CERTEZAS E DÚVIDAS
A vida não é
feita de certezas, mas de dúvidas.
Porque é um
aprendizado; e, como tal, a sua função é trazer-vos perguntas, às quais buscareis
responder. Pois cada homem tem as suas próprias verdades e delas dependem as
suas respostas.
Vede: por mais
que consulteis cartomantes, videntes ou ciganas, não vos será possível conhecer
o futuro, porque ele ainda não existe: vos mesmos o construís, dia a dia, com
pensamentos e ações.
Imaginar que o
vosso porvir já esteja escrito, seria como negar o livre-arbítrio, que vos é
concedido pelo Coração do Universo, para que possais ser os guias e condutores
de vossas jornadas.
Certo, mesmo, é
que cada jornada um dia findará; neste mundo, todos não seremos mais do que
memórias, após a partida. E, se assim é, viver bem é deixar as melhores
lembranças possíveis.
Lembrai-vos
disto, a cada novo raio de sol que beijar o vosso rosto, ou cada sopro de brisa
que acariciar os vossos cabelos. A cada vez que a lua desenhar o seu cone de
prata, sobre as águas.
Lembrai-vos
disto, a cada botão que se abrir; ou a cada flor que murche e caia sobre o
chão, onde se tornará adubo para que outras nasçam. Porque a vida não acaba,
apenas se transforma.
Recordai esta
verdade, quando o medo tentar tolher vossos passos, ou os ventos da vida forem
contrários à rota que traçaste para vosso barco; o medo depende de vós e os
ventos mudam a toda hora.
Não tendes, pois,
porque temer a vida; nem sequer a morte. O vosso verdadeiro Eu é eterno; a
morte é apenas uma ilusão dos sentidos. A vida segue e vos oferece novas
oportunidades sempre.
A centelha do
Universo, que existe em vossa essência, é imortal e vos torna viajantes da
Eternidade. Como todo viajante, entretanto, deveis banhar-vos e mudar de
trajes, para iniciar nova jornada.
Isto, eu vos
tenho dito muitas vezes; e o repetirei até fazer-me ouvir. Como tenho dito que vos
cabe a possibilidade de escolher os novos trajes e companheiros, ainda que não
a possais recordar.
Abandonai a
vossa obsessão por controle: não o podeis ter, nem dele necessitais. Como em
vossas viagens acontece, o maior encanto da vida pode estar justamente nos imprevistos.
Aceitai, de bom
grado, o que vos trouxer o destino: não o podeis controlar. Mas aprendei a
manejar as velas e o leme, para que os ventos adversos causem ao vosso barco
o menor dano possível.
Este, sim, é o
papel que vos cabe desempenhar, em cada etapa da viagem. Sede cuidadosos ao
fazê-lo e, acima de tudo, mostrai-vos gentis e compreensivos com os
companheiros que encontrardes.
Porque só
juntos concluireis a jornada.








