O Árabe

Idéias, sentimentos, emoções. Oásis que nos ajudam a atravessar os trechos desérticos da vida...

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

ESPERANÇAS E DECEPÇÕES

 

 


Desesperais, à morte de cada uma das vossas esperanças. 

E por que o fazeis? Acaso a morte de uma rosa significa que não possam abrir-se novos botões? 

Ou não sabeis que as esperanças são como as rosas e cada uma que tomba sobre o solo, servirá de adubo para que outras possam brotar? 

Necessitais renovar sempre as vossas esperanças, e agradecer às vossas ilusões. São elas as tintas que usa a Felicidade, para colorir o cinza das vossas vidas. 

Por isto, infeliz daquele que abandona as suas esperanças e renega as suas ilusões; que não se imagina feliz, por medo de depois vir a sofrer. Pois será como o homem que apenas busca os frutos da árvore, e não escuta a doce melodia do vento em suas folhas. 

Sem o oásis da esperança e a reconfortante brisa da ilusão, seria a vossa vida um árido deserto. 

Aprendei a conviver com as vossas esperanças e decepções; com os vossos sonhos e desilusões. 

Pois sábio não é o homem que tenta pegar a lua; mas aquele que, tendo os pés no chão, sabe erguer os olhos para admirar a sua beleza. E não desespera a cada nuvem que a encobre, mas apenas a espera ressurgir. 

A sabedoria não é o desencanto, mas a arte de desfrutar do encanto sem imaginá-lo eterno. É saber que cada decepção é o prólogo de uma nova esperança. 

Pois as decepções e as esperanças são as sementes do coração, que cultivais com a chuva das vossas lágrimas e o sol do vosso sorriso. 

E eu vos tenho dito que para esse cultivo viestes. Pois, assim como a planta brota das suas raízes, assim brotará o vosso verdadeiro Eu do vosso constante aprendizado. 

E os seus frutos não serão enjoativamente doces, nem excessivamente amargos. Terão, antes, o perfeito sabor, que vem do conhecimento. 

E esse é o sabor que vos deleitará, por toda a Eternidade.

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Do meu livro "A Sabedoria de Hassan", disponível na Amazon.

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

A SOLIDÃO ACOMPANHADA

 


Eu vos tenho visto.

Por trás das janelas das vossas casas, entre as vossas mulheres e os vossos filhos, a cuidar dos vossos afazeres.

Entre os vossos amigos, em meio aos sons das vossas festas. Ou entre os vossos colegas, a labutar nas horas do trabalho que vos proporciona a sobrevivência.

Eu vos tenho visto, em todos os momentos do dia e da noite, entre pessoas que vos fazem companhia: no lazer, no trabalho e em vossos lares.

Sempre, eu vos tenho visto acompanhados. E a tentar esconder a vossa solidão.

Embora dificilmente estejais sós, a solidão está em vossos corações, e é a maior causa dos vossos sofrimentos. Porque não sabeis comungar da companhia, apenas a procurais.

Como não sabeis comungar pensamentos; apenas vos agarrais às vossas ideias, como se nelas pudessem estar contidas todas as verdades que existem. E não sabeis confiar, mas apenas desejais que confiem em vós.

Abris as vossas bocas, para falar; mas não os vossos corações, para que as palavras sejam a expressão dos vossos sentimentos.

E, ao buscar a companhia sem a ela vos entregardes, estais mergulhando na pior das solidões; aquela em que não tendes o direito de estar sós.

Fugis da solidão de vossos corpos; e a aceitais em vossos corações, onde o tempo se encarrega de firmar as suas raízes. Pois a solidão acompanhada gera a revolta, que ainda mais vos afasta daqueles que estão a vosso lado.

Eu vos digo que deveis buscar a aparente solidão. É nela que desfrutareis da vossa própria companhia e ouvireis, na voz do coração, as vossas verdadeiras palavras.

Não precisando esconder os vossos defeitos, podereis descobrir como enfrentá-los. E, não precisando exaltar as vossas qualidades, as descobrireis como partes naturais do vosso verdadeiro Eu.

Para que o mar se formasse, foi necessária a primeira gota; para que possais verdadeiramente conviver com os outros, precisais aprender a conviver convosco.

E, para que possais apreciar a companhia alheia, é necessário que aprecieis a vossa própria companhia.

Deveis, por vezes, buscar a solidão aparente, para que vos possais conhecer e entender; este é o caminho para conhecer e entender aqueles que convosco convivem.

Buscai a solidão aparente; ela vos ensinará o valor da companhia.

E, assim, vos afastará da verdadeira solidão.

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Do meu livro A Sabedoria de Hassan, disponível na Amazon. 

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

DESFAZENDO MITOS SOBRE O AMOR


Deixai-me desfazer alguns dos vossos mitos sobre o amor.

Porque felizes são aqueles que o encontram em seus caminhos. Todavia, mais difícil se torna encontra-lo quando o vedes como mito. Mitos não existem e nada vos trazem senão decepções.

Devo dizer-vos, de início, que não espereis encontrar um amor perfeito. Porque é de vós que o Amor nasce, e em vós que ele vive. Como poderia ser perfeito, se vós mesmos não o sois?

Tampouco  espereis que ele vos mostre, todo o tempo, a mesma face. Amor é um sentimento; e nada existe de mais inconstante que os sentimentos, ventos que sopram em vosso coração.

E o Amor, o maior deles, é uma mescla de todas as emoções; nele convivem a paixão e a ternura, o enlevo e o sofrimento, a esperança e a desilusão, a leveza de uma flor e o peso da saudade.

Na paixão o amor é como um rio caudaloso e escuro, que a tudo arrasta na sua passagem; no carinho torna-se um lago manso, de águas cristalinas, onde os amantes veem refletida a sua imagem.

Não acrediteis que o Amor vos torne melhores; só vós mesmos o podeis  fazer. Mas ele vos desperta para as melhores coisas da vida, inclusive a felicidade. Se preciso, destrói para reconstruir.  

Assim é; e não podereis dizer que conheceis o Amor, até que ele vos mostre as suas várias facetas. Porque ele é como um prisma, a refletir as luzes que se alternam em vosso verdadeiro Eu.

E não podeis esquecer que em vós, ainda que seja apenas por fugazes momentos, existe também a escuridão. É por isso que, às vezes, magoais a quem amais; por orgulho, egoísmo ou ciúme.

Essas são as causas mais comuns das vossas dores, quando jurais sofrer por amor; porque o Amor, em si mesmo, não vos faria sofrer. Ao invés, ele vos traz felicidade e paz; vos completa.

Que não vos preocupe o sofrer por amor; por ele, não sofrereis. Até quando vos visitar a saudade de um amor que se foi, as doces lembranças do tempo compartilhado a virão amenizar.

Sois como o amor e os oceanos: alternai as marolas e os vagalhões. Navegais entre o calor do fogo e a frieza do gelo; é por isto, que os vossos sentimentos são tão variados e inconstantes.

E é por isto, também, que não podeis esperar sempre a mesma face do amor. Ele depende de duas pessoas, que nem  sempre estarão em sintonia; das ações de uma, virão as reações da outra.

Nem podeis apontar quem ama mais, ou quem ama menos. Cada um ama do seu próprio jeito, e não existe mais ou menos para o verdadeiro Amor; que não conhece e não aceita meio-termo.

 Não vos preocupeis, portanto, com o Amor.

Aceitai-o como é, e ele vos aceitará como sois. 

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Fotos antigas: presente do passado. 

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

PEDRAS OU FLORES



Não há caminhos que sejam só de flores.

Em qualquer caminho que escolherdes, encontrareis flores e espinhos; riachos cristalinos e rios caudalosos; planícies formosas e montanhas escarpadas. Não acrediteis que possa ser diferente.

Pois esta é a razão de ser de cada uma das jornadas a que chamais “vida”. Recordai que o aço se forja entre o ardor do fogo e a frieza da água, e a semente só germina entre o sol e a chuva.

Assim acontece aos vossos sentimentos, que apenas se desenvolvem diante das alegrias e tristezas. É preciso que estas vos testem o ânimo, enquanto aquelas vos animam a prosseguir.

Por isto, nenhum caminho ireis encontrar que vos seja completamente agradável; que possais percorrer sem dificuldades, durante todo o tempo, ou que seja florido em toda a sua extensão.

Aceitai esta verdade. E não desanimareis diante dos obstáculos, nem acreditareis que tudo vos seja fácil ou difícil; assim aprendereis a conviver com as vossas esperanças e decepções.

Sabei que, se não podeis caminhar apenas sobre flores, também não necessitais magoar os vossos pés, em pedras que vos é dado evitar; basta que aprendais a plantar flores em vosso caminho.

Isto, sim, está ao vosso alcance: enquanto caminhais, podeis escolher entre semear flores ou lançar pedras ao vosso redor. E, acreditai-me, tudo aquilo que espalhardes, irá voltar para vós.

Cuidai, pois, para espalhardes gentileza, humildade e compreensão, ao invés de grosseria, prepotência e intolerância. Propagai o amor e não o ódio, a fé e não a descrença; a paz, não a violência.

Abandonai os preconceitos, que não fazem parte de vós e dificultam a convivência com vossos irmãos. O preconceito é a máscara sob a qual se oculta o medo àqueles que são diferentes.

Não sabeis, acaso, que a maior beleza do jardim reside na variedade das flores? Se fossem todas iguais, com a mesma cor e o mesmo perfume, certamente o jardim perderia muito do seu encanto.

Vencei os vossos medos; aprendei a arriscar-vos, se necessário for, em busca dos vossos sonhos. O homem que teme molhar os pés, jamais aprenderá a nadar; e muito menos atravessará o rio.

Buscai os vossos melhores sentimentos, e deixai que vos sirvam de guias. Vencei o egoísmo exagerado; aprendei a dividir os vossos pensamentos e parte dos vossos bens, com quem precisa.

Eu vos tenho dito que caminhais juntos; e a felicidade de cada um passa pela felicidade de todos. Por isso, vos foi concedido o livre arbítrio: assim, escolheis o que lançais em vosso caminho.

Pedras ou flores.

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sexta-feira, 1 de agosto de 2025

DA CONFIANÇA


Deveis aprender a confiar.

Porque, ainda que alguém não corresponda à vossa confiança, sempre podereis recuperar-vos dos danos que vos cause; mas, se em ninguém confiardes, eis que vos tornareis prisioneiros do medo.

Assim, nada sereis capazes de construir; porque o medo é o mais pesado dos grilhões e vos impede até mesmo de dar o primeiro passo. Ele não tolhe apenas o vosso corpo, mas também a vossa alma.

E é só aprendendo a confiar, que vos livrareis do medo. Aquele que confia, não se sente sozinho; embora caminhe os seus próprios passos, sabe que conta com o apoio de um braço amigo, se necessitar.

Isto é o melhor que vos pode acontecer, enquanto cumpris a vossa jornada sobre a Terra. Porque nada é tão triste como a solidão; a sensação de que nada ou ninguém está a vosso lado, e vos quer bem.

Em verdade, eu vos digo que ninguém está só, senão quando se sente só. Mas o homem que se nega a confiar, nega-se também ao direito de ter amigos ou amores; e assim fazendo, escolhe a solidão.

Confiai; e não mais vos sentireis sós. Porque deixareis de temer os vossos irmãos; e, ao abandonar o medo, recuperareis a liberdade de ser e mostrar-vos como sois, independente do que possam pensar.   

Sorride e vos sorrirão; como vos ofenderão quando ofenderdes, ou abraçarão quando abraçardes. Eu vos tenho dito que os outros são como espelhos, a refletir em vossa direção aquilo que lhes ofereceis.

E, se assim é, não podeis esperar que confiem em vós, quando em ninguém confiais. Por certo concordareis que não é confiável aquele que não confia; é por nós mesmos que julgamos outras pessoas.

Aprendei a confiar: mais fácil e mais agradável se tornará a vossa vida. Ensina o provérbio que colhereis os frutos do que plantardes; cultivai em vós a confiança, e ela se espalhará a vosso redor.

Confiai, portanto; não temais as decepções que possam sobrevir. Lembrai-vos de que ninguém pode perder senão algo que possua. E não chegareis a ter amigos ou amores, se neles não confiardes.

Lembrai-vos, também, de que uma desilusão não brota senão onde florescia um sonho; os sonhos estão reservados àqueles que se arriscam às desilusões. Confiai e sonhai, se pretendeis ser felizes.

Necessitais, sim, aprender a confiar. Porque, embora cada um tenha o seu próprio caminho, é juntos que caminhais; mais unidos e seguros vos sentireis, quando confiardes naqueles que vos cercam.

Confiai e segui em frente. Descobrireis novos encantos na jornada, enquanto aprendeis a reparti-los com os vossos irmãos; ao elevar bem alto a vossa luz, não ajudais apenas a quem anda convosco.

Iluminais melhor, também, o vosso caminho.   

sexta-feira, 25 de julho de 2025

CONTRASTES


 

É preciso que vos desnorteie a paixão,

para que possais encontrar o rumo do amor.

Como é necessário o frio da noite, para que valorizeis o calor do sol.

Necessitais do sofrimento, para conhecer a felicidade. Ou da sede, para que possais descobrir o sabor da água.

A vossa vida é feita de contrastes.

E antes vos perdeis nos extremos, que buscais a sabedoria do meio. Assim, saltais das lágrimas para o riso; e, sempre agitados pelas emoções, não chegais a conhecer a paz.

Exercitais o amor e o ódio, o desejo e a ternura, o apreço e o desdém. E vos comportais como se cada um destes sentimentos existisse isoladamente; como se, muitas vezes, não se mesclassem em vosso íntimo.

Eu, entretanto, vos digo que os sentimentos são parte de vós. E se misturam em vossos corações, para o aperfeiçoamento do vosso verdadeiro Eu.

Assim sois, a um só tempo, o bem e o mal, a pureza e a malícia, a verdade e a mentira. Espalhais, ao vosso redor, o sofrimento e a alegria; e colheis os frutos da vossa semeadura.

É assim que sois. E me espanta o ainda não o haverdes descoberto.

Pois, se desejais colher determinado fruto, plantais a árvore que o irá produzir. E, entretanto, ao espalhardes os vossos sentimentos não atentais para a lei da colheita.

Acreditais que, oferecendo desprezo, podeis colher o amor? Ou que, espalhando o medo, recebereis o respeito? Credes, acaso, que alguém vos oferecerá algo diferente do que lhe ofertais?

Semelhantes a gotas d’água são os vossos irmãos. E, ao vos debruçardes sobre o lago que formam, nada vereis senão a vossa própria imagem. Ou a imagem que podem refletir, do que aparentais ser.

Eu vos convido à reflexão.

Eis que de contrastes sois formados. E as vossas metáforas sobre Deus e o demônio não fazem senão simbolizar o bem e o mal que existem em vós.

Sois o vosso próprio Deus e o vosso próprio demônio. E os sois, também, para aqueles que vos amam. Ou não sabeis que de vós depende a sua alegria ou o seu sofrimento?

Harmonizai os vossos contrastes.

Pois só assim encontrareis a paz. E, ao distribuí-la entre os que vos cercam, a sentireis retornar multiplicada.

Para o vosso verdadeiro Eu.

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sexta-feira, 11 de julho de 2025

O HOMEM E A ETERNIDADE

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Por que procedeis como se fôsseis eternos?

Comportai-vos como se a Terra fosse tudo que existe e estivésseis destinados a caminhar sobre ela, com as mesmas vestes de agora, por todo o sempre. Não percebeis o peso do vosso engano?

No fundo, sabeis que assim não acontecerá. Recordais os entes queridos que já se foram e não podeis ignorar que, um dia, igualmente vos ireis. Até acalentais a esperança de que os podereis rever.

Contudo, temeis demasiadamente o que chamais de morte, para que possais admitir esta verdade. E optais por fechar os vossos olhos, vivendo cada dia como se nele estivésseis plantando o futuro.

Como se não tivésseis que vos ir, um dia; e necessitásseis armazenar, para a Eternidade que virá, sempre um dia atrás do outro, enquanto continuais a mover-vos por tudo o que conheceis.

Deixai-me dizer-vos que assim realmente é: necessitais armazenar para a Eternidade; porém não o deveis fazer para os vossos corpos, ou para as vossas vaidades, mas para as vossas almas.

Porque é nelas que reside a vossa Eternidade. Os vossos corpos descerão à terra e existirão apenas como parte dela, assim como as flores que caem e se tornam adubos para as novas que vêm.  

São os vossos espíritos que haverão de passear nos Jardins do Amanhã; e eles, por certo, não terão a mesma aparência, nem as mesmas ideias e a mesma visão de hoje; tudo evolui, no Universo.

Os dias continuarão a vir, um atrás do outro, mesmo depois que passardes. Contudo, não serão os vossos olhos que os verão; nem os vossos corpos que sentirão a sua passagem e seus efeitos.

O que hoje sois, já se terá então diluído com a passagem do tempo. O que hoje são vossos nomes, tornar-se-ão apenas lembranças entre os homens; boas ou ruins, conforme tenhais sido entre eles.

Outra será a vossa realidade, ainda que vos aguarde o nada. Outros serão os vossos pensamentos e os vossos desejos, se acaso os tiverdes. Ninguém que esteja neste mundo pode presumir o depois.

E, se assim é, o que podereis fazer de melhor senão viver plenamente cada dia? Qual a herança maior que podereis deixar, senão a lição de que a melhor coisa que se faz é simplesmente tentar ser feliz?

Perdi a conta, confesso, das vezes em que isto vos tenho repetido. E, entretanto, continuarei a fazê-lo; até entenderdes que, em cada jornada, a vossa maior fortuna é o tempo que tendes para realizá-la.

E não deveis gastá-la, senão em serdes felizes. Porque a felicidade não é apenas o melhor que tendes, hoje; será, também, o melhor que podereis ter amanhã, enquanto a vossa alma prossegue.

Porque a caminhada vos leva ao Coração do Universo.

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