enfim, cada homem decide de que gosta mais e confunde ter o que quer com ser feliz.

Deixai-me dizer-vos: uma coisa não depende da outra. O homem pode ser feliz, sem ter tudo que deseja; desde que esteja satisfeito com o que tem. Querer mais é que vos frustra.

O inverso também acontece: alguém pode chegar a ter tudo que sonhava, e não se sentir feliz; às vezes, no caminho que escolheu para realizar os sonhos, perdeu-se de si.

E de nada vale ao homem ganhar o mundo, se perder a sua alma. Porque não sois apenas matéria, longe disso; a parte mais verdadeira, em vós, é aquela que sobrevive ao corpo.

Por isto, a chamo de verdadeiro Eu; porque é onde vivem os sentimentos e as emoções, que vos podem fazer felizes. O corpo vos oferece prazeres e alegrias, mas não a felicidade.

Aceitai esta realidade, e mais facilmente vos sentireis felizes; não vos importeis com o corpo, mais do que com a alma. Até porque, depois que passardes, vereis os Jardins do Amanhã.

Abandonai a ambição; sensato é aquele que a substitui pela gratidão. Pois, enquanto uma planta em vós a insatisfação, a outra vos leva a perceber os bens de que desfrutais.

Olhai ao vosso redor e percebereis que ninguém pode ter tudo; este não é o mundo da felicidade, mas o do aprendizado. E, para que aprendais, a felicidade não anda convosco.

Às vezes, vos visita. Para que possais vislumbrar como seria caminhar em sua companhia; o que só conseguireis depois de concluído o aprendizado e atingido o Conhecimento.

Pois é ele que vos leva à felicidade.

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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

AS VERDADES

 


Cada um de vós tem as suas próprias verdades.

E as defende, como se outras não pudessem existir. Como se cada estrela não tivesse o seu próprio brilho e, juntas, não iluminassem o céu.

Isso acontece, porque não percebeis que a vossa verdade é apenas uma estrela a mais; no vosso orgulho, julgais que ela seja o sol. E vos espanta que os outros não enxerguem o seu brilho soberano.

Abandonai o vosso orgulho!

Pois, assim como a espuma disfarça a força das ondas, o orgulho do que julgais ser vos impede de serdes tudo o que podeis ser.

Eis que nascestes para crescer.

Se, entretanto, vos acreditais maiores do que sois, limitais o vosso crescimento. E dia virá em que tão grandes vos julgareis, que não mais sereis capazes de crescer.

Aprendei a ouvir as verdades alheias.

E, ainda que não as aceiteis, ao menos meditai sobre elas. Entendei que, assim como uma única nuvem não pode ocupar todo o céu, não podem as vossas verdades compor toda a Verdade maior.

Por isto, não busqueis impor os vossos pensamentos. Se o fizerdes, os vossos irmãos vos esconderão os seus próprios pensamentos; e vos será negado o que poderíeis aprender.

Lembrai-vos que as ondas se atiram sobre a praia, e a areia não reage. Entretanto, as ondas passam e a areia permanece.

Não vocifereis as vossas verdades.

Dizei-as, apenas; e deixai que cada um medite sobre elas. Pois, se o clamor de um brado dura apenas um momento, a voz calma da razão se eterniza em quem a ouve.

Não é gritando, que vos fareis ouvir; assim, apenas conseguireis que os outros se calem. E este não será o silêncio da aceitação, mas o prenúncio da revolta.

Deveis prezar as vossas verdades.

E lembrar-vos que cada um preza as suas próprias verdades, e não as trocará pelas vossas. Será, entretanto, capaz de ouvi-las e pensar sobre elas, se as souberdes enunciar; se nas vossas palavras não houver o estrépito da paixão, mas a profundidade da razão.

Recordai, ainda, que a cada um assiste o mesmo direito.

E, àquele que se recusa a ouvir, não cabe o direito de falar; como, a quem se recusa a aprender, não assiste o direito de ensinar.

Disponde-vos, portanto, a ouvir as verdades alheias; e a respeitá-las, sem temer que diminuam as vossas próprias verdades.

Juntas, as cores formam a beleza do arco-íris.

E as ondas a imensidão do oceano.

Assim como as vossas verdades são partes da Verdade maior... 

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Do meu livro Hassan, disponível na Amazon.


sábado, 10 de janeiro de 2026

AUTO-RETRATO

Dentre vós, alguns me acusam de não ligar às coisas práticas da vida.

Estarão certos, talvez. E como poderia ser de outra forma?

Acaso o beija-flor atenta para as minhocas que fertilizam o solo, se a essência da sua vida é sugar o néctar das flores?

Dizem outros que me perco em sonhos.

E estarão igualmente certos. E, novamente, eu vos pergunto: como poderia ser de outra forma?

Serei eu, acaso, o único a sonhar?

De que nutrem os enamorados o seu amor, se não de sonhos?

Não sonham os religiosos, que pretendem entender Deus?

E o que é a felicidade, que todos desejam, se não o maior dos sonhos?

É preciso que eu sonhe.

Pois ninguém pode dar senão o que possui. E, tendo tão pouco de meu, nada vos posso dar além dos meus sonhos, que transformo em palavras.

Deixai-me, pois, como sou. Porque existem o sol e a chuva, a noite e o dia, o pássaro e a minhoca, o sonhador e o prático. E todos são necessários ao equilíbrio do mundo. 

Não vos enganeis, vós que amais as minhas palavras e pretendeis apontar o sonhar como meu defeito.

Ele existe também em vós.

Pois não me entenderíeis, se eu vos falasse de coisas que não fôsseis capazes de entender ou sentir; por mais belas que fossem, as minhas palavras esbarrariam na vossa incompreensão.

E morreriam em vossos ouvidos, sem alcançar o vosso coração.

Por isto, eu vos digo que somos todos iguais.

E as aparentes diferenças residem nas escolhas que fazemos. 

O homem não faz mais, durante toda a sua vida, do que buscar a felicidade; diferente é o lugar onde cada um acredita que esteja a sua própria felicidade.

E essa é a causa do vosso sofrimento. Porque seria fácil encontrar a felicidade, se todos a buscassem juntos.

Eis que não reclamo dos vossos rumos; antes, tento entendê-los.

Deixai-me, pois, seguir os meus próprios rumos. E, se necessário, perder-me nos sonhos, onde encontro a felicidade.

Porque, assim fazendo, eu a posso dividir convosco, ainda que por breves instantes.

Assim como o céu divide com a Terra a beleza das estrelas que o adornam.

E os sonhos e desencantos dividem os vossos corações.

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Do meu livro A Sabedoria de Hassan, à venda na Amazon.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

PRECE DA GRATIDÃO

 

Obrigado, Senhor, pelo dia que nasce; o primeiro de um novo ano.

No meu coração, só existe a gratidão. Não penso em nada mais, que possa desejar; só tenho a agradecer, por tudo que me deste e continuas dando, por todo este tempo.

Obrigado, Pai, pelo novo ano que chega. Jamais saberemos até onde iremos sobre a Terra, mas o importante não é quantos anos teremos, e sim a forma como vivemos cada dia que passa.

Sou abençoado, por ser feliz. Porque há muitos que possuem mais do que eu, e não desfrutam da mesma alegria que me invade todos os dias. Abro os olhos e sorrio, toda manhã. 

Obrigado por minhas vitórias, pelas alegrias que me deram; e por minhas derrotas, por tudo que me ensinaram. Pois os oásis nos retemperam, mas é no deserto que caminhamos.   

Obrigado por cada momento em que mostrei o meu sorriso, ou escondi as minhas lágrimas. Porque aprendi que vale a pena repartir as alegrias, mas não é bom mostrar as tristezas.

Obrigado por meus tropeços; porque, depois de cada um, a Tua mão me ajudou a levantar e prosseguir. E, se não existe mérito na queda, ele está na capacidade de nos reerguermos.

Sou grato, Pai, por tudo que recebi de Ti. Pois bem sei que não o devo aos meus merecimentos, mas à Tua bondade; melhor do que eu, conheces os inúmeros erros que cometi e assim os perdoas.

Sou grato por cada novo dia que me concedes. E, ainda quando chegar o derradeiro, a gratidão será meu último pensamento e minha última emoção; com ela, iniciarei a Grande Viagem.

Obrigado pelas flores e pelos perfumes; obrigado pela beleza que enche os meus olhos e traz deleite à minha alma; obrigado pelo sol que me aquece e pela lua que vela o meu sono à noite.

Obrigado pelas crianças que nos fazem sorrir e pelos idosos que nos ensinam pela palavra e pelo exemplo; pelos jovens, que nos incentivam com seu entusiasmo e seu ímpeto. 

Obrigado pela música, que tantas vezes me consolou e trouxe novo alento; por este dom de escrever, que me serve para desabafar as dores e incertezas. Obrigado porque sou capaz de sentir.

Obrigado pela brisa, que afaga os meus cabelos. E pela chuva que faz brotar as plantas, como as lágrimas e os sorrisos fazem crescer os sentimentos, no solo fértil que são os nossos corações.

Verdade é que jamais esperei sentir-me tão bem e caminhar tão firme, nas últimas curvas da minha estrada; e Te sou tão grato, Senhor! Tanto me abençoaste, que nada tenho a pedir.

E muito a agradecer!

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sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

O ANO E A ROSA


 

Aguardais o nascer de um novo ano, como o enamorado aguarda o desabrochar da rosa.

Como ele antecipa a perfeição de suas pétalas, antegozais os dias felizes que vivereis. E enquanto as suas narinas pressentem o delicado aroma, os vossos corações imaginam mil alegrias.

Sois, uns e outro, sonhadores...

e é isto que me encanta em vós!

Porque a rosa, uma vez desabrochada, será como tantas outras; talvez não sejam perfeitas as suas pétalas, nem inebriante o seu aroma. E, por certo, o novo ano não vos trará apenas alegrias, mas também algumas tristezas.

Pois são assim todas as rosas. E são assim todos os anos.

Entretanto, em um momento mágico, eis que a rosa a brotar se torna perfeita; e o ano a nascer abriga a felicidade. Porque acreditais sois capazes de, por um momento, dar vida a vossos sonhos.

Esta é vossa ponte para a felicidade. Porque, para o homem, existe aquilo em que ele acredita. E, se não dura a ilusão mais do que um momento, é porque não sois capazes de manter a vossa crença.

Sim: a vossa fé é como a chama de uma vela, pronta a ceder ao primeiro sopro de vento. E que, todavia, enquanto existe pode espalhar a luz.

É este o segredo da vida.

Pois é perfeita a rosa e o ano é o limiar da felicidade, enquanto acreditais e dais vida às vossas esperanças.

Enquanto podeis sonhar, já que ainda não aprendestes a manter os vossos sonhos e, assim, trazê-los ao que chamais realidade.

Eu vos pergunto, entretanto:

- enquanto aguarda o enamorado, não é perfeita a rosa?

- e, enquanto vos desejais feliz Ano-Novo, não é o vosso um ano feliz?

Esta é a verdade. Que permanece latente em vós.

Por isto, os enamorados sempre aguardarão o nascer das rosas.

E os homens sempre festejarão o Ano-Novo!... 

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